
A empresa pernambucana Masterboi confirmou a construção de uma nova planta industrial no município de Iguatu, localizado a 362 km de Fortaleza, encerrando um jejum de mais de duas décadas sem frigoríficos no Ceará. Com investimento de R$ 250 milhões, a unidade terá capacidade para abater 1.000 animais por dia, gerará 750 empregos diretos e deverá iniciar a produção em 2028. As obras começam no segundo semestre de 2027. O protocolo de intenções será assindo pelo o governador Elmano de Freitas e pelo o fundador e presidente da Masterboi, Nelson Bezerra, na próxima terça-feira, às 9h, no dia Palácio da Abolição.
O empreendimento da Masterboi foi disputado pelo Ceará e Bahia. A escolha por Iguatu foi definida por um estudo técnico da própria Masterboi, que considerou a posição estratégica do município como entroncamento rodoviário, a presença do terminal intermodal da Ferrovia Transnordestina, que viabiliza tanto a chegada de grãos para confinamentos quanto o escoamento da carne para exportação, além da abundância de recursos hídricos. O abate de cada bovino consome, em média, 2.800 litros de água.
Fim de um hiato histórico
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Domingos Filho, ressaltou, em conversa exclusiva com o Movimento Econômico, que o estado ficou mais de 20 anos sem um frigorífico em operação, desde o fechamento do Frigorífico Industrial de Fortaleza (Frifort). A ausência forçou produtores cearenses a enviar seus animais para abate em Canhotinho, no Agreste de Pernambuco, onde a própria Masterboi tem hoje um frigorífco. Cerca de 8% dos bovinos que a unidade abate vêm do Ceará.
“O Ceará há mais de 20 anos que não tem um frigorífico. Com isso, nós não temos beneficiamento de carne, tudo que consumimos vem de fora”, disse Domingos Filho. Segundo o secretário, a chegada da Masterboi deve reverter também um efeito colateral histórico: após o fechamento do Frifort, muitos criadores migraram do gado de corte para o leite, distorcendo a cadeia produtiva.
“A Masterboi fez um estudo técnico e chegou a Iguatu. Principalmente em função da logística: além de ser entroncamento rodoviário, tem o terminal intermodal da Transnordestina, o que permite trazer grãos para os confinamentos e exportar carne. Tem água em abundância, que é outra exigência.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Domingos Filho, revelou ao Movimento Econômico que o estado ficou mais de 20 anos sem frigorífico e que o Ceará disputou o investimento da Masterboi com a Bahia – Foto: Governo CE/ Divulgação
Infraestrutura e logística de exportação
A unindade da Masterboi é um dos primeiros empreendimentos industriais atraídos pela Transnordestina, que conecta o interior ao Porto do Pecém, apontado pelo secretário como o porto mais competitivo do país, pela proximidade geográfica com rotas para Europa, América e Ásia. A Masterboi é exportadora e, segundo nota oficial da empresa, já são mais de 100 países que recebem suas carnes.
Para receber a empresa de origem pernmabucana, o Estado do Ceará desapropriou uma área de 60 hectares, escolhida pela própria empresa, para instalar a planta. A capacidade plena de 1.000 abates diários supera a média atual da unidade de Canhotinho (PE), que opera com cerca de 750 animais por dia.

Tauá terá abatedouro de ovinos e caprinos voltado ao mercado halal
O secretário revelou que Iguatu não é o único investimento na cadeia da proteína animal no Ceará. O município de Tauá, no sertão dos Inhamuns, receberá um segundo abatedouro, desta vez voltado para ovinos e caprinos, com capacidade de também 1.000 animais por dia. O empreendimento será conduzido pelo Grupo Vicunha, por meio da Prime Company, do empresário Ricardo Steinbruch, e terá como destino exclusivo o mercado externo, com certificação halal para abastecimento de países muçulmanos.
A escolha de Tauá não é por acaso. A região dos Inhamuns, no sudoeste do Ceará, concentra 35% do rebanho caprino-ovino estadual, e o próprio município detém 6% desse total. O Brasil reúne 50 milhões de cabeças de pequenos ruminantes, dos quais 70% estão no Nordeste. A ausência de uma cadeia organizada, no entanto, tornava o Ceará importador líquido desses rebanhos.
“Os investidores perceberam que o negócio tinha que ser no Nordeste. E nós nos candidatamos, mostrando que o Ceará tem as melhores condições”, afirmou Domingos Filho. Tauá já conta com abatedouro habilitado pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE), o que acelera a transição operacional: a estratégia é começar as operações pelo abatedouro municipal enquanto organiza a cadeia de fornecimento.
Para atingir a meta de 1.000 animais por dia, será necessário manter cerca de 520.000 animais em produção. Segundo o secretário, já há ações de melhoramento genético em andamento em toda a cadeia. O Grupo Vicunha tem presença no Ceará desde 1969, com operações na indústria têxtil. As obras do abatedouro em Tauá devem começar no prazo de até dois anos.
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