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Pernambuco testa primeira térmica a etanol do mundo em Suape

Iniciativa da Suape Energia e Wärtsilä, a térmica representa uma mudança importante no setor elétrico mundial
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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~6:02
  1. Pernambuco inicia testes operacionais da primeira termelétrica do mundo movida a etanol.
  2. Projeto da Suape Energia com parceria finlandesa Wärtsilä combina segurança energética com redução de emissões.
  3. Planta piloto possui capacidade de 4 megawatts e consumirá aproximadamente 6 milhões de litros de etanol.
  4. Brasil possui vantagens como cadeia produtiva consolidada, infraestrutura logística e ampla disponibilidade de etanol.
  5. Tecnologia abre caminho para nova categoria de térmicas renováveis com aplicação em leilões futuros.
térmica da Suape Energia
Térmica a etanol da Suape Energia/Foto: divulgação

Pernambuco será palco dos testes de uma engrenagem que faltava no cenário da descarbonização energética global. Um projeto inovador desenvolvido pela Suape Energia, em parceria com a multinacional finlandesa Wärtsilä, deve iniciar nos próximos dias a fase operacional da primeira termelétrica do mundo movida a etanol.

A operação representa uma mudança importante no setor elétrico mundial. Isso porque as termelétricas continuam sendo peças fundamentais para garantir estabilidade ao sistema energético diante do avanço das fontes renováveis, como solar e eólica, que operam com intermitência. O diferencial do projeto pernambucano é justamente substituir o combustível fóssil por uma fonte renovável amplamente disponível no Brasil.

Instalado no Complexo Industrial Portuário de Suape, o projeto busca provar que é possível combinar segurança energética, redução de emissões e geração térmica contínua utilizando etanol. A expectativa é que a tecnologia abra caminho para uma nova categoria de térmicas renováveis no país, com potencial de participação em futuros leilões de energia e aplicação em operações que exigem fornecimento ininterrupto, como data centers e grandes indústrias.

Nesta quinta-feira, uma cerimônia celebra o fim da implantação da térmica, com a presença do acionista majoritário, Carlos Alberto Mansour e Carlos Alberto Mansour Filho, além de convidados.

De acordo com José Faustino Cândido, diretor técnico da Suape Energia, o projeto nasceu após executivos da Suape Energia visitarem a Finlândia, em 2024, para conhecer alternativas energéticas de baixo carbono. “Durante as discussões sobre motores movidos a metanol, amônia e outros combustíveis, surgiu a provocação: por que não utilizar etanol no Brasil, um dos maiores produtores mundiais do biocombustível?”, relembra o diretor.

Embora a Wärtsilä já tivesse realizado testes laboratoriais com combustíveis alternativos, nunca havia colocado uma usina termoelétrica movida a etanol em operação real. O motor, produzido na Finlândia, foi trazido para Pernambuco e adaptado para funcionar com o biocombustível brasileiro. A planta piloto possui capacidade aproximada de 4 megawatts e deverá consumir cerca de seis milhões de litros de etanol ao longo de 4 mil horas de testes.

José Faustino destaca que o etanol apresenta uma vantagem importante em relação a outros combustíveis da transição energética: já possui cadeia produtiva consolidada, infraestrutura logística pronta e ampla disponibilidade no Brasil. Um acordo para fornecimento do etanol já está bem avançado com a Vibra Energia, mas é possível que usinas da região também virem fornecedoras.

Adriano Marcolino, Gerente Geral de Contratos & Upgrades da Wärtsilä, ressalta que o principal desafio tecnológico foi adaptar uma plataforma consolidada de geração térmica para operar com um combustível ainda pouco utilizado nesse tipo de aplicação. Segundo ele, o motor escolhido pertence à plataforma mais confiável da companhia no mundo. “Foi nessa base que a gente decidiu construir esse projeto a etanol”, afirmou.

Parceria estratégica: Suape Energia e Wärtsilä

O desenvolvimento da tecnologia só foi possível porque houve alinhamento entre a visão da Wärtsilä e da Suape Energia em torno da transição energética. “Precisava existir um parceiro com os mesmos objetivos. Então aí a Suape Energia veio com ele. Foi um casamento muito bom”, afirmou Marcolino. Agora, os testes vão verificar desgaste, desempenho, consumo e confiabilidade operacional da máquina.

A discussão ganha relevância também diante da expansão acelerada dos data centers e da inteligência artificial, atividades que exigem elevado consumo energético e fornecimento contínuo de energia. A equipe do projeto afirma já existir interesse de operações off-grid (sistemas que funcionam fora da rede elétrica convencional) em utilizar térmicas movidas a combustível como alternativa de respaldo energético sustentável.

No futuro, a substituição gradual das térmicas fósseis por térmicas renováveis poderia reduzir a incidência das bandeiras tarifárias mais caras e baratear custo da energia em períodos de escassez. “Quanto mais segurança você trouxer para o sistema, na forma de reserva de capacidade, menos risco de entrar numa bandeira vermelha”, disse Adriano Marcolino.

Localizada no Complexo de Suape (PE), a Suape Energia opera a UTE Suape II. Inaugurada em 2013, a usina é considerada a maior termelétrica movida a óleo combustível do Brasil, com capacidade instalada de 381,2 MW. A companhia tem como acionistas a Savana SPE Incorporação Ltda., com 80% de participação, e a Petrobras, com os 20% restantes. A usina opera conforme despacho do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e fornece energia para 35 distribuidoras do país. A operação gera mais de 200 empregos diretos e indiretos.

José Faustino
José Faustino Cândido, diretor técnico da Suape Energia/Foto: divulgação

Análise Ceplan

A Ceplan celebra seus 30 anos nesta quinta-feira (28) com mais uma edição do Análise Ceplan, na Torre 5 do RioMar Trade Center, a partir das 14h. O evento, realizado em parceria com o portal Movimento Econômico, vai discutir como a abundância de energia renovável no Nordeste pode atrair indústrias, data centers e novos investimentos produtivos. O encontro também abordará os desafios para transformar essa vantagem competitiva em desenvolvimento econômico sustentável.

Nova fase

A Pizzaria Atlântico se prepara para inaugurar uma mega unidade no Shopping Tacaruna. A nova unidade será a primeira em shopping center fora do modelo Express, marcando uma nova fase na expansão do grupo.

Santander no Nordeste

O Santander escolheu Fortaleza para instalar sua nova sede regional no Nordeste. O espaço, localizado no bairro da Aldeota, concentrará as operações da instituição financeira na região.

LaVentana

A Construtora Vertical, que figura entre as 100 maiores do Brasil no ranking da Intec, lança em Caruaru a LaVentana Empreendimentos, novo braço voltado à habitação econômica. A empresa pretende atuar nas faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida e prevê mais de 400 unidades habitacionais no Agreste pernambucano.

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