
O artesão Irineu do Mestre, de Salgueiro, vendeu os 300 “bonéus” que levou para a 26ª Fenearte em menos de dois dias de feira, praticamente na abertura do evento que ocorreu na quarta-feira (8). Os bonéus feitos por ele são usados pelo cantor João Gomes nas suas apresentações e aparições públicas. Foram mais de 70 unidades que o compositor já comprou, incluindo 16 com as marcas que o artista faz propaganda. A procura por este tipo de produto “aumentou cerca de 50% depois que o músico começou a aparecer com as peças de couro que saem das mãos do mestre Irineu. Ele levou 4 mil peças para expor na feira que está ocorrendo no Centro de Convenções.
“Eu já fazia esse bonéu há mais de 30 anos. Uma vez ou outra, um cliente me pedia um. Aí a partir do momento que eu botei um na cabeça de João Gomes, ele divulgou a peça. Depois, o cantor começou a me pedir um diferente e foi divulgando. Hoje, o bonéu se aproxima de 50% da demanda”, resumiu Irineu, se referindo a todos os produtos de couro feitos pelo artesão.
O nome é “bonéu” porque mistura características de boné e chapéu com um “bico” na frente similar aos chapéus, inspirado na indumentária de couro dos vaqueiros do Sertão e se tornou um símbolo da imagem de João Gomes, que usa os “bonéus” das mais diversas cores, combinando com a sua roupa. O artesão diz que é muito grato ao cantor que se “tornou um irmão”.
Segundo Irineu, a venda dos bonéus aumentou em 50% o faturamento dos produtos de couro feitos pelo artesão, permitindo quitar dívidas e melhorar as condições da sua família.
Aos 60 anos, Irineu trabalha com o couro há 53 anos. Agricultor e criador, ele explica que o artesanato surgiu como complemento de renda. O artesão já produziu peças para artistas como os cantores Dominguinhos, Raimundo Fagner, Ximena Monteiro e o compositor Flávio Leandro. Ele também confeccionou acessórios utilizados em minisséries, seriados da televisão brasileira e novelas da TV Globo como Velho Chico, Mar do Sertão e Nobreza do Amor.
Atualmente, Irineu está preparando material para ser usado num nova novela da Globo que ele ainda não sabe o nome. Quando acabar a Fenearte e passar a Missa do Vaqueiro, o artesão vai retomar a produção dos “bonéus” na “loja e quem quiser, vai ter. Vamos produzir o máximo que puder”. Isso vai acontecer na primeira semana de agosto.

Irineu do Mestre e a Fenearte
Irineu do Mestre está expondo na Alameda dos Mestres da Fenearte e participa da feira continuamente, desde 2008. Ele recebeu o título de Mestre de Pernambuco em 2015, a convite da Fundarpe e do Governo do Estado. De acordo com o artesão, a feira ampliou o alcance do seu trabalho ao permitir contato com compradores de diversas partes do Brasil e do mundo.
“Mudou muito a minha vida depois da Fenearte, porque é a maior feira de artesanato da América Latina. Aqui, é onde eu encontro com pessoas dos quatro cantos do mundo. Hoje, nos meus cadernos de encomenda, tenho peças que foram para mais de 40 países. “A gente foi entendendo aos poucos, o que é uma feira do tamanho da Fenearte”, contou o mestre que considera a feira “o céu do artesanato de Pernambuco”.
A 26ª edição da Fenearte tem como tema “Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma”, homenageando os artesãos que transformam o couro em peças de abrigo, proteção, identidade e expressão cultural. O evento reúne mais de 5 mil artesãos e empreendedores de todo o Brasil e alguns do exterior, espalhados em 700 espaços de comercialização. Foi realizado um investimento de R$ 16 milhões para a sua realização.
“A Fenearte traduz aquilo que Pernambuco tem de mais valioso: a capacidade de transformar tradição em oportunidade. Ao fortalecer o artesanato, o Governo do Estado também fortalece a geração de renda, o empreendedorismo criativo e preserva saberes que fazem parte da nossa identidade cultural. É um investimento que movimenta a economia e projeta Pernambuco para o Brasil e o mundo”, disse a secretária de Desenvolvimento Econômico, Danielle Jar Souto. O evento só não ocorreu durante a pandemia.
A feira segue até o dia 19 de julho no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda das 14h às 22h horas de segunda-feira a quinta-feira. Nos sábados e domingos, funcionará das 10h às 22h. Da segunda a quinta-feira, os ingressos custam R$ 12 (entrada inteira) e R$ 6 (meia-entrada); de sexta-feira a domingo saem por R$ 16 (entrada inteira) e R$ 8 (meia-entrada).
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