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Bisneto compara defesa de Suape à mobilização pela Transnordestina

Diretor-presidente do Porto de Suape pede engajamento da sociedade pernambucana contra instalação de terminais privativos do Estaleiro Atlântico Sul e aciona Ministério, Casa Civil e Antaq
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  1. Presidente de Suape mobiliza governo contra Terminais de Uso Privativo na área do Estaleiro Atlântico Sul.
  2. Bisneto compara engajamento necessário em defesa do porto ao apoio recebido pela ferrovia Transnordestina.
  3. TUPs geram insegurança jurídica e desestimulam investidores interessados no plano de arrendamentos do porto organizado.
  4. Terminais privados não pagam arrendamento nem tarifas portuárias, criando assimetria competitiva com empresas arrendatárias tradicionais.
  5. Infraestrutura de Suape resulta de investimento público intergeracional que setor privado isolado não conseguiria realizar.
Análise Ceplan 2026: presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Armando Monteiro Bisneto
Armando Monteiro Bisneto participou do evento Análise Ceplan 2026 e fez a defesa de Suape em relação ao plano de Terminais de Uso Privativo pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS). Foto: Lidiane Evelyn/Divulgação

O presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Armando Monteiro Bisneto, afirmou nesta quinta-feira (29) que a equipe técnica do porto está atuando junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), ao Ministério dos Portos e Aeroportos e à Casa Civil da Presidência da República para barrar a instalação de Terminais de Uso Privativo (TUPs) na área do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) em Suape. Em declaração durante o evento Análise Ceplan 2026, realização da Ceplan Consultoria e do Movimento Econômico, no Recife, ele convocou a sociedade pernambucana a se engajar na defesa do porto organizado com a mesma força com que vem apoiando a ferrovia Transnordestina. “A gente vem tentando trazer um pouco de racionalidade para essa conversa para que a gente possa manter as conquistas em Suape”, declarou.

O executivo citou como consequência direta a insegurança jurídica para investidores interessados no plano de arrendamentos do porto organizado, que prevê atrair mais de R$ 1 bilhão em novos contratos. Segundo ele, a perspectiva de tancagem instalada em área de TUP vizinha já gerou questionamentos de potenciais investidores sobre a viabilidade dos arrendamentos. “Você já gera insegurança jurídica. E é uma falácia dizer que vão investir R$ 1 bilhão no total. Ora, e quanto investiram no terminal público? E quanto não se está investindo nesse momento? E quanto o plano de arrendamento não traria?”, questionou.

A decisão final sobre a implantação dos TUPs cabe ao Ministério dos Portos e Aeroportos, após deliberação do plenário da diretoria da Antaq. Não há prazo estabelecido para a agência se manifestar. “É preciso proteger o ordenamento do porto que funciona de forma exemplar. A gente tem atuado de forma técnica e política para alertar as autoridades de Brasília sobre esse problema”, afirmou Bisneto.

Assimetria de custos em Suape

O ponto central da controvérsia é a diferença de custos entre os dois regimes. No porto organizado, as cerca de 30 empresas arrendatárias — algumas presentes há mais de 30 anos — pagam arrendamento de área e tarifas portuárias sobre a movimentação, além de seguir o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ). Os TUPs, por operarem fora do porto organizado mediante autorização da União, não recolhem arrendamento nem tarifas portuárias, resultando em estrutura de custos menor.

Bisneto argumentou que a infraestrutura diferenciada de Suape — canal externo com 20 metros de calado e canal interno com 16 a 20 metros — é produto de investimento público intergeracional que o setor privado não teria condições de realizar sozinho. “Há coisas que o setor privado efetivamente não faz. Só uma organização pública e coletiva pode fazer para o porto obras do molde como a gente tem em Suape hoje, que é um porto reconhecidamente com infraestrutura diferenciada”, afirmou. “Suape foi uma construção intergeracional e um projeto de Estado. Cada governo colocou ali algo, uns mais, outros menos, mas cada governo deu uma contribuição”, acrescentou.

O pedido do EAS

O CEO do EAS, Roberto Brisolla, confirmou ao Movimento Econômico a venda de uma área de 16 hectares no lado leste do terreno da empresa para a instalação de dois TUPs: um para granel líquido (combustível) e outro para carga geral. As expansões poderão ocupar até 40 hectares. O projeto já obteve anuência do Ministério dos Transportes, via Secretaria Nacional dos Portos, e habilitação preliminar da Antaq, aguardando análise final e decisão colegiada da agência.

Brisolla afirmou que os futuros terminais não concorrerão pela mesma carga do porto organizado, mas absorverão demanda nova gerada pela expansão da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), também instalada em Suape. A Rnest deve dobrar sua capacidade de processamento de petróleo até 2029, e o estudo do EAS projeta que o terminal de granel líquido pode absorver até 20% do volume adicional de derivados.

Os investimentos nos dois TUPs podem chegar a R$ 1 bilhão, segundo Brisolla. A venda da área é parte da estratégia do estaleiro para reduzir uma dívida de cerca de R$ 700 milhões acumulada desde o início do processo de recuperação judicial, em 2020. A expectativa é que a transação alcance R$ 500 milhões — valor semelhante ao obtido com a venda da área onde está sendo instalado o terminal de contêineres da APM Terminals, cuja inauguração está prevista para 12 de junho com a presença do presidente Lula.

Mobilização como a Transnordestina

A decisão final sobre a implantação dos TUPs cabe ao Ministério dos Portos e Aeroportos, após deliberação do plenário da diretoria da Antaq. Não há prazo estabelecido para a agência se manifestar. “É preciso proteger o ordenamento do porto que funciona de forma exemplar. A gente tem atuado de forma técnica e política para alertar as autoridades de Brasília sobre esse problema”, afirmou Bisneto.

Para o presidente, Suape sempre foi tratado como questão de Estado, não de governo. Ele citou a Transnordestina como alerta: “Em algum momento a classe política de Pernambuco e a própria sociedade não deram a devida importância à Transnordestina. E a gente perdeu o trecho do Ceará.”

Bisneto apontou a ferrovia como uma das duas lacunas de Suape na competição com o Porto de Pecém e destacou a atuação da governadora Raquel Lyra para reverter decisão contrária do Tribunal de Contas da União (TCU), garantindo o lançamento do trecho pernambucano com o presidente da República.

O evento é realização da Ceplan Consultoria em parceria com o Movimento Econômico, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Banco do Nordeste.

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