- Publicidade -

Justiça do Ceará suspende homologação do leilão de reserva de capacidade

Decisão paralisa R$ 515,7 bi em contratos com Petrobras, Eneva e J&F contratados em leilão e impede reunião da Aneel desta terça. TR Soluções projeta R$ 48 bilhões de custo anual até 2032
- Publicidade -
Ouvir o Artigo
~4:56
  1. Juiz federal suspende leilão de reserva de capacidade.
  2. Investimento estimado em R$ 64,5 bilhões.
  3. Custos podem chegar a R$ 48 bilhões anuais.
  4. Impacto nas contas de luz começa em 2026.
  5. Aneel aguarda posicionamento da AGU.
Aneel leilão de linhas de transmissão Nordeste
Leiilão de reserva de capacidade contratou 20 GW de potência firme, o equivalente a uma Itaipu e meia, com estimativas de investimento de R$ 64,5 bilhões. Foto: Aneel/Divulgação

Contratos de R$ 515,7 bilhões firmados no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026) com Petrobras, Eneva e grupos ligados à J&F foram suspensos por liminar concedida nesta segunda-feira (8) pelo juiz federal Luis Praxedes Vieira da Silva, da 1ª Vara Federal do Ceará, um dia antes de reunião marcada pela Aneel para homologar a maior parte dos resultados do certame. Estudo da consultoria TR Soluções estima que o leilão gerará custo anual de R$ 48 bilhões nas tarifas de energia dos consumidores até 2032.

A projeção da TR Soluções indica aumento de 7,5% na conta de luz do consumidor residencial até 2032, com primeiro impacto de 0,4% já em agosto de 2026, quando as primeiras usinas entram em operação. Os efeitos mais expressivos ocorrem a partir de 2029, quando a maioria das usinas contratadas inicia o fornecimento.

“O impacto deve começar a ser percebido nas contas a partir de agosto deste ano, de 0,4%. Em 2028, vamos ter a maior parte da energia contratada entrando, funcionando como uma escadinha, com o restante sendo inserido até 2031. Em 2032 chegaremos ao aumento médio de 7,5%“, afirmou o diretor de Regulação da TR Soluções, Helder Sousa. Cerca de 60% do preço da conta de luz reflete o pagamento de geração, transmissão e distribuição no Sistema Interligado Nacional (SIN), e é nesse componente que o custo do leilão é diluído ao longo dos próximos anos.

Liminar e fundamentação

A decisão atende a ação movida pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e pelo Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (SindEnergia) e determina a paralisação dos resultados até que a Justiça Federal do Distrito Federal, onde tramita a principal ação sobre o caso, analise a matéria, ou até que sejam esclarecidas as inconsistências apontadas no processo.

O magistrado determinou efeito imediato e encaminhou a decisão à Justiça Federal do Distrito Federal. “São contratos que podem durar por muito tempo e, uma vez implementados, caso haja distorções, podem ficar sob o manto da irreversibilidade, comprometendo o planejamento correto de investimento futuro em energia limpa e o correto investimento em sistemas de baterias de suporte”, escreveu Vieira da Silva.

A decisão também cita questionamentos da área técnica do TCU sobre competitividade do certame, baixos deságios e dúvidas sobre os custos das usinas térmicas contratadas, especialmente as movidas a gás e carvão. Procurada, a Aneel informou que aguardará o posicionamento da Advocacia-Geral da União (AGU) antes de definir as ações a serem tomadas.

Histórico de contestações do leilão

Realizado em março de 2026 após três anos de espera do setor, o certame contratou 20 GW de potência firme, o equivalente a uma Itaipu e meia, com estimativas de investimento de R$ 64,5 bilhões. O leilão foi dominado por térmicas a gás natural, que representam 80% do total. As principais vencedoras foram Eneva, BTG Pactual — por meio da Geradora de Energia do Maranhão — e New Fortress Energy, com projetos concentrados no Nordeste e no Sudeste.

Também foram contratadas usinas a carvão mineral, óleo combustível e projetos de ampliação de hidrelétricas existentes. Desde a realização, o certame acumulou questionamentos na Justiça Federal, no TCU, no Ministério Público Federal (MPF) e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O principal ponto contestado é a alteração dos parâmetros de preço-teto pelo Ministério de Minas e Energia (MME) três dias antes da disputa. O TCU pediu a suspensão da homologação, defendendo o congelamento da contratação das usinas por auferirem lucro extraordinário para os grupos J&F, Irmãos Batista, Eneva, André Esteves e Petrobras. O MPF também havia solicitado ao MME e a outras três entidades públicas a paralisação da validação, com prazo de 48 horas para resposta.

Na semana passada, contudo, o subprocurador-geral do MP junto ao TCU, Lucas Furtado, encaminhou ofício ao ministro Jorge Oliveira abandonando a posição anterior de defender a suspensão, afirmando ter atribuído peso excessivo ao custo tarifário em detrimento da estabilidade e segurança do sistema elétrico.

A Aneel e a União argumentam que a suspensão prejudica o planejamento do setor, gera insegurança jurídica, afasta investidores e quebra expectativas já criadas pelas empresas vencedoras, que iniciaram preparativos operacionais e financeiros.

A Petrobras informou, em comunicado divulgado em março, receita fixa estimada em R$ 4 bilhões por ano decorrente dos oito contratos assegurados no certame, correspondentes a 2.235 MW de capacidade firme, com vigência entre 2026 e 2031.

Leia mais: BrasBio inicia no 2º semestre produção da 1ª usina de etanol de milho no Piauí

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -