
O Piauí disputou com a Bahia a instalação da primeira fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias do Brasil, e a decisão só foi anunciada nesta terça-feira (9), durante o lançamento da pedra fundamental no Polo Industrial de Camaçari (BA). A Windey Energy, terceira maior fabricante de equipamentos eólicos do mundo com mais de 40 GW em capacidade instalada e presença em mais de 40 regiões além da China, investirá R$ 100 milhões em cinco anos na unidade de BESS (Battery Energy Storage Systems), com capacidade produtiva prevista de 1,5 GWh por ano e início das operações no primeiro semestre de 2027. A Bahia foi escolhida como quartel-general da empresa para a América Latina, segundo o presidente da Windey Energy Brasil, Ricardo Galvão.
Dos R$ 100 milhões previstos, cerca de R$ 30 milhões serão aplicados já no primeiro ano de implantação. O calendário não é casual: a fábrica precisa atender as regras de nacionalização exigidas para os contratos de potência em armazenamento que começam a fornecer energia em agosto de 2028, segundo a própria empresa. A Windey também busca credenciamento no Finame para acesso a linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que ampliará a competitividade da empresa em relação a fornecedores estrangeiros.
“O apoio do governo, os incentivos que teremos e todo o trabalho realizado para viabilizar o projeto foram fundamentais”, afirmou Galvão. As negociações ganharam força durante missão oficial na China em 2025, quando o governador Jerônimo Rodrigues e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa apresentaram as potencialidades da Bahia ao grupo. “Nós assinamos esse acordo lá na China, mais ou menos um ano e meio atrás, com o presidente Lula presente, e ele até brincou comigo: ‘Olha, você tem um desafio: ou a Bahia ou o Piauí’. Meu coração já tinha decidido, porque sou baiano”, declarou Galvão.
O governador Jerônimo Rodrigues destacou que a escolha da Windey não foi aleatória. “A Windey fez estudos sobre os melhores lugares para se instalar uma planta industrial e escolheu o Nordeste, a Bahia, que possui terras com os melhores potenciais de vento e de sol, além da biomassa. O complexo que estão instalando aqui para baterias não diz respeito apenas a uma energia ou a outra, mas a um conjunto para garantir o armazenamento”, afirmou. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Aécio Moreira, atribuiu a escolha ao programa estadual de atração de investimentos em energia renovável. “É um investimento robusto, um segmento que tem gerado muito emprego, não só no polo regional, mas em toda a Bahia, tanto na fase de implementação quanto na operação dos sistemas”, afirmou.
Windey reforça ecossistema renovável de Camaçari
O Polo Industrial de Camaçari, maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul com mais de 80 empresas, 50 mil empregos e faturamento anual de US$ 15 bilhões, vive um novo ciclo de atração de investimentos em energia limpa. A BYD instalou sua fábrica de carros elétricos no polo com investimento superior a R$ 5 bilhões. A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), retomou a produção em janeiro de 2026 através da Petrobras e a Goldwind reforça o setor eólico no complexo.
A chegada da Windey mira um problema estrutural do Nordeste: o curtailment, redução forçada de geração por falta de capacidade na rede de transmissão, que torna o armazenamento em baterias uma solução estratégica para a região. Além dos sistemas BESS, a empresa planeja expandir o portfólio no país para atender demandas de geração solar, eólica, transmissão e grandes consumidores industriais.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, destacou o alcance do projeto. “Estamos falando da perspectiva de criar soluções, de habilitar uma indústria da energia, aproveitando o vento, que a Bahia tem em abundância, para produzir energia”, afirmou.
Empregos e formação de mão de obra
A nova unidade operará com alto nível de automação — modelo similar na China já opera com 98% de automatização — e deve alcançar entre 70 e 120 profissionais em operação plena, segundo Galvão. “Vamos fazer um investimento, nos próximos anos, de R$ 100 milhões dentro dessa fábrica, incluindo aquisição de máquinas, importações e recursos humanos”, afirmou.
O governo estadual projeta 500 empregos diretos e indiretos. A Windey também firmará parcerias com o Senai Cimatec e outras instituições para capacitar trabalhadores em funções operacionais, técnicas e de ensino superior, contribuindo para atender à demanda de mão de obra especializada gerada pelos novos investimentos. A instalação da fábrica é a segunda etapa da presença da empresa no Brasil: em 2025, a Windey inaugurou seu escritório nacional e um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento com o Senai Cimatec, em Salvador.
*Com informações do Governo da Bahia
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