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Cassino Americano: Rio Ave conclui aquisição de área nobre em Boa Viagem

A conclusão da compra teve respaldo de autorizações judiciais vinculadas a processos do Grupo João Santos. Cassino Americano será restaurado

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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~3:38
  1. Rio Ave conclui aquisição de área do Cassino Americano com registro em cartório de imóveis.
  2. Incorporadora planeja empreendimento em terreno valorizado da Avenida Boa Viagem em Recife.
  3. Projeto inclui restauro e preservação do prédio histórico do Cassino Americano para futuro uso.
  4. Disputa judicial entre Rio Ave e Moura Dubeux sobre direitos de aquisição foi resolvida.
  5. Tribunal de Justiça validou proposta de R$ 171 milhões da Rio Ave em detrimento da concorrente.
Cassino americano
Cassino Americano: área no centro da disputa entre incorporadoras/Foto: Google Maps

Uma das disputas judiciais mais acirradas entre incorporadoras em Pernambuco teve mais um capitulo nesta quinta-feira (18). A Rio Ave informou que concluiu, nesta quinta-feira (18), a aquisição de toda a área do Cassino Americano, com o devido registro no cartório de imóveis. A conclusão da compra ocorreu com o respaldo de autorizações judiciais vinculadas a processos do Grupo João Santos, “além da análise criteriosa e competente da registradora de imóveis”.

De acordo com a construtora, a aquisição permitirá, em breve, a incorporação de um empreendimento localizado em um dos terrenos mais valorizados da Avenida Boa Viagem. A aquisição consolida “a posição da Rio Ave como uma das maiores e mais inovadoras incorporadoras do Nordeste, sempre prezando pela qualidade, compromisso com o meio ambiente e avanço da melhora arquitetônica e urbanística de seus projetos e da cidade”, diz o comunicado.

O projeto também prevê o restauro e a entrega do prédio histórico do Cassino Americano, devidamente recuperado. “Ganha toda a cidade do Recife, que receberá um empreendimento de excelência, capaz de valorizar ainda mais a Avenida Boa Viagem, preservar seu patrimônio histórico e contribuir para o desenvolvimento urbano da cidade.”

Disputa pela área do Cassino Americano

A transação ocorre após uma disputa entre a Rio Ave e a Moura Dubeux, outra incorporadora com atuação expressiva no mercado nordestino, que também manifestou interesse na área em momentos anteriores. A disputa incluiu impugnações e recursos judiciais sobre direitos de aquisição e registros possivelmente relacionados a atos societários e execuções de crédito no âmbito da recuperação judicial do Grupo João Santos.

O terreno do antigo Cassino Americano, que funcionou nos anos de 1940, na Avenida Boa Viagem, é uma das mais cobiçadas áreas da orla do Recife, com potencial de desenvolvimento imobiliário estimado em mais de R$ 1,6 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV), o que acirrou o interesse pelo ativo. O terreno pertencia aos herdeiros (70%) do Grupo João Santos e à empresa Itapessoca, integrante do grupo (30%).

A Rio Ave apresentou uma proposta validada pela Justiça no valor de R$ 171 milhões em dinheiro, além da entrega de 10.605 m² em unidades futuras. Posteriormente, a Moura Dubeux fez uma oferta avaliada em R$ 185 milhões, acrescida da mesma metragem em permuta, e chegou a firmar acordo com parte dos herdeiros. A disputa levou o caso ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), depois de a Moura Dubeux conseguir uma liminar que suspendeu temporariamente o negócio.

Em março de 2026, porém, a 6ª Câmara Cível do TJPE validou a venda direta à Rio Ave Holding, revertendo a decisão anterior. O entendimento judicial priorizou a proposta da Rio Ave como forma de destravar o processo envolvendo o Grupo João Santos, que está em recuperação judicial, e permitir a adesão da empresa ao Programa Especial de Recuperação de Créditos Tributários e Não Tributários do Estado de Pernambuco (PERC/PE)-, criado para permitir que pessoas físicas e jurídicas regularizem débitos com o Estado com condições vantajosas de pagamento e redução de encargos. A medida foi considerada essencial para amortizar dívidas e evitar o agravamento do passivo tributário, que poderia saltar de R$ 96 milhões para cerca de R$ 421 milhões.

Procurada, a Moura Dubeux preferiu não se pronunciar.

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