- Publicidade -

Guerra no Oriente Médio já afeta mais de 80% das empresas da Alemanha, aponta pesquisa

Economias como da Alemanhã funcionam como um termômetro — antecipando pressões que tendem a se espalhar para outros mercados
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
- Publicidade -
economia alemã
Berlim, capital alemã/Foto: Movimento Econômico

Uma pesquisa divulgada pela Câmara de Comércio da Alemanha (DIHK) pode indicar como a guerra no Oriente Médio vem afetando as diversas nações, principalmente na Europa, embora o levantamento tenha se restringido à economia alemã. Economias altamente integradas, como a alemã, acabam funcionando como um termômetro — antecipando pressões que tendem a se espalhar para outros mercados.

O levantamento da DIHK, realizado em abril de 2026, mostra que 83,06% das empresas relatam efeitos negativos sobre seus negócios, enquanto 16,93% afirmam não sentir impactos até o momento.

Os efeitos são amplos e atingem principalmente os custos operacionais e a dinâmica das cadeias de suprimento. Entre os principais impactos citados estão o aumento dos custos de transporte (73%), a elevação dos preços de energia (71%) e o encarecimento de matérias-primas e insumos (58%). A pesquisa também aponta queda na demanda ou nos pedidos (46%) e gargalos logísticos e atrasos (36%).

A intensidade dos efeitos varia entre os setores. Indústria e transporte aparecem como os mais pressionados, com indicadores ainda mais elevados. Nesses segmentos, o aumento de custos chega a 87% das empresas, enquanto a redução da demanda alcança até 60% dos respondentes, evidenciando maior exposição às tensões geopolíticas.

Mitigando riscos na Alemanha

Diante desse cenário, as empresas vêm adotando uma série de medidas para mitigar riscos. A principal resposta é o ajuste de preços (50%), seguido pelo reforço da gestão de risco e monitoramento (43%) e pelo adiamento de projetos ou investimentos (37%). Também aparecem estratégias como aumento de estoques (22%) e reorganização das cadeias de suprimentos (20%).

A pesquisa detalha ainda movimentos específicos por setor. Entre empresas industriais, 28% indicam ajustes nas cadeias de suprimento e 33% ampliam estoques como forma de reduzir vulnerabilidades. Já 10% das empresas relatam restrições diretas na produção ou no fornecimento, sinalizando impactos mais severos sobre a atividade econômica.

Mesmo com a adoção dessas medidas, parte das empresas ainda não reagiu. Segundo o levantamento, 13% dos respondentes não implementaram nenhuma ação até o momento, o que indica que os efeitos do conflito ainda estão em processo de avaliação por uma parcela do setor produtivo.

Os dados fazem parte do “DIHK Flash Survey on the Middle East Crisis”, realizado em abril de 2026, e reforçam como conflitos geopolíticos vêm se traduzindo rapidamente em pressões sobre custos, demanda e decisões de investimento na economia real.

Efeito pode ser replicado

Pela posição da Alemanha nas cadeias globais — uma das principais economias industriais e exportadoras do mundo —, os efeitos captados tendem a se replicar, em maior ou menor grau, no restante da Europa e em outras regiões segundo analise da DIHK.

O impacto econômico direto da guerra está pressionando custos, reorganizando cadeias produtivas e afetando decisões de investimento. Energia, logística e insumos industriais aparecem como os principais canais de transmissão desse impacto, elementos que são comuns a praticamente todas as economias integradas ao comércio global.

O aumento de custos de insumos (58%) combinado com ajustes de preços (50%) aponta para um efeito inflacionário. Na Europa, isso pode significar mais dificuldade para controle da inflação.

Nesse contexto, o adiamento de investimentos e o aumento de preços indicam que o efeito do conflito não se limita ao curto prazo. Há um potencial de desaceleração mais estrutural, especialmente em países com forte base industrial, que dependem de previsibilidade para operar e expandir. Ao mesmo tempo, a adoção crescente de estratégias de gestão de risco sinaliza uma mudança no comportamento das empresas, que passam a incorporar a instabilidade geopolítica como parte permanente do ambiente de negócios.

Leia também:

Alemanha reforça estratégia para atrair investimentos e mira empresas inovadoras

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -