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Corrida pelas baterias mobiliza empresas de energia em Pernambuco

As empresas se preparam para concorrer aos leilões de baterias que vai trazer mais competividade as renováveis do Nordeste
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  1. Três empresas de Pernambuco disputarão leilões de armazenamento em baterias promovidos pelo Ministério em dezembro.
  2. OnCorp, com escritório em Recife, participará da concorrência visando diversificar ativos e modernizar matriz energética nacional.
  3. OnCorp implantou primeira usina híbrida brasileira em sistemas isolados, combinando energia térmica, solar e armazenamento em baterias.
  4. Baterias Moura e Kroma Energia também devem participar dos leilões de armazenamento energético previstos para próximas semanas.
  5. Armazenamento em baterias será vetor essencial para aumentar confiabilidade do sistema elétrico e segurança energética brasileira.
Projeto de Pacaraima implantado pela OnCorp em Roraima já usa energia térmica, baterias tipo BESS e geração solar fotovoltaica. Foto: OnCorp/Divulgação

Começou a corrida para participar dos leilões que vão contratar o armazenamento em baterias e pelo menos três empresas que atuam em Pernambuco devem participar do futuro certame, promovido pelo Ministério de Minas e Energia nos dias 02 e 04 de dezembro próximos. As empresas – da área de energia ou de produção de baterias – estão se associando com outras maiores e que possuem expertise, principalmente na fabricação de baterias. Com escritório em Recife, a OnCorp já anunciou a sua participação na concorrência. “A nossa intenção é reforçar a estratégia de diversificação de ativos e o nosso compromisso com a modernização da matriz energética nacional. A companhia avalia oportunidades em diferentes regiões do país, aproveitando uma importante vantagem competitiva: a disponibilidade de capacidade de conexão e escoamento de energia em ativos já existentes do grupo”, comenta o presidente da OnCorp, João Mattos.

Segundo ele, essa condição permite o desenvolvimento de projetos mais eficientes, com menor prazo de implantação, reduzida necessidade de investimentos adicionais em infraestrutura de conexão e maior competitividade econômica. A OnCorp tem experiência no uso de baterias e participou da implantação da primeira usina híbrida do Brasil em sistemas isolados, a UTX Pacaraima, localizada no extremo norte de Roraima. O projeto combinou tecnologias como geração térmica, energia solar fotovoltaica e armazenamento em baterias. A instalação deste empreendimento contribuiu para a redução do consumo de combustíveis fósseis, muito comum nos sistemas isolados da Amazônia.

“O armazenamento de energia será um dos principais vetores de transformação do setor elétrico brasileiro nos próximos anos”, disse João Mattos, acrescentando que estes sistemas de baterias vão desempenhar papel fundamental para aumentar a confiabilidade do sistema, otimizar o uso da infraestrutura de transmissão e contribuir para a segurança energética do país.

Além do Recife, a OnCorp também tem escritórios em São Paulo e Recife e atua nos segmentos de geração de energia, infraestrutura energética e soluções integradas para o setor elétrico. A companhia possui mais de 500 MW de capacidade instalada em usinas termelétricas no Brasil e na Argentina e é responsável pela implantação do Terminal de Regaseificação de Suape (TRS), em Pernambuco. A empresa também venceu projetos de geração a gás natural no último Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP).

Também devem participar do leilão outras empresas com sede em Pernambuco, como a Kroma Energia e a Baterias Moura que produz, há alguns anos, sistemas tipo BESS no Agreste de Pernambuco. Oficialmente, a Baterias Moura se pronunciou apenas em nota dizendo que acompanha “de forma permanente as discussões sobre o avanço da transição energética no Brasil e acreditamos que o fortalecimento da cadeia produtiva nacional é um fator relevante para o desenvolvimento sustentável do país, a geração de empregos qualificados e o estímulo à inovação tecnológica” e que a empresa contribui para este “debate a partir de sua experiência industrial, técnica e de pesquisa, sempre de forma alinhada às diretrizes regulatórias e institucionais do setor”.

armazenamento em baterias
O armazenamento em baterias pode diminuir os cortes de geração das usinas eólicas e solares. Foto: koiguo | Getty Images

Projetos de Minas Gerais e do NE terão diferencial no leilão das baterias

O armazenamento da energia renovável em grandes sistemas de baterias podem diminuir os cortes de geração, quando as empresas são obrigadas a produzir menos do que o previsto devido a uma determinação do Operador Nacional do Sistema (ONS). Os sistemas de baterias a serem instalados no Nordeste terão uma vantagem na concorrência, caso estejam próximos aos 129 pontos conexão citados no edital do certame, localizados no Nordeste e em Minas Gerais. Eles vão ganhar uma pontuação extra pela localização.

O uso do armazenamento em baterias nestes pontos podem diminuir os cortes de geração no Nordeste que trouxeram uma perda de receita estimada em R$ 6 bilhões às usinas de geração renovável, concentradas na região. Muitos empreendimentos de energia renovável desistiram da região por causa da incerteza provocada pelos cortes nas suas receitas.

Os leilões vão ocorrer nos dias 02 e 04 de dezembro próximos. O primeiro vai exigir que as empresas apresentem um mínimo de conteúdo nacional definido pelo governo federal. O segundo contará com a participação de todos os projetos de sistemas a baterias.

Os interessados em concorrer ao leilão devem fazer o cadastramento dos empreendimentos junto à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) até as 12h de 31 de julho de 2026. As inscrições começaram na segunda-feira (15). Nesse período, os empreendedores devem apresentar a ficha de dados do projeto e a documentação exigida pela EPE.

Para concorrer no certame, os projetos devem apresentar uma potência mínima de 30 megawatts (MW) capacidade de operação contínua por pelo menos quatro horas, eficiência mínima de 85% e tempo máximo de recarga de seis horas.

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