O Movimento Econômico discute neste episódio do podcast Conexões Transnordestina o chamado “vazio ferroviário” no Nordeste, a partir da análise do engenheiro Adriano Lucena, do CREA-PE. Ele destaca que a Transnordestina não deve ser vista apenas como uma obra de infraestrutura, mas como um eixo estruturante de desenvolvimento econômico regional. A principal crítica é à fragmentação do projeto, que tem priorizado alguns trechos enquanto deixa estados importantes sem conexão, comprometendo a integração entre portos e regiões produtivas.
Durante a conversa, é apontado que a atual configuração das ferrovias no Nordeste pode aprofundar desigualdades entre estados. Enquanto Ceará e Piauí avançam com a Transnordestina, e Bahia constrói a FIOL, outras áreas tendem a ficar isoladas, formando um vazio ferroviário. Segundo Adriano, essa desconexão reduz a competitividade, encarece o transporte e limita o crescimento econômico, já que a logística segue concentrada no modal rodoviário, mais caro e menos eficiente.
O debate também enfatiza que o problema não é apenas técnico, mas resultado de decisões políticas e falta de planejamento de longo prazo, principalmente da ferrovia Transnordestina. Há críticas à concepção do projeto, à ausência de um modelo de negócios claro e à execução de trechos que ainda não geram retorno econômico. Como solução, o especialista defende maior mobilização da sociedade, integração entre estados e revisão estratégica do projeto ferroviário, para garantir que a infraestrutura cumpra seu papel de induzir desenvolvimento e não apenas gerar custos.
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