
Trocar a rotina das vendas pela serragem, as ferramentas e a criação artesanal parecia um caminho improvável para Eduardo Figueiredo. Mas foi justamente essa mudança que deu origem à Studio Travesso, empresa pernambucana especializada na produção de brinquedos educativos e miniaturas em madeira, criada em 2002.
Hoje, mais de duas décadas depois, o artesão comemora os resultados alcançados e participa, pelo quinto ano consecutivo, da Fenearte, considerada a maior feira de artesanato da América Latina.
No seu estande, no espaço do Sebrae na feira, Eduardo recebe os visitantes com um sorriso no rosto, a simpatia de quem adora conversar com as pessoas e o sapato de um personagem de cinema inspirado em um carro que acende os faróis.
A relação com a madeira, no entanto, começou antes mesmo da criação do negócio. Eduardo sempre cultivou o desejo de trabalhar com o material, mas atuava no setor de vendas. Após perder o emprego, decidiu investir no antigo sonho e transformar a afinidade com o artesanato em profissão.
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Foi quando construiu uma oficina na própria residência, no bairro de Casa Forte, na Zona Norte do Recife, onde concentra toda a produção. Em 2013, voltou a estudar Direito, mas acabou escolhendo definitivamente o universo dos brinquedos artesanais como principal atividade profissional.
“Não trabalho mais com o que eu me formei. Minha vida é dedicada principalmente a isso. É uma empresa familiar, formada por mim, minha esposa e minha filha, e todo ano a gente cresce um pouquinho mais para melhorar, comprar novas máquinas e procurar novos materiais”, afirma.

Brinquedos sustentáveis e feitos à mão
A Estúdio Travesso produz brinquedos educativos, carrinhos, miniaturas e peças lúdicas confeccionadas com madeira de reflorestamento e materiais reaproveitados da construção civil. Atualmente, a produção gira em torno de 400 peças por mês.
Segundo Eduardo, o reaproveitamento da matéria-prima faz parte da identidade do negócio. “Nós trabalhamos com madeira de reflorestamento e também com madeiras recicladas. Você vê uma madeira que muita gente jogaria fora, mas, quando percebe, ela virou um brinquedo”, explica.
O processo criativo é desenvolvido dentro da oficina montada em casa, onde o artesão também cria ferramentas e adapta equipamentos para atender às necessidades da produção. Em muitos casos, as peças continuam sendo montadas durante a realização da feira, para garantir que os estoques sejam repostos.
No ano passado, Eduardo levou cerca de 1.500 produtos para a Fenearte e comercializou aproximadamente 900 unidades. Em 2026, já produziu mais de 700 peças, mas mantém a oficina em funcionamento durante o evento para suprir a demanda.
Outro diferencial do trabalho é a relação com o público infantil. No estande, as crianças são incentivadas a explorar os brinquedos sem restrições.
“Eu tenho uma filosofia: a criança pode mexer em tudo. Os pais ficam preocupados, mas eu não tenho como dizer para não tocar, porque o apelo é muito grande. A satisfação de fazer esse tipo de trabalho é maior ainda”, conta.
Como a Fenearte mudou a vida do artesão
Participante do Espaço Sebrae há cinco anos, Eduardo afirma que a Fenearte representou uma verdadeira virada em sua trajetória profissional. Além de ampliar as vendas, a feira proporcionou acesso a capacitações, novas conexões e trocas de experiências com artesãos de diferentes regiões do país.
“A Fenearte se posicionou na minha vida como uma mudança radical. Quando começamos a participar de feiras, abriu-se um leque muito grande. Passei a me aprimorar nos cursos e a conhecer novas pessoas”, relata.
Além da participação anual na feira, Eduardo também expõe seus produtos aos domingos na tradicional Feira do Bom Jesus, no Bairro do Recife. Para ele, o contato com visitantes e outros artesãos é uma das partes mais valiosas da profissão.
“Eu tenho uma vontade enorme de ensinar. Não guardo nada para mim. Quando você ensina, também ganha alguma coisa. Nunca é no egoísmo. E aqui na Fenearte a gente vê muito isso. É muito legal e prazeroso”, diz.
Para Eduardo Figueiredo, a feira representa a confirmação de uma escolha feita há mais de duas décadas, de transformar a paixão pela madeira em um projeto de vida que atravessa gerações. “Está no meu sangue. Não tem como voltar atrás”, resume o artesão.
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