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Porto de Natal é habilitado para exportar gado vivo e mira R$ 1 bilhão ao ano

Embarque-teste de 3.300 cabeças para o Líbano está previsto para os dias 24 e 25 de junho. Operação seria a primeira de animais vivos por um porto nordestino
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  1. MAPA habilita Porto de Natal para exportar gado vivo
  2. Porto de Natal é o primeiro do Nordeste habilitado
  3. Exportação pode alcançar R$ 1 bilhão ao ano
  4. Porto reduz tempo de viagem em até 14 dias
  5. Estado tem duas Estações de Pré-Embarque credenciadas
Porto de Natal é habilitado para exportar gado vivo e mira R$ 1 bilhão ao ano
Embarque de animais vivos por um porto nordestino tem potencial de redistribuir parte do fluxo logístico hoje concentrado no Norte e no Sul do país. Foto: Portos e Navios/Reprodução

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) habilitou o Porto de Natal para a exportação de animais vivos, tornando o Rio Grande do Norte o primeiro estado nordestino com um porto apto a operar nesse segmento. A habilitação foi concluída em 17 de junho após vistorias do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), que atestou o cumprimento integral das exigências sanitárias, operacionais e estruturais. A expectativa é que a primeira operação ocorra nos próximos dias, em caráter de teste, com o embarque de aproximadamente 3.300 animais destinados ao Líbano.

A autorização cobre operações de embarque e desembarque de bovinos, ovinos, equinos e suínos. A exportação de aves, ovos e animais de companhia não foi incluída. Para cargas refrigeradas e congeladas, a habilitação é exclusiva para produtos de origem vegetal. A habilitação não tem prazo determinado.

O estado dispõe de duas Estações de Pré-Embarque (EPE) credenciadas junto ao MAPA, onde os animais cumprem quarentena antes do embarque. Uma fica no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (DIBA), em Alto do Rodrigues, aprovada pelo ministério em agosto de 2025. A outra está em São Gonçalo do Amarante, a cerca de 50 quilômetros de Natal, de onde sairão os animais para o embarque-teste. Cada unidade recebeu investimento privado de cerca de R$ 3,4 milhões para adequação às exigências regulatórias.

Porto de Natal. Foto: Sandro Menezes/Governo RN
Por estar mais próximo dos principais mercados compradores, que concentram países do Oriente Médio e do Norte da África, o Porto de Natal reduz em até 14 dias o tempo de viagem. Porto de Natal. Foto: Sandro Menezes/Governo RN

Vantagem geográfica do Porto de Natal

A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), que administra o terminal, confirmou que atendeu integralmente às exigências do Vigiagro. A empresa informou que a definição da data de início das operações regulares é responsabilidade dos exportadores. O documento de habilitação afirma que “as edificações, instalações, equipamentos de informática, mobiliário e materiais disponibilizados ao Vigiagro fornecem condições adequadas à execução dos controles e da fiscalização do MAPA”.

A vantagem geográfica do porto é citada pelo setor como diferencial competitivo. Por estar mais próximo dos principais mercados compradores, que concentram países do Oriente Médio e do Norte da África, o Porto de Natal reduz em até 14 dias o tempo de viagem em relação aos portos do Sul e do Norte do Brasil, com impacto direto nos custos de combustível e alimentação dos animais a bordo.

Projeção econômica

O secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Sape-RN), Guilherme Saldanha, afirmou ao jornal Tribuna do Norte que a expectativa é de que as exportações regulares sejam liberadas pelo MAPA após o primeiro embarque. “Este é um negócio que gira em torno de R$ 9 bilhões no país, e nós temos a intenção de abocanhar um pedaço desse mercado, com a expectativa de atingir 10% dele. Isso significa que teremos algo em torno de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão na economia potiguar por ano”, disse Saldanha ao veículo.

O secretário adjunto da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), Hugo Fonseca, afirmou em nota divulgada pelo governo do estado que a habilitação representa mais do que uma autorização operacional. “Estamos falando de um processo que exige elevados padrões sanitários, logísticos e de fiscalização. A aprovação demonstra que o Rio Grande do Norte reúne condições para competir em um mercado altamente exigente. É um passo importante para ampliar investimentos, gerar empregos e consolidar o Estado no mapa estratégico do agronegócio brasileiro”, disse.

Na mesma nota, Fonseca destacou o impacto sobre o Nordeste como região. “Essa habilitação coloca o Estado em uma posição estratégica dentro da rota internacional do agronegócio e reforça o potencial do Nordeste como fornecedor de produtos agropecuários para mercados globais”, afirmou. Para a Sedec, a nova autorização fortalece a integração logística regional e cria condições para o aumento das exportações nordestinas, abrindo perspectivas para a atração de investimentos relacionados à cadeia de produção animal.

Contexto nacional de gado vivo exportado

O Brasil encerrou 2024 com recorde histórico de 947,8 mil bovinos vivos exportados, alta de mais de 40% em relação a 2023, e registrou nova alta de 5,53% em 2025. Os principais compradores são países do Oriente Médio e do Norte da África, que respondem por quase 80% da demanda. O Pará concentra 85% dos embarques nacionais, e a habilitação do Porto de Natal abre ao Nordeste uma rota própria nesse segmento pela primeira vez.

O Brasil é atualmente o líder mundial na exportação de bovinos vivos. A entrada do Rio Grande do Norte nesse mercado via Porto de Natal representa a primeira operação do tipo em um porto nordestino, com potencial de redistribuir parte do fluxo logístico hoje concentrado no Norte e no Sul do país.

A empresa Corte 84 encerrou as operações industriais em Macaíba para focar no segmento de exportação de gado vivo pelo RN, indicando que agentes privados já reposicionaram estratégia antes mesmo da conclusão da habilitação do porto.

*Com informações do Governo do RN

Leia mais: Com 1 milhão de abates, Nordeste exporta 51% mais carne bovina para 84 países

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