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João Campos: “Tenho coragem de assumir a Transnordestina”

Pré-candidato ao governo de Pernambuco e presidente nacional do PSB, João Campos, concedeu uma entrevista à Rádio Folha
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~10:26
  1. Transnordestina será pauta prioritária na pré-candidatura de João Campos ao governo de Pernambuco.
  2. João Campos propõe maior protagonismo estatal e remodelação do projeto ferroviário com participação privada.
  3. Ex-prefeito critica falta de protagonismo do estado e promete assumir construção se eleito governador.
  4. João Campos defende combate à criminalidade por técnica e inteligência, sem ideologia política.
  5. Pernambuco reduziu apenas 9% dos homicídios enquanto Brasil alcançou redução de 22,5% em três anos.
João Campos foi entrevistado na Rádio Folha FM 96,7 e abordou, entre outros temas, a retomada das obras da Transnordestina edm Pernambuco. Foto: Matheus Ribeiro/Folha de Pernambuco
João Campos foi entrevistado na Rádio Folha FM 96,7 e abordou, entre outros temas, a retomada das obras da Transnordestina edm Pernambuco. Foto: Matheus Ribeiro/Folha de Pernambuco
Por Anthony Santana, da Folha de Pernambuco

A ferrovia Transnordestina está entre as pautas prioritárias da pré-candidatura do presidente nacional do PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos, ao governo de Pernambuco. Além de alterações na concepção do projeto, o líder socialista propõe um maior protagonismo do estado na articulação política com o governo federal para garantir aportes de recursos e atração de investimentos privados.

O socialista participou do programa Folha Política, na Rádio Folha FM 96,7, e se posicionou sobre assuntos do estado e temas discutidos nacionalmente. Em relação à Transnordestina, o ex-prefeito criticou a falta de protagonismo do estado e afirmou que, caso seja eleito governador, poderá assumir a construção da ferrovia.

“A Transnordestina vai ser uma pauta importante. O estado vai passar a ter o protagonismo que não tem hoje. Se for preciso, como governador, tenho coragem de assumir a Transnordestina. O governo federal está disposto a colocar R$ 4 bilhões no metrô, como não colocar R$ 4 bilhões ou R$ 5 bilhões na Transnordestina? O que precisa é rever a modelagem”, declarou.

João Campos lembrou a retirada do trecho pernambucano do traçado da ferrovia no fim de 2022 e atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a retomada da obra no estado. O socialista enfatizou, no entanto, a necessidade de remodelar o projeto para incluir a iniciativa privada e a possibilidade de realizar concessões.

“É preciso remodelar e garantir já uma concessão junto à iniciativa privada, seja para conclusão das obras ou para gestão. E Pernambuco precisa participar disso. Dá para fazer. O que não dá é ver o Ceará avançar e Pernambuco não ter o mesmo ritmo, e haver um conformismo em torno disso”, disparou.

Na visita que fez à Folha, o ex-prefeito João Campos foi recebido pelo fundador do jornal, Eduardo de Queiroz Monteiro. Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco
Na visita que fez à Folha, o ex-prefeito João Campos foi recebido pelo fundador do jornal, Eduardo de Queiroz Monteiro. Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco

Segurança

Durante a visita à redação da Folha de Pernambuco, onde foi recebido pelo presidente do Grupo EQM e fundador do jornal, Eduardo de Queiroz Monteiro e diretoria, o ex-prefeito criticou a chegada de facções criminosas no estado e a ausência de uma estratégia de combate à atuação dos grupos por parte do governo estadual. Campos afirmou que não se deve tratar a pauta sob o ponto de vista ideológico.

“Eu não acredito em cartilha ideológica de direita ou de esquerda para resolver segurança pública. Você tem que seguir a técnica, ouvir a academia, usar inteligência, repressão qualificada e presença do Estado.”

Campos comparou os números de redução da criminalidade do estado com os nacionais e lembrou os índices do programa Pacto pela Vida, criado pelo pai, o ex-governador Eduardo Campos.

“Os indicadores são ruins. O Brasil reduziu 22,5% dos homicídios nos últimos três anos. Pernambuco reduziu 9%. Se a gente tivesse ficado na inércia do Brasil, seria melhor do que o resultado obtido. Quando você olha o Pacto Pela Vida nos sete primeiros anos, teve 39% de redução num momento em que o Brasil crescia em homicídio. O enfrentamento dessa pauta como prioridade do estado é urgente”, avaliou.

Saúde

No âmbito da saúde, João Campos condenou a redução de leitos no estado e questionou a falta de construção de hospitais e unidades de emergência na atual gestão.

“A situação da saúde é crítica hoje porque fecharam mais de 900 leitos de internação e 440 leitos absolutos. Se você tira 440 leitos de uma rede, vai faltar vaga. Reduziu-se R$ 1,5 bilhão em investimento na saúde. A consequência é superlotação, falta de exame, cirurgia, insumo. Você freia um navio, ele demora a parar, mas depois pra empurrar de novo é muito mais difícil”, expôs.

Plano governo de João Campos

O pré-candidato revelou que o processo de elaboração do plano de governo já está em curso e que uma nova etapa de escuta popular será realizada para colher demandas e sugestões da população. “A gente já está num passo bem avançado na construção do plano. Já teve início com diversos grupos temáticos setorizados. E a gente vai lançar uma nova etapa de escuta popular relativa ao plano. Então, já têm muitas ideias concebidas e construídas, ideias que estão sendo testadas do ponto de vista técnico de equilíbrio de funcionamento e eu tenho certeza que a gente vai ter um plano não só de cuidar das emergências de hoje em Pernambuco, mas a gente vai falar do que Pernambuco quer para os próximos 50 anos“, explicou.

Comparação

O pré-candidato ao governo de Pernambuco também criticou o ritmo de entregas da atual gestão e disse estar pronto para comparar o que fez como prefeito do Recife com a atuação da governadora Raquel Lyra (PSD) à frente do governo estadual. A dois meses para a campanha eleitoral, o ex-prefeito indicou que deve mesclar a estratégia de comparar as gestões e, ao mesmo tempo, “falar de futuro”.

“A gente está pronto para comparar o que fiz, inclusive como prefeito, e o que foi feito por ela (Raquel Lyra) enquanto governadora ou enquanto prefeita também de Caruaru, para quem quiser comparar com alguma coisa correlata. Principalmente, estou pronto para falar do futuro. Tenho certeza que o eleitor não está querendo ter terceirização de culpa ou de responsabilidades, quer resultado. É melhor eleger alguém que faz em vez de ficar justificando não ter feito”, provocou.

O ex-prefeito do Recife declarou ainda que o estado estava em boas condições financeiras quando Raquel assumiu o governo. “Se estivesse realmente quebrado, ela não conseguiria o aval de operação de crédito. Vamos ver os balanços recentes e compará-los com os dos anos anteriores. Se você tiver o nome sujo, consegue pegar dinheiro emprestado? Não”, considerou.

Ritmo

João Campos questionou a quantidade de escolas e creches entregues pelo governo estadual nos últimos três anos. Citando a promessa de entregar 250 creches feita pela governadora Raquel Lyra nas eleições de 2022, ele destacou que apenas três foram entregues e afirmou que está disposto a entregar as unidades que faltam. “Isso é uma marca que deveria dar muita vergonha: prometer 250 creches e inaugurar três. Se for fazer uma por ano, dá 250 anos inaugurando. Tem uma dificuldade de ritmo, e um governante não é eleito para dizer por que não conseguiu fazer, porque foi difícil, porque a política atrapalha, porque o órgão de controle atrapalha, porque o tempo atrapalha. Se está difícil de fazer, tem gente que sabe fazer. Inclusive estou pronto para terminar essas obras que eles não conseguem fazer, entregar a creche, poder fazer obra de adutora, fazer estrada”, prometeu.

Acusações

Ao ser questionado sobre a circulação de vídeos em canais de oposição que o acusam de ofender às pessoas católicas, Campos afirmou confiar no senso crítico das pessoas e na relação que tem com a igreja.

“O grande problema hoje é a pós-verdade. Você pega uma coisa isolada e transforma numa história mal contada. A distorção acontece de toda forma. Às vezes alguém fala uma coisa pra você, corta ali, deixa sem resposta. Ou você fala algo que pode ser desvirtuado do contexto. Isso é muito da lógica de corte de rede social. Mas acredito que, de maneira geral, as pessoas têm senso crítico e percebem quando aquilo é feito com intenção desvirtuada. No meu caso, sabem da relação que eu tenho com a igreja, que eu sou cristão católico. Sabem que eu não faria uma ofensa à igreja nem a nenhuma outra religião. É um tempo de muita maldade”, cravou.

Dark Horse

O líder socialista não se furtou de avaliar o impacto das mensagens entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, acusado de corrupção. João Campos considerou a tentativa de Flávio de associar o caso do Banco Master ao presidente Lula (PT) como oportunismo e afirmou que o impacto das notícias deve ser devastador para a candidatura do pré-candidato ao Palácio do Planalto.

“Isso gera um impacto muito grande. Ele foi oportunista, pois sair falando ‘o pix é de Bolsonaro e o Master é de Lula’ e, logo em seguida, todos vermos a relação dele com a história… as pessoas enxergam isso”, comentou, alfinetando ainda o posicionamento de Flávio Bolsonaro e sua equipe de campanha em relação ao caso.

“Numa eleição como essa você trabalha muito nos acertos e nos erros. E erros de adversário custam muito. O que aconteceu é muito grave e colocou o candidato a se explicar, mudar versões, trocar equipe de comunicação. Isso fragiliza a candidatura de Flávio Bolsonaro. Tanto é que você vê que o partido sentiu, o candidato sentiu, o entorno sentiu”, frisou.

Lula

Apesar do crescimento das intenções de voto em Flávio Bolsonaro antes do Caso Dark Horse, Campos afirmou que o presidente Lula (PT) deverá ser reeleito e que ele deve se beneficiar pelo “erro” do opositor.

“Sempre enxerguei uma eleição muito disputada, muito emparelhada, mas sempre vi o presidente Lula vitorioso. Agora, claro que numa eleição como essa você trabalha muito nos acertos e nos erros. E erros de adversário custam muito”, frisou.

Relação

Questionado sobre como iria se portar caso fosse eleito governador de Pernambuco e o presidente eleito fosse de direita, o ex-gestor lembrou a relação com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou ser possível fazer o mesmo. “Eu fui prefeito do Recife tendo Bolsonaro como presidente. Nunca fui recebido por ele, mas consegui fazer a maior operação de crédito da história do Banco Interamericano de Desenvolvimento para uma cidade brasileira. Foi construída tecnicamente dentro do governo Bolsonaro. Passei um ano e três meses trabalhando com a equipe técnica do Tesouro Nacional. Conseguimos junto com o Rio de Janeiro aderir a um plano nacional e acessar crédito extraordinário por causa das chuvas de 2022. Isso mostra que é possível fazer uma relação institucional séria, independentemente de quem esteja governando”, concluiu.

Leia mais: Governo de PE prevê retomada da Transnordestina nesta semana

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