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Grupo francês Qair traz R$ 1 bi ao CE e inaugura complexo solar em Icó

Inaugurado em Icó, empreendimento gerou mais de 2,5 mil postos de trabalho e integra o Novo PAC; grupo francês vê o estado como hub nacional de renováveis
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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Vista aérea do Complexo Solar Fotovoltaico Bom Jardim, em Icó, no Ceará: 234 MWp de capacidade instalada na primeira fase, com potencial para abastecer 250 mil residências - Foto: Márcio Murinelly
Vista aérea do Complexo Solar Fotovoltaico Bom Jardim, em Icó, no Ceará: 234 MWp de capacidade instalada na primeira fase, com potencial para abastecer 250 mil residências – Foto: Márcio Murinelly

O Complexo Solar Fotovoltaico Bom Jardim teve sua primeira fase inaugurada no município de Icó, no interior do Ceará. O projeto, pertencente à Qair Brasil,subsidiária do grupo francês Qair International, já operava desde janeiro de 2026 e consolida o estado como um dos principais destinos de investimento em energia renovável do país.

A fase inicial reúne as usinas Bom Jardim I, II, III e V, com capacidade instalada combinada de 234 MWp. O complexo tem potencial para abastecer cerca de 250 mil residências e evitar a emissão de aproximadamente 38 mil toneladas de CO₂ por ano. A produção anual estimada é de 539 mil MWh.

O aporte financeiro já mobilizado ultrapassa R$ 1 bilhão, superior à estimativa original de R$ 700 milhões para esta fase. Quando totalmente concluído, o complexo deverá atingir 439 MWp de capacidade total, com investimento previsto de R$ 2,13 bilhões, distribuídos em dez usinas fotovoltaicas com entrega programada até 2027. O empreendimento integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

Ceará avança na transição energética com novo complexo fotovoltaico de R$ 1 bilhão da Qair em Icó
A Qair aproveita o potencial natural do Ceará para acelerar a transição da matriz energética nacional. Foto: Tiago Stille/Casa Civil Ceará

O Ceará como hub estratégico

Em entrevista exclusiva ao Portal Movimento Econômico, o diretor de operações da Qair Brasil, Gustavo Silva, detalhou o peso do estado dentro da estratégia nacional da companhia. “O Ceará ocupa uma posição central dentro da estratégia nacional da Qair no Brasil, funcionando como o principal hub de desenvolvimento, operação e inovação da empresa no país”, afirmou. Segundo ele, a Qair consolidou no estado uma capacidade instalada próxima de 640 MW em operação, “posicionando-se como um dos maiores investidores em energias renováveis no estado, mesmo considerando o curto período de atuação no país.”

O executivo destacou ainda a aposta futura da companhia no território cearense: “Foi no Porto do Pecém que a Qair decidiu desenvolver sua principal aposta em hidrogênio verde no Brasil, consolidando o estado como uma plataforma estratégica para iniciativas voltadas à transição energética e à descarbonização.”

Inauguração da primeira fase do Complexo Solar Bom Jardim, em Icó (CE), reuniu representantes da Qair Brasil, do Governo do Estado e do consulado francês em Recife - Foto: Márcio Murinelly/Divulgação
Inauguração da primeira fase do Complexo Solar Bom Jardim, em Icó (CE), reuniu representantes da Qair Brasil, do Governo do Estado e do consulado francês em Recife – Foto: Márcio Murinelly/Divulgação

O contexto macroeconômico do setor elétrico, no entanto, não passou sem ressalvas. Para Silva, o principal desafio do projeto foi estrutural: “O maior deles tem sido empreender em um cenário marcado por incertezas e, muitas vezes, desconfiança, o que naturalmente eleva a percepção de risco e impacta diretamente a viabilidade e o custo dos projetos.”

Entre os pontos críticos, o diretor citou eventos de curtailment, cortes na geração por limitações da rede, e dificuldades de acesso a financiamento. “Esse contexto interno é agravado por um cenário geopolítico internacional igualmente desafiador, que impacta diretamente o controlador da companhia, pressiona o CAPEX dos projetos e afeta prazos logísticos.”

Inovação financeira e de engenharia

No campo tecnológico, o diferencial do complexo não está em equipamentos inéditos, mas na combinação de soluções de engenharia e financeiras. Silva revelou que a empresa conseguiu reduzir em cerca de 30% o volume de terraplenagem inicialmente previsto por meio de trabalho detalhado de projeto, o que gerou impactos diretos em custo, prazo e pegada ambiental. “O diferencial do complexo não está necessariamente em tecnologias inéditas, mas na capacidade de integrar soluções técnicas e financeiras de forma inteligente”, pontuou.

Para viabilizar o financiamento, a Qair recorreu a bancos regionais de fomento, Banco do Nordeste e Sudene, além de aportes de equity do controlador. Silva reconhece que a estrutura exigiu criatividade: “A viabilização exigiu um grau elevado de engenharia financeira”, em razão das maiores dificuldades para obtenção de garantias e fianças em um ambiente macroeconômico mais restritivo.

Armando Abreu, presidente da Qair Brasil, durante a inauguração destacou que o projeto vem sendo desenvolvido há quase dez anos - Foto: Márcio Murinelly/Divulgação
Armando Abreu, presidente da Qair Brasil, durante a inauguração destacou que o projeto vem sendo desenvolvido há quase dez anos – Foto: Márcio Murinelly/Divulgação

Empregos e perspectivas regionais

Ao longo da implantação, o complexo gerou 1.197 postos de trabalho diretos, 1.397 indiretos e 73 permanentes. O presidente da Qair Brasil, Armando Abreu, atribuiu o avanço ao apoio institucional: “Esse projeto vem sendo desenvolvido há quase dez anos e só foi possível chegar onde chegamos com o apoio do Governo do Estado e de toda a comunidade de Icó.” 

O cônsul-geral da França em Recife, Serge Gas, presente à cerimônia, situou o empreendimento no contexto das relações bilaterais: “Este momento representa um marco importante para o fortalecimento da colaboração entre a França e o Brasil”, afirmou, destacando o “caráter pioneiro do Ceará e do Nordeste na produção de energias renováveis.”

O Ceará conta hoje com 74 empreendimentos solares em operação, somando capacidade instalada de aproximadamente 2,1 GW. A Qair opera no Brasil desde 2018, com sede em Fortaleza, e possui um portfólio nacional de quase 800 MW em ativos eólicos e solares, além de um pipeline de 13 GW em desenvolvimento, incluindo 1,2 GW em eólica offshore e 4,48 GW em projetos de hidrogênio renovável.

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