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Ainda em obras, data centers já movimentam R$ 190 mi com empresas cearenses

Durante o painel "Data Centers na Região Nordeste", realizado na Intersolar Brasil Nordeste, em Fortaleza, lideranças do setor público e privado debateram os números e as perspectivas de um mercado em aceleração
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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~5:37
  1. Ceará concentra um terço dos 30 projetos de data centers do Nordeste com R$ 200 bilhões previstos até 2033
  2. Omnia já investiu R$ 190 milhões em três meses com 90% dos contratos firmados por empresas cearenses locais
  3. Estado possui 16 cabos submarinos, baixa latência e 643 GW de potencial solar para infraestrutura digital
  4. ByteDance, Mega Lobster e Angola Cables são principais empreendimentos de data centers em desenvolvimento no Ceará atualmente
  5. Setor gera emprego e renda para empresas locais enquanto mantém compromisso com sustentabilidade ambiental e energia renovável
Fábio Feijó, secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, anunciou R$ 200 bilhões em investimentos aprovados para data centers no estado até 2033 - Foto: Nicolas Leiva/Divulgação
Fábio Feijó, secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, destacou os R$ 200 bilhões em investimentos aprovados para data centers no estado até 2033. Foto: Nicolas Leiva/Divulgação

O Ceará tem se empenhado em consolidar-se como o principal destino da nova fronteira da economia digital brasileira. Com aproximadamente 8,3 GW de capacidade prevista em 30 projetos de data centers em desenvolvimento no Nordeste, cerca de um terço concentrado no estado, e R$ 200 bilhões em investimentos já aprovados para o setor até 2033, o tema dominou o painel “Data Centers na Região Nordeste”, realizado durante a Intersolar Brasil Nordeste, em Fortaleza. Só nos três primeiros meses de implantação da Omnia, mais de R$ 190 milhões foram aportados, com 90% dos contratos firmados com empresas cearenses.

O Ceará conta com 16 cabos submarinos, além de um novo em implantação, baixa latência e elevado potencial energético. O secretário detalhou ainda que o estado soma 643 GW de potencial solar, 94 GW eólico onshore, 117 GW offshore e 137 GW híbrido, base estratégica para sustentar grandes infraestruturas digitais com energia limpa.

Entre os empreendimentos de data centers em curso no Ceará, destacam-se o projeto da ByteDance no Porto do Complexo do Pecém, atualmente em obras, com desenvolvimento conduzido por parceiros como a Omnia; o data center Mega Lobster, da Tecto Data Centers, em Fortaleza, que já está em operação desde 2025, mas segue em expansão com novas fases em obra; além de outros projetos na ZPE do Pecém, também sob responsabilidade de empresas como a própria Omnia, que se encontram em fase de implantação. Esse conjunto inclui ainda iniciativas anunciadas, como o data center da Angola Cables, que está em fase de projeto/planejamento no estado.

“Hoje a estratégia de data center já é uma realidade”, afirmou Fábio Feijó, secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará. “Para você ter uma ideia, só nos primeiros três meses, mais de 190 milhões foram investidos aqui no Ceará e 90% foram contratados de empresas cearenses. Ou seja, efetivamente, esse investimento só na construção está gerando riqueza, está gerando renda, está gerando emprego para as empresas aqui do Ceará.”

Painel "Data Centers na Região Nordeste", realizado durante a Intersolar Brasil Nordeste, em Fortaleza, debateu os impactos econômicos e energéticos da expansão digital no Ceará - Foto: Nicolas Leiva/Divulgação
A Intersolar Brasil Nordeste, em Fortaleza, reuniu lideranças do setor energético e digital para debater o futuro da energia renovável e dos data centers no Brasil. Foto: Nicolas Leiva/Divulgação

O secretário também destacou o compromisso ambiental como condição para receber os investimentos. “O Ceará se coloca para o mundo como um das poucas localidades que você pode proporcionar um crescimento econômico associado a desenvolvimento econômico e com sustentabilidade”, disse. “O data center que a gente atraiu é um dos com menor consumo de água, por causa da tecnologia de ponta, e mais sustentável do mundo.”

A combinação entre potencial energético e infraestrutura de conectividade também foi central no debate. O Ceará responde hoje por mais da metade da geração solar do Brasil e possui um dos maiores hubs de cabos submarinos do planeta, fatores que vêm atraindo investimentos de grande porte em infraestrutura digital e tornando Fortaleza um nó estratégico nas rotas de dados entre a América do Norte e a Europa.

“O Ceará é protagonista na transição energética”, destacou Denise Marson, coordenadora do Intersolar Brasil Nordeste. “Além disso, o Estado tem ampla infraestrutura portuária e industrial como o Complexo do Pecém, e uma posição geográfica que favorece as rotas para a América do Norte e Europa. Fortaleza também é um dos maiores hubs de cabos submarinos do mundo e essa alta conectividade atraiu o investimento para a construção de data centers de grande porte, o que vai impactar a demanda por energia.”

O Complexo do Pecém, a malha de cabos submarinos e a liderança em energia solar colocam o Ceará no centro da nova geografia digital do Brasil - Foto: IA
O Complexo do Pecém, a malha de cabos submarinos e a liderança em energia solar colocam o Ceará no centro da nova geografia digital do Brasil – Foto: IA

Marson também sinalizou as tendências tecnológicas que moldarão o setor. “Os especialistas do setor defendem que o futuro da energia no Brasil será híbrido, ou seja, combinando duas ou mais fontes renováveis. Nesse contexto, entram inversores híbridos, sistemas de armazenamento de energia e também o hidrogênio verde, além da geração solar e eólica”, explicou.

Ambiente favorável entre os setores

O debate foi moderado por Joaquim Rolim, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), que abriu o painel apontando a velocidade da expansão global do setor e o espaço crescente ocupado pelo Nordeste nesse cenário. Na avaliação de Rolim, a força do Ceará vai além dos recursos naturais: está na articulação entre atores estratégicos. “Existe um ambiente favorável, com integração entre setor produtivo, governo e academia, além de um engajamento importante do poder legislativo”, afirmou. 

A visão foi compartilhada pelo setor privado. Tito Costa, diretor da Tecto Data Centers, enfatizou as vantagens operacionais da região para atrair operações cada vez mais intensivas, incluindo as ligadas à inteligência artificial. “Estamos falando de uma localização geográfica estratégica, que reduz a latência nas conexões internacionais, especialmente com os Estados Unidos, aliada a uma infraestrutura robusta de cabos submarinos e a um cenário energético altamente competitivo, com forte presença de fontes renováveis”, disse Costa. “Esse conjunto cria uma base sólida para atrair operações cada vez mais críticas e intensivas, inclusive ligadas à inteligência artificial.”

Rodrigo Abreu, CEO da Omnia Data Centers, encerrou o painel ressaltando o papel da parceria público-privada como diferencial competitivo do estado no cenário global. “A colaboração consistente entre setor público e iniciativa privada está criando as bases para a formação de um dos mais importantes polos globais de data centers, consolidando o Ceará como referência em infraestrutura digital sustentável”, concluiu.

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