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Rota dos Sertões entre BA e PE vai a leilão nesta 5ª com R$ 8,5 bi em jogo

Concessão de 502 km da BR-116/324, chamada de Rota dos Sertões, atravessa 16 municípios e prevê duplicação de 108 km, contorno em Serrinha e obras de modernização ao longo de 30 anos
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  1. Leilão da Rota dos Sertões ocorre quinta-feira na B3 com três consórcios concorrendo pela concessão.
  2. Concessão prevê R$ 8,53 bilhões em investimentos para modernizar 502 quilômetros de rodovias federais.
  3. Corredor atravessa 16 municípios entre Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE) em contrato de 30 anos.
  4. BR-116 escoará produção de pecuária baiana e sisal, com 90% da fibra nacional produzida na região.
  5. Edital publicado em fevereiro pela ANTT com apoio do BNDES integra programa iniciado em 2020.
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Concessão prevê mais de R$ 8,5 bilhões em investimentos para modernizar a Rota dos Sertões, corredor logístico estratégico entre Bahia e Pernambuco. Foto: Dnit/Reprodução

O principal corredor rodoviário entre o Sertão baiano-pernambucano e os portos do Nordeste vai a leilão nesta quinta-feira (28) na B3, em São Paulo (SP). A concessão da BR-116/324/BA/PE502 quilômetros, 30 anos de contrato e R$ 8,53 bilhões comprometidos — recebeu propostas de três consórcios. O certame é o segundo leilão rodoviário federal de 2026 e o 24º realizado pelo Ministério dos Transportes no atual governo, com sessão marcada para as 14h.

O trecho atravessa 16 municípios entre o anel viário de Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE), ponto de cruzamento com a BR-232 e principal acesso terrestre ao Sertão pernambucano. Na Bahia, integram a concessão Abaré, Araci, Canudos, Chorrochó, Euclides da Cunha, Feira de Santana, Lamarão, Macururé, Quijingue, Santa Bárbara, Serrinha, Teofilândia e Tucano. Em Pernambuco, estão Belém do São Francisco, Cabrobó e Salgueiro. O contrato prevê R$ 4,13 bilhões em obras de ampliação e modernização e R$ 4,40 bilhões em custos operacionais ao longo das três décadas de concessão.

A relevância do corredor para a economia regional vai além do volume de tráfego. A BR-116 é a principal via de escoamento da pecuária baiana — o rebanho bovino do estado atingiu 13,7 milhões de cabeças em 2024, o maior em 50 anos, segundo o IBGE — e atravessa o coração da região sisaleira, onde a Bahia concentra cerca de 90% da produção nacional de sisal, com estimativa de 140 mil toneladas anuais de fibra cultivadas em 68 municípios, segundo a Embrapa. Parte expressiva dessa produção tem destino de exportação e depende do corredor para chegar aos portos do Nordeste.

Do ponto de vista físico, a concessão engloba 429 km da BR-116 na Bahia, 66 km no trecho pernambucano e 7,2 km da BR-324/BA, que integra o anel viário de Feira de Santana. O edital foi publicado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 13 de fevereiro de 2026, com apoio do BNDES.

O projeto integra a Estruturação de Concessão de Rodovias Federais – 2, parceria entre o banco e o Ministério dos Transportes iniciada em 2020, e é o quinto lote levado a leilão no âmbito desse contrato. O processo de controle social foi conduzido por meio da Deliberação nº 477, de 21 de novembro de 2024, na Audiência Pública nº 9/2024, com apresentação de contribuições sobre as minutas do edital e do contrato, o Programa de Exploração da Rodovia e os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental.

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Concessão da Rota dos Sertões contempla 502 quilômetros de rodovias entre o anel viário de Feira de Santana (BA) e o município de Salgueiro (PE), atravessando 16 municípios dos dois estados. Foto: Dnit/Reprodução

Três consórcios na disputa pela Rota dos Sertões

Três consórcios entregaram propostas dentro do prazo, encerrado em 26 de maio. O Consórcio 116 Sertões, formado pela NEO Invest, pela portuguesa Mota-Engil e pelo Infra I Fundo de Investimento, figura entre os concorrentes. O grupo representa o retorno da Odebrecht às disputas por concessões federais de rodovias, setor do qual a empresa saiu ao vender ativos nos desdobramentos da Operação Lava Jato. A Mota-Engil tem participação acionária da CCCC (China Communications Construction Company), grupo chinês de infraestrutura.

O segundo concorrente identificado é o Atlas Rodovias, consórcio formado pelo Infra Brasil Fundo de Investimento e pela Yvy Capital, gestora fundada pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano. A mesma composição havia disputado o primeiro leilão rodoviário de 2026, a concessão das Rotas Gerais (BR-116/251/MG), vencida pela EcoRodovias em março com deságio de 19% na tarifa básica de pedágio.

A identidade do terceiro concorrente não havia sido divulgada até o fechamento desta edição. O critério de julgamento é o menor valor de tarifa de pedágio, associado a aporte de recursos em função do deságio ofertado pelos concorrentes.

Duplicação de 108 km e contorno em Serrinha entre as obras

Entre as intervenções programadas estão a duplicação de 108,2 km da BR-116, a implantação de 44,5 km de vias marginais, 7,1 km de contornos urbanos, 5 km de faixas adicionais, além de passarelas, dispositivos de acesso, sistemas inteligentes de monitoramento, serviços de atendimento ao usuário, ambulâncias, guinchos e um Ponto de Parada e Descanso (PPD) para caminhoneiros.

O único contorno urbano nomeado no projeto é o de Serrinha (BA), segundo maior entroncamento rodoviário do Nordeste depois de Feira de Santana e polo administrativo da Região do Sisal. A cidade é o centro de ligação dos demais municípios sisaleiros com Feira de Santana e Salvador.

O Território do Sisal, que tem Serrinha como município mais populoso — 80.435 habitantes pelo Censo 2022 — concentra 592.282 pessoas e gerou PIB de R$ 6,1 bilhões em 2020, segundo o IBGE. O trecho urbano da BR-116 no município é um dos pontos de maior conflito entre tráfego pesado de cargas e circulação local em todo o corredor. O anel de contorno previsto no contrato de concessão é uma demanda histórica da região.

Segundo certame de 13 previstos para 2026

O leilão desta quinta integra um calendário ambicioso do Ministério dos Transportes. Para 2026, a pasta programou 13 certames — sete novas concessões e seis otimizações de contratos existentes — com estimativa de R$ 148 bilhões em comprometimentos totais. Os 23 projetos já contratados no atual governo somam 11.313 km de rodovias com mais de R$ 260,26 bilhões em investimentos previstos.

O trecho que vai a leilão esteve sob gestão da ViaBahia desde 2009. A concessionária devolveu a administração das vias em 15 de maio de 2025, e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) assumiu provisoriamente a operação. A ANTT realizou audiências públicas entre 15 de abril e 29 de maio de 2025 para subsidiar o Plano de Outorga que definiu as diretrizes da nova concessão.

O leilão desta quinta é o primeiro de dois certames previstos para reorganizar o sistema rodoviário baiano-pernambucano. A segunda concessão, denominada Rota 2 de Julho, abrange 653 km das BR-324 e BR-116 na Bahia e está prevista para novembro de 2026, com edital a ser publicado em julho.

Leia mais: João Campos: “Tenho coragem de assumir a Transnordestina”

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