
A Windey Energy Technology Group Co., Ltd., terceira maior fabricante mundial de turbinas eólicas, com mais de 40 GW em capacidade instalada em operação e atuação em mais de 40 regiões ao redor do mundo, quer se tornar a primeira do Brasil na fabricação de BESS (Battery Energy Storage Systems), sistemas de armazenamento de energia em baterias, e transformar o país em base de atendimento para toda a América Latina. A pedra fundamental da primeira fábrica brasileira da empresa é lançada nesta terça-feira (9), às 10h, no Polo Industrial de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, com investimento de R$ 100 milhões ao longo dos próximos cinco anos e R$ 30 milhões previstos já no primeiro ano. A unidade terá capacidade para entregar 1,5 GWh por ano em sistemas montados, integrados e comissionados localmente, com início de operações previsto para o primeiro semestre de 2027.
A cerimônia contará com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, autoridades federais, estaduais e municipais, dirigentes globais da Windey e representantes do governo chinês. A estrutura física da fábrica já está disponível no polo industrial e passará por adaptações para receber as linhas de montagem, integração, testes e comissionamento dos sistemas. Quando da instalação do escritório da Windey em Salvador, no ano passado, Rodrigues já antecipava a expectativa com a empresa: “Essa fábrica representa mais que desenvolvimento industrial: é geração de conhecimento, qualificação profissional e energia acessível para atrair novas empresas ao Nordeste.”
O investimento se apoia num calendário regulatório concreto. O Ministério de Minas e Energia (MME) avançou nas discussões para a realização dos primeiros leilões brasileiros de armazenamento em baterias, previstos para dezembro de 2026, com uma modalidade específica para projetos com conteúdo nacional. A chegada da Windey ajuda a destravar um impasse que travava a realização dos certames: o governo e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) avaliavam se o país teria fornecedores locais suficientes para atender às exigências de nacionalização sem prejudicar a competitividade dos leilões.
Disputa de novo mercado com empresas nacionais
Empresas nacionais como WEG, Moura e UCB já vinham sinalizando ao governo que incentivar a produção interna de BESS poderia acelerar o desenvolvimento industrial e garantir a segurança energética do sistema. A meta da Windey é estar apta a fornecer equipamentos com conteúdo local a partir do primeiro semestre de 2027, nos contratos de potência que começam a fornecer energia em agosto de 2028. “A definição dos primeiros leilões de armazenamento cria um sinal importante para o mercado e estimula investimentos industriais voltados à nacionalização da cadeia produtiva”, informou a empresa em comunicado.
A Windey também trabalha para obter o Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI) do BNDES, mecanismo que habilita produtos ao Código Finame, amplia as possibilidades de financiamento aos clientes e atende aos critérios de nacionalização exigidos em parte dos leilões do setor. “A intenção é produzir localmente para abastecer o Brasil e outros mercados da América Latina. Com uma unidade fabril, poderemos também acessar linhas de financiamento como as do BNDES, aumentando nossa competitividade frente a outros fornecedores”, afirmou Hugo Iounchan Chang Miranda, diretor da Windey para a América Latina.
A empresa já identificou seu primeiro cliente potencial no Brasil: a desenvolvedora Aurora Windy, que tem mais de 5 GW em projetos eólicos em portfólio na Bahia e no Piauí, anunciou parceria com a Windey quando da chegada da empresa ao país.
Da pesquisa à fábrica
A instalação da unidade industrial é a segunda fase da estratégia da Windey no Brasil. Em 27 de junho de 2025, a empresa inaugurou seu primeiro escritório nacional e um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em parceria com o Senai Cimatec, em Salvador, com a presença do presidente mundial da companhia, Cheng Chenguang, e do ministro da Casa Civil, Rui Costa. O centro tem foco na criação de tecnologias sustentáveis aplicáveis ao semiárido baiano, aproveitando as condições climáticas únicas da região, com atuação integrada entre universidades, startups e indústrias.
A articulação também abre espaço para parcerias internacionais e coloca a Bahia no radar de fundos globais de investimentos em transição energética. Com a fábrica, a Windey amplia o escopo para atender geração solar e eólica, transmissão de energia e grandes consumidores industriais que buscam ampliar a autonomia energética. A empresa opera em regiões como Singapura, Vietnã, Cazaquistão, Índia, Sérvia e Bolívia.
A Bahia concentra 98% da sua matriz elétrica em fontes renováveis e é o maior produtor de energia eólica do Brasil. A chegada da unidade posiciona o estado entre os principais polos emergentes da indústria de armazenamento energético na América Latina, setor considerado fundamental para ampliar a integração das fontes renováveis ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e aumentar a segurança do sistema elétrico.
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