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BYD acelera dinâmica industrial no Nordeste e terá impacto avaliado por um ano

Pesquisa contratada pela BYD e conduzida pelo Observatório da Indústria da Bahia avaliará geração de empregos, arrecadação e efeitos da montadora sobre a cadeia produtiva e outros setores
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  1. FIEB e BYD firmam parceria para estudo técnico de impactos econômicos com duração de 12 meses.
  2. Pesquisa analisará emprego, renda, impostos, fornecedores e dinamização da atividade industrial regional.
  3. BYD já emprega cerca de 5 mil pessoas na Bahia, sem contar trabalhadores de expansão.
  4. Observatório revelará à comunidade a relevância econômica da montadora para estado e municípios vizinhos.
  5. Indústria gera empregos qualificados com salários maiores que comércio, serviços e agricultura.
BYD visita Fieb
Representantes da FIEB visitaram a fábrica da BYD, em Camaçari, para dar início ao estudo – Foto: FIEB/Divulgação

O Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) firmou uma parceria com a montadora chinesa BYD para desenvolver um estudo técnico que vai mensurar os impactos econômicos da implantação da empresa no estado. A pesquisa deverá analisar indicadores ligados à geração de emprego e renda, arrecadação tributária, fortalecimento da cadeia de fornecedores, atração de investimentos e dinamização da atividade.

A iniciativa também pretende identificar os efeitos diretos, indiretos e induzidos da operação da montadora sobre diferentes segmentos da economia. Antes do início dos trabalhos, representantes do Observatório visitaram as instalações da empresa, conheceram o andamento das obras e alinharam as primeiras etapas do projeto, que terá duração de 12 meses.

Segundo o gerente do Observatório da Indústria, Ricardo Kawabe, o escopo definitivo do levantamento ainda está sendo construído em conjunto com a empresa, mas algumas frentes de análise já estão desenhadas.

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Radiografia da influência econômica

De acordo com Kawabe, estudos de impacto realizados pelo Observatório para outras empresas buscam demonstrar à sociedade e ao poder público a relevância econômica dos empreendimentos industriais, especialmente em regiões onde estão instalados.

“O estudo revela à comunidade o que aquele empreendimento representa para o estado e também para os municípios próximos à operação”, afirmou. Segundo ele, além de dados públicos, a pesquisa dependerá de informações fornecidas pela própria BYD para construir uma análise detalhada sobre os efeitos da montadora.

Entre os indicadores que deverão ser considerados estão a massa salarial gerada, a arrecadação de impostos, a participação da mão de obra local e os impactos sobre a cadeia produtiva. O levantamento também poderá acompanhar a evolução desses resultados ao longo do primeiro ano de funcionamento da fábrica.

Kawabe destacou que a indústria ainda enfrenta uma percepção negativa por parte da sociedade, frequentemente associada apenas a impactos ambientais. Para ele, é importante evidenciar também os benefícios econômicos e sociais do setor.

“A indústria gera empregos mais qualificados e com salários médios maiores do que comércio, serviços e agricultura. Quando observamos municípios com forte presença industrial, a renda média tende a ser maior”, explicou.

Empregos e renda no centro da análise

Mesmo antes do início formal da pesquisa, o gerente do Observatório avalia que os efeitos econômicos da operação da BYD já são significativos. Segundo ele, a montadora emprega atualmente cerca de 5 mil pessoas na Bahia, sem considerar os trabalhadores envolvidos na expansão da planta industrial.

Além da unidade já em funcionamento, outras etapas do projeto seguem em construção. Kawabe estima que aproximadamente 2 mil operários atuem atualmente nas obras destinadas à ampliação da capacidade produtiva da empresa.

“Só a fábrica, nesta primeira fase, já emprega cerca de 5 mil pessoas. Dificilmente uma operação desse porte não terá um impacto importante na economia local”, afirmou.

A pesquisa também deverá abordar temas que vêm sendo debatidos em torno da implantação da montadora, como a participação de profissionais estrangeiros e a inserção da mão de obra baiana no empreendimento.

“Precisamos mostrar, por meio dos números, o que é fato. Questões como emprego, geração de renda, arrecadação de impostos e utilização da mão de obra local certamente estarão presentes no estudo”, disse Kawabe.

Novo modelo industrial da BYD

O estudo também poderá ajudar a compreender as diferenças entre o modelo produtivo adotado pela BYD e o utilizado anteriormente pela Ford, que operou durante duas décadas no Polo Industrial de Camaçari.

Segundo Kawabe, a fabricante norte-americana trabalhava com um sistema baseado em fornecedores instalados dentro do complexo industrial. No auge da operação, a Ford e suas empresas parceiras chegaram a reunir cerca de 12 mil trabalhadores.

Já a BYD adota uma estratégia mais verticalizada, concentrando internamente uma parcela maior da produção de componentes e reduzindo a dependência de sistemistas instalados no entorno da fábrica.

“A Ford tinha uma estrutura diferente, com diversos fornecedores compartilhando a mesma planta. A BYD é muito verticalizada e fabrica praticamente tudo”, explicou.

Subsídios para políticas públicas

Além de dimensionar os efeitos da montadora sobre a economia baiana, a expectativa é que o estudo sirva como ferramenta para orientar decisões de gestores públicos e investidores interessados no desenvolvimento industrial do estado.

De acordo com Kawabe, uma das funções do levantamento é demonstrar a importância econômica de empreendimentos desse porte para municípios e governos estaduais, especialmente em aspectos relacionados à geração de riqueza e arrecadação tributária.

Embora ainda esteja em fase inicial, a parceria entre o Observatório da Indústria e a BYD representa mais um passo na tentativa de compreender como grandes investimentos industriais podem transformar economias regionais e redefinir o perfil produtivo da Bahia nos próximos anos.

Leia também: BYD pode usar Suape para aliviar pressão em Salvador

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