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Vendas de motos no Nordeste já empatam com Sudeste após recorde de emplacamentos

Região nordestina emplacou 384,4 mil motos no 1º semestre, contra 383,6 mil do Sudeste, empate técnico de 32,7%. Produção no Polo de Manaus teve o melhor resultado para o período desde 2011
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  1. Nordeste lidera vendas de motos empatando tecnicamente com Sudeste no primeiro semestre.
  2. Mudança de perfil consolida motocicleta como principal meio de deslocamento diário nordestino.
  3. Fatores climáticos e econômicos explicam crescimento do consumo de motos na região.
  4. Produção em Manaus alcança melhor resultado semestral desde 2011 com 1,06 milhão unidades.
  5. Nordeste passou de 31,1% para 32,7% de participação do mercado nacional entre 2023-2026.
Produção de motos no Brasil está concentrada na Zona Franca de Manaus e últimos resultados de vendas mostram uma mudança no perfil de consumo. Foto: Ascom/Abraciclo

Após assumir pela primeira vez a liderança nacional nas vendas de motocicletas em 2025, o Nordeste consolidou sua posição no primeiro semestre deste ano e praticamente empatou com o Sudeste no mercado brasileiro. Entre janeiro e junho, foram 384,4 mil motocicletas emplacadas na região nordestina, contra 383,6 mil no Sudeste, ambas com participação de 32,7% do mercado nacional. O resultado confirma uma mudança no perfil do consumo no país e, segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), reflete a consolidação da motocicleta como solução de mobilidade em uma região onde o veículo deixou de ser apenas instrumento de trabalho para se tornar também um dos principais meios de deslocamento diário.

Para o diretor executivo da Abraciclo, Sérgio Oliveira, a combinação entre fatores econômicos e climáticos explica esse avanço. “Esse crescimento é explicado por conta da motocicleta como solução de mobilidade, pois é muito usada no Nordeste, não só para o uso profissional, por conta das entregas, como para deslocamentos. E a questão do clima favorece muito. Você tem calor o ano inteiro e isso contribui para o uso da motocicleta”, afirma.

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Sérgio Oliveira, diretor executivo da Abraciclo: “O uso da moto no Nordeste é explicado por fatores econômicos e climáticos”. Foto: Ascom/Abraciclo

O avanço do Nordeste representa uma mudança significativa em relação aos últimos anos. Em 2023, por exemplo, o Sudeste concentrava 37,3% dos emplacamentos nacionais, enquanto o Nordeste respondia por 31,1%. Ao longo de 2025, essa diferença diminuiu até que a região nordestina assumiu, pela primeira vez, a liderança anual do mercado brasileiro. Agora, os números do primeiro semestre de 2026 consolidam essa nova configuração, com empate técnico entre as duas regiões e ligeira vantagem nordestina em volume absoluto de motocicletas licenciadas.

Fonte: Abraciclo

Depois de Nordeste e Sudeste, a Região Sul aparece na terceira posição, com 155 mil motocicletas emplacadas (13,2% do mercado), seguida pela Região Norte, com 141,3 mil unidades (12%) e pelo Centro-Oeste, com 110 mil motocicletas, participação de 9,4%.

As fabricantes de motocicletas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 1.063.397 unidades no primeiro semestre, resultado 6,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Segundo dados da Abraciclo, esse foi o melhor desempenho para os seis primeiros meses do ano desde 2011.

“O desempenho do primeiro semestre confirma o momento positivo da indústria de motocicletas. O aumento da produção acompanha a expansão da demanda no mercado interno e evidencia a eficiência das fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus em responder ao crescimento do setor”, afirma Marcos Bento, presidente da Abraciclo.

Em junho, saíram das linhas de montagem 130.875 unidades. O volume representa retração de 15,1% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 29,9% na comparação com maio.

“O resultado de junho já era esperado, devido às férias coletivas programadas pelas fabricantes no período. A pausa temporária na produção também é utilizada para manutenção das linhas e aperfeiçoamento dos processos industriais”, explica Bento.

Mulheres na produção de motos
Mulheres atuam na linha de produção de motocicletas. Foto: Ascom/Abraciclo

Categorias de motos mais vendidas

A categoria Street liderou o ranking de produção no primeiro semestre, com 543.638 unidades, o equivalente a 51,1% do volume total fabricado. Em segundo lugar ficou a Trail, com participação de 20%, seguida pela Motoneta, com 12,9%. Em junho, a Street também manteve a liderança, com 67.216 unidades, seguida pela Trail (24.787) e Motoneta (15.100).

Entre as categorias por cilindrada, as motocicletas de alta cilindrada apresentaram o maior crescimento percentual no primeiro semestre. A produção alcançou 32.285 unidades, alta de 37,2% sobre igual período de 2025, respondendo por 3% do total fabricado.

Em números absolutos, os modelos de baixa cilindrada continuam predominando, com 831.213 unidades, equivalentes a 78,2% da produção nacional. As motocicletas de média cilindrada somaram 199.899 unidades, ou 18,8% do total. Em junho, a participação permaneceu praticamente a mesma: 77,1% para baixa cilindrada, 19,3% para média e 3,6% para alta cilindrada.

Recorde histórico

Os emplacamentos de motocicletas alcançaram um novo recorde histórico no primeiro semestre. Entre janeiro e junho, foram licenciadas 1.174.344 unidades, volume 14,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Em junho, o mercado absorveu 194.249 unidades, resultado 8,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e 1,8% inferior ao de maio. Considerando os 21 dias úteis do mês, a média diária de emplacamentos foi de 9.250 motocicletas.

Exportações avançam

Entre janeiro e junho, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus exportaram 24.084 motocicletas, volume 29,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Em junho, os embarques alcançaram 4.990 unidades, crescimento de 62,8% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 19,7% na comparação com maio.

Leia mais: BYD acelera dinâmica industrial no Nordeste e terá impacto avaliado por um ano

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