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Como evitar golpes na compra ou venda de um imóvel

Um dos principais erros é tratar a análise documental do imóvel como mera burocracia
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  1. Criminosos exploram pressa das vítimas e criam aparência de normalidade para aplicar fraudes imobiliárias sofisticadas.
  2. Desconfie de preços muito abaixo do mercado, pressão para decisão rápida e pedidos de sinal imediato.
  3. Verificar regularização do corretor, imobiliária e legitimidade do proprietário antes de qualquer compromisso financeiro.
  4. Matrícula atualizada do imóvel revela propriedade, dívidas, penhoras e restrições que podem comprometer a transação.
  5. Análise documental rigorosa é etapa decisiva, não burocracia, para identificar proprietário e validar cadeia legal.
Imóveis
É preciso estar atento contra fraudes na hora de negociar imóveis /Foto: ME

Comprar ou vender um imóvel exige hoje muito mais do que avaliar preço, localização e condições de pagamento. Com a digitalização das negociações, os golpes imobiliários se sofisticaram e passaram a atingir tanto investidores em busca de oportunidades quanto famílias que tentam realizar o sonho da casa própria ou resolver uma necessidade urgente de moradia.

Entre as fraudes mais recorrentes estão o falso corretor, o anúncio de imóvel inexistente, a venda do mesmo bem para mais de uma pessoa e a exigência de pagamento antecipado sem segurança documental. Em janeiro deste ano, o CRECI alertou que essas práticas continuam entre os principais riscos do mercado imobiliário.

Segundo Gabriela Pereira, advogada especialista em Direito Imobiliário de alto padrão, boa parte dos golpes se apoia em dois fatores: a pressa da vítima e a aparência de normalidade da negociação. A fraude, segundo ela, raramente começa de forma explícita. Em geral, vem acompanhada de uma oferta atraente, linguagem convincente e pressão para que a decisão seja tomada rapidamente.

Desconfie do preçeo do imóvel

“O criminoso tenta criar um ambiente de urgência e confiança ao mesmo tempo. Ele oferece um imóvel com preço atrativo, apresenta documentos ou conversas que parecem legítimos e conduz a vítima para uma decisão rápida, antes que ela faça as verificações essenciais”, afirma Gabriela.

Para evitar cair nesse tipo de golpe, o primeiro passo é desconfiar de ofertas muito abaixo do valor de mercado. Preço excessivamente vantajoso, pressa para fechar negócio e pedidos de sinal imediato são sinais de alerta. Antes de qualquer pagamento, é fundamental confirmar a existência do imóvel, verificar quem é o proprietário e conferir se a pessoa que está intermediando a operação tem autorização legal para fazê-lo.

Nas operações de compra e venda, os riscos incluem vendedor sem legitimidade, documentos falsificados, ausência de conferência da matrícula atualizada e até a negociação de um imóvel que já foi prometido ou vendido a outra pessoa. Por isso, entidades do setor e cartórios de registro reforçam a necessidade de verificar se o corretor ou a imobiliária estão regularmente habilitados, exigir documentação atualizada e evitar pagamentos relevantes antes da validação jurídica e registral.

A matrícula atualizada do imóvel é um dos documentos mais importantes da negociação. É nela que constam informações sobre propriedade, averbações, dívidas, penhoras, alienações e eventuais restrições. Sem essa conferência, o comprador pode acreditar que está negociando com o dono do imóvel quando, na prática, há impedimentos ou irregularidades capazes de comprometer a transação.

Para Gabriela, um dos principais erros é tratar a análise documental como mera burocracia. A identificação correta do proprietário, a análise da cadeia documental, a conferência da matrícula e a verificação de quem intermedeia a operação são etapas decisivas para reduzir riscos.

“A matrícula atualizada, a identificação correta do proprietário, a análise da cadeia documental e a confirmação de quem está intermediando a operação são medidas simples, mas decisivas. Quando isso é ignorado, o risco deixa de ser abstrato e passa a ser financeiro”, diz a advogada.

Outro cuidado essencial é evitar transferências antecipadas para contas de terceiros ou pessoas físicas sem vínculo comprovado com a operação. Pagamentos de sinal, reserva ou entrada só devem ser feitos depois da análise dos documentos, preferencialmente com contrato formal, identificação das partes e orientação jurídica. Em negociações digitais, também é importante confirmar a autenticidade de sites, anúncios, perfis de corretores e canais de atendimento.

A especialista lembra que os golpes não atingem apenas grandes investidores. Muitas vítimas são famílias em busca do primeiro imóvel, proprietários que acreditam estar negociando com profissionais regulares ou pessoas atraídas por preços abaixo do mercado.

“Fraude imobiliária não escolhe perfil. Ela escolhe vulnerabilidade. E isso aumenta quando a negociação é feita só pelo impulso, pelo preço baixo ou pela urgência”, conclui Gabriela Pereira.

Diante do avanço dessas práticas, a prevenção passa por medidas simples, mas indispensáveis: conferir o registro profissional do corretor, verificar a matrícula atualizada do imóvel, desconfiar de ofertas muito abaixo do valor de mercado, evitar pagamentos antecipados sem documentação segura e buscar apoio jurídico antes de assinar contratos ou transferir valores.

Em um setor em que a compra costuma envolver grande parte do patrimônio familiar, a cautela documental pode ser a diferença entre realizar um sonho e amargar um prejuízo. No mercado imobiliário, a pressa pode custar caro. Por isso, antes de fechar qualquer negócio, a melhor proteção ainda é verificar, documentar e só então pagar.

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