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Guerra já afeta a economia brasileira e pode se espalhar além dos combustíveis

Com o prolongamento da guerra, a inflação doméstica fica cada vez mais pressionada
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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~3:57
  1. Banco do Nordeste identifica conflitos geopolíticos como risco para economia brasileira em 2026
  2. Inflação doméstica pressiona com elevação de preços do petróleo e derivados afetando transportes
  3. IPCA-15 de abril registra aceleração forte no grupo Transportes com gasolina e diesel caros
  4. Prolongamento da guerra pode interromper desinflação e limitar redução de taxa de juros brasileira
  5. Mercado precifica incerteza sobre petróleo com cessar-fogo temporário sem resolução definitiva do conflito
Guerra em Israel ameaça exportações do setor industrial e agrícola do Nordeste
Evolução da guerra pode gerar consequências para além doo impacto nos combustíveis/Foto:

O estudo “Economia brasileira e regional: retomada ameaçada”, elaborado pelo Banco do Nordeste traz um recorte sobre os conflitos geopolíticos — em especial a que envolve Estados Unidos, Irã e Israel — como um dos principais fatores de risco para o cenário econômico brasileiro projetado para 2026. Divulgado esta semana, o documento assinado pelo economista-chefe Rogério Sobreira, deixa claro que o ambiente externo adverso tem potencial de influenciar diretamente o desempenho do Brasil e, por consequência, da economia nordestina.

Com o prolongamento do conflito no cenário internacional, a inflação doméstica fica cada vez mais pressionada, sobretudo por meio da elevação dos preços do petróleo e seus derivados.

Os primeiros sinais desse movimento já aparecem nos indicadores recentes de preços. O IPCA-15 divulgado em 28 de abril mostrou forte aceleração no grupo Transportes, cuja variação passou de 0,21% para 1,34%, refletindo principalmente o aumento nos preços da gasolina e do óleo diesel — comportamento consistente com o ambiente externo mais pressionado no mercado de petróleo.

Com os efeitos do conflito começando a serem transmitidos para a economia brasileira, o temor é que os danos avancem sobre outras cadeias produtivas além dos combustíveis, caso a guerra persista. Se isso ocorrer, entende Rogério Sobreira, o atual processo de desinflação pode ser interrompido, com repercussões diretas sobre a política de juros e, consequentemente, sobre o ritmo de recuperação da atividade econômica.

Caso os choques externos elevem ainda mais a inflação, o espaço para redução da taxa de juros diminui, prolongando esse ambiente restritivo. O economista alerta que isso impacta diretamente o crédito, que, apesar de crescer, já dá sinais de desaceleração. Entre janeiro de 2024 e março de 2026, o saldo de crédito no Brasil avançou 25,3%, enquanto no Nordeste o crescimento foi mais intenso, de 30,1% . Em um cenário global adverso, esse ritmo tende a perder força.

Guerra afeta mercado à vista

Uma forma de medir as expectativas do mercado em relação a esse cenário é a comparação entre os preços do petróleo no mercado à vista (LCO) e os contratos futuros com vencimento em dezembro de 2026 (BRNZ26). Em termos simples, essa diferença indica se os agentes esperam alta, estabilidade ou queda dos preços ao longo do tempo.

Considerando o comportamento dos preços desde o início do conflito, a leitura inicial era de que o mercado não precificaria uma guerra longa, sugerindo uma acomodação a partir de meados do ano. No entanto, essa percepção perde força quando se observa a evolução das cotações após o cessar-fogo anunciado em 7 de abril – acordo temporário que sinalizou uma possível contenção das tensões, mas sem resolução definitiva do conflitoacordo temporário que sinalizou uma possível contenção das tensões, mas sem resolução definitiva do conflito —, indicando maior incerteza sobre a duração e intensidade do conflito.

Apesar desse ambiente de instabilidade, há fatores que funcionam como freio a uma escalada mais intensa. O estudo destaca que um agravamento significativo da guerra — com uso de armamentos mais potentes e envio de tropas — encontra forte desincentivo por parte dos Estados Unidos. A referência histórica são os choques do petróleo da década de 1970, que resultaram em forte aceleração da inflação, elevação dos juros e recessão na economia americana. Embora o contexto atual seja distinto, uma escalada semelhante poderia provocar efeitos macroeconômicos comparáveis, o que aumenta a cautela das principais economias globais, especialmente em um ano eleitoral nos Estados Unidos.

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