
O CEO do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), Roberto Brisolla, confirmou a venda de uma área de 16 hectares no lado leste do terreno da companhia, em Suape, para instalação de Terminais de Uso Privativo (TUPs). Inicialmente, o projeto prevê a implantação de dois terminais, um para granel líquido (combustível) e outro para carga geral. As expansões destes TUPs poderão ocupar uma área de até 40 hectares, que pertencem a empresa e não são utilizados. O executivo afirmou que o projeto já teve a anuência do Ministério dos Transportes, via Secretaria Nacional dos Portos, e uma habilitação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e segue em tramitação.
Após a habilitação, o projeto de implantação dos TUPs deve passar por uma análise final da Antaq e, posteriormente, por uma decisão colegiada da agência para decidir sobre a sua implantação. Não há um prazo estabelecido para a Antaq se manifestar. “Já entregamos toda a documentação”, contou o executivo. Os futuros TUPs também poderiam ter um berço de atracação privativo.
Polêmica em Suape
A polêmica em torno do projeto ocorre porque, na segunda-feira (25), o presidente do Porto de Suape, Armando Monteiro Bisneto, afirmou, numa palestra na sede da Fiepe, que a implantação dos TUPs na área do EAS provocaria uma “concorrência assimétrica” com os cerca de 30 empreendimentos instalados no porto organizado de Suape. Os empreendimentos do porto organizado de Suape pagam o arrendamento da área e tarifas portuárias. Os TUPs não pagam arrendamento nem tarifa portuária e consequentemente têm custos menores.
Brisolla afirmou que os futuros TUPs “não vão competir pela mesma carga” dos empreendimentos instalados no porto organizado porque devem movimentar cargas novas como as que surgirão como consequência da ampliação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), também instalada em Suape.
A Rnest vai dobrar a sua capacidade de processar barris de petróleo quando a sua expansão for concluída em 2029. E o estudo feito pelo EAS prevê que o terminal de cargas líquidas pode absorver até 20% do volume adicional de petróleo e derivados movimentados pela refinaria pernambucana. Já o terminal de cargas gerais será voltado para a movimentação de cargas de projeto, equipamentos e aço para a construção naval.
Segundo Brisolla, o estado pode perder, deixando de ter esse aumento de movimentação de carga, caso não sejam implantados os futuros terminais de uso privativos. “O TUP é uma solução que a gente tá buscando trazer e não uma concorrência que afete os investimentos já realizados em Suape”, comentou Brisolla, acrescentando que os investimentos nos TUPs podem chegar a R$ 1 bilhão. Segundo ele, o porto público não teria capacidade de absorver sozinho o aumento da demanda que vai ocorrer com a expansão da Rnest, mesmo com os investimentos já anunciados.
Brisolla argumentou que o projeto dos futuros TUPs vai trazer benefícios para o Estado como um todo e que “tem a convicção que a gente vai construir um bom diálogo” com a diretoria de Suape para “demonstrar a viabilidade desse projeto”.

Recuperação do EAS
A venda da área é uma forma do EAS fazer caixa para sair do processo de recuperação judicial, iniciado em 2020. A dívida atual do EAS é de cerca de R$ 700 milhões, segundo Brisolla. ” A gente espera buscar o maior valor possível para tentar amortizar essa dívida, porque quanto menos sobrar de dívida, mais fácil vai ser viabilizar a retomada das operações”, disse Brizola se referindo a venda dos terrenos para os TUPs. A expectativa é de que a vende alcance R$ 500 milhões. Também o terreno onde está se instalando o terminal de contêineres da APM foi vendido por R$ 500 milhões.
A área destinada aos novos empreendimentos não é mais necessária para as operações do estaleiro, que ocupa 60 hectares de um terreno que ficou com 100 hectares depois da venda de uma parte da área para a instalação do terminal de contêineres da APM, o qual será inaugurado no dia 12 de junho.
Atualmente, o EAS faz reparo naval e emprega cerca de 1 mil pessoas, segundo informações da empresa. Além de reduzir o endividamento da empresa, Brisolla afirmou que a venda de áreas para implantação de TUPs é uma forma de viabilizar a retomada das operações do estaleiro para no futuro ocorrer a reativação das atividades da companhia que começou a ser implantado em 2007.
O EAS tem como sócios acionistas o Grupo Mover, antigo grupo Camargo Correia, e a Somah, que era o Grupo Queiroz Galvão. Os acionistas japoneses e coreanos deixaram a sociedade com o estaleiro.
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