
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza às 10h desta sexta-feira (31) o Leilão de Transmissão nº 4/2025, o único previsto para este ano. O evento será realizado na sede da B3, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da Aneel no YouTube e pela TVB3. O certame prevê movimentar R$ 5,5 bilhões em investimentos privados em projetos que envolvem a construção, operação e manutenção de infraestruturas de transmissão de energia elétrica em 12 estados.
Os sete lotes ofertados somam 1.081 quilômetros de novas linhas de transmissão, 2.000 megawatts (MW) em capacidade de transformação e sete compensações síncronas, equipamentos utilizados para reforçar a estabilidade da tensão elétrica no sistema interligado. Os prazos de execução variam entre 42 e 60 meses, conforme a complexidade técnica de cada projeto. Os estados contemplados são: Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo.
A região Nordeste integrará dois dos sete lotes em disputa, concentrando um investimento estimado de R$ 1,127 bilhão, distribuído entre os estados da Paraíba, Pernambuco, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte. Os projetos possuem função estratégica para o setor elétrico, com foco na integração da geração renovável, no aumento da confiabilidade do fornecimento e na modernização da infraestrutura elétrica regional. Ambos os lotes nordestinos já estão habilitados para leilão e não dependem de caducidade de contratos anteriores, ao contrário de outros lotes do certame.
Investimento de R$ 757,7 milhões em quatro estados do Nordeste
O Lote 2, com previsão de R$ 757,7 milhões em investimentos e prazo de execução de 54 meses, envolve a implantação de 334 quilômetros de linhas de transmissão em tensões de 500 kV e 230 kV, além de reforços em subestações existentes. O escopo técnico contempla a linha 500 kV Santa Luzia II – Bom Nome II, com 230 quilômetros entre a Paraíba e Pernambuco; a linha 230 kV Caxias II – Teresina II, com 92 quilômetros conectando Maranhão e Piauí; e a linha 230 kV Teresina – Teresina III, com 14 quilômetros, reaproveitando a faixa de servidão da linha Teresina – Piripiri, que será desativada.
Também está prevista a instalação de um sistema de controle automático rápido de reativos (±50 Mvar) na Subestação Caxias II, que permitirá maior estabilidade em situações de oscilação de carga e tensão.
Esse lote atende a uma área estratégica do sistema elétrico, localizada entre polos de geração renovável e centros de consumo urbano em crescimento. Os ativos previstos reforçam a malha de escoamento da energia eólica e solar instalada na faixa leste do Nordeste, em especial nos estados da Paraíba e Pernambuco.
Ao mesmo tempo, contribuem para o atendimento da demanda crescente nas regiões leste do Maranhão e centro-norte do Piauí, que têm registrado expansão industrial, novos empreendimentos comerciais e maior consumo residencial.
RN terá compensadores síncronos para reforço da tensão
O Lote 7, voltado exclusivamente ao estado do Rio Grande do Norte, tem investimento estimado de R$ 370,1 milhões e prazo de execução de 42 meses. O projeto está dividido em dois sublotes. O primeiro contempla a instalação de duas compensações síncronas de ±300 Mvar na Subestação Açu III, localizada na região Oeste do estado. O segundo prevê uma compensação síncrona de ±300 Mvar na Subestação João Câmara III, no Agreste Potiguar.
Os compensadores síncronos são equipamentos que operam como geradores sem carga mecânica, oferecendo suporte dinâmico à tensão e maior controle de reativos na rede elétrica. A instalação desses dispositivos no RN responde a uma necessidade técnica identificada pela Aneel e pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), diante do elevado volume de geração eólica conectado ao estado.
O Rio Grande do Norte concentra cerca de 30% da capacidade instalada de energia eólica do país, o que exige infraestrutura de controle avançada para garantir a estabilidade do fornecimento e evitar variações abruptas de tensão.
Receita Anual Permitida soma R$ 266,8 milhões nos lotes do Nordeste
As empresas que vencerem os lotes do Nordeste terão direito a uma Receita Anual Permitida (RAP) máxima de R$ 266,8 milhões, sendo R$ 135,77 milhões no Lote 2 e R$ 131,06 milhões no Lote 7. A RAP representa o limite de remuneração anual autorizado pela Aneel para cobrir os custos de investimento, operação e manutenção ao longo dos 30 anos de concessão. Durante o leilão, as empresas disputam oferecendo deságios sobre esse valor, de forma que a proposta vencedora será aquela que apresentar a menor RAP anual, ou seja, que aceite operar o sistema com menor receita permitida.
Esse mecanismo de competição permite atrair capital privado com foco em eficiência operacional, sem comprometer a qualidade dos serviços. Nos últimos leilões de transmissão, os deságios médios superaram 40%, o que reduziu os custos de expansão do setor e contribuiu para tarifas mais estáveis no longo prazo.
Leilão da Aneel: segurança energética e modernização da infraestrutura
O Leilão de Transmissão nº 4/2025 está inserido em uma política de expansão e modernização da infraestrutura elétrica nacional, com prioridade para regiões que concentram nova geração renovável ou apresentam riscos operacionais.
A implantação de novas linhas e subestações reduz perdas técnicas, evita gargalos de escoamento, amplia a capacidade de integração ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e fortalece a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro.
No caso do Nordeste, os projetos previstos oferecem maior flexibilidade de operação em função da variabilidade da geração eólica e solar. A introdução de compensadores síncronos permitirá respostas em tempo real às flutuações da rede, contribuindo para a segurança do fornecimento em todo o subsistema Norte-Nordeste.
Os investimentos preparam a infraestrutura para o crescimento de carga previsto com a chegada de novas plantas industriais, expansão urbana e eletrificação de frotas e serviços públicos.
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