- Publicidade -

Escala 6×1 põe produtividade no centro do debate do trabalho

A questão é: como o Brasil vai organizar um mercado de trabalho mais produtivo, mais flexível e menos precário?
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
- Publicidade -
Ouvir o Artigo Gerando áudio…
~4:32
  1. Debate sobre escala 6x1 coloca produtividade como central nas discussões do mercado de trabalho brasileiro.
  2. Redução de jornada sem diminuição salarial forçará empresas a eliminar desperdícios, automatizar tarefas e medir resultados.
  3. Reforma trabalhista de 2017 e pandemia já flexibilizavam relações, aumentando teletrabalho e trabalho remoto no país.
  4. Uberização avança com 1,7 milhão de trabalhadores por aplicativos, crescimento de 25,4% entre 2022 e 2024.
  5. STF pode tomar decisões sobre vínculo de emprego em plataformas digitais com repercussão geral no país.
Jornada 6x1 Dias de trabalho 1º de Maio folgas
Mercado de trabalho pode passar por mais mudanças:Arte: IA/ME

O debate sobre o fim da escala 6×1 chega em um momento em que o mercado de trabalho brasileiro já vinha sendo profundamente redesenhado. Na realidade, ele pode representar uma mudança profunda na forma como o mercado avaliará profissionais nos próximos anos. O que entra em discussão é produtividade.

Como pontuou Bruno Cunha, titular da coluna Carreira em Movimento, do portal Movimento Econômico, muitas pessoas acreditam que o debate sobre a escala 6×1 é uma questão exclusiva das empresas.

Se a jornada for reduzida sem diminuição salarial, o custo da hora trabalhada sobe. Isso obrigará empresas a rever processos, eliminar desperdícios, automatizar tarefas repetitivas e medir melhor o resultado de cada função. A simples presença no posto de trabalho tende a perder peso diante da capacidade de entrega.

Reforma do trabalho

Essa transição não começa agora. A reforma trabalhista de 2017 já havia flexibilizado relações, ao regulamentar modelos como o teletrabalho e o contrato intermitente. Depois, a pandemia mostrou que parte das atividades poderia ser feita fora do escritório. Em 2022, o IBGE identificou 7,4 milhões de pessoas em teletrabalho e 9,5 milhões trabalhando remotamente no país.

Ao mesmo tempo, cresceu a busca por autonomia. Em 2026, os microempreendedores individuais já representam 78% das empresas abertas no Brasil, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal.

A chamada uberização também avançou. O IBGE mostrou que o número de trabalhadores por aplicativos chegou a 1,7 milhão em 2024, alta de 25,4% em relação a 2022. É um movimento que combina flexibilidade, renda variável e baixa proteção social, exigindo do trabalhador uma postura mais organizada diante da própria carreira.

O possível fim da escala 6×1 reforça esse novo cenário. Para o trabalhador, a cobrança será maior por produtividade, qualificação e capacidade de adaptação.

A discussão sobre a escala 6×1, portanto, vai além da quantidade de dias trabalhados. Ela recoloca no centro uma pergunta decisiva: como o Brasil vai organizar um mercado de trabalho mais produtivo, mais flexível e menos precário? Para empresas e trabalhadores, essa talvez seja a verdadeira mudança em curso.

Uber
Empregabilidade no Uber no foco do STF/ Foto: Rovena Rosa

Uberização

Enquanto as sanfonas esquentam o fole pelo Nordeste, em Brasília o Supremo Tribunal Federal pode tomar decisões com forte impacto sobre o setor empresarial. Esta semana podem ocorrer julgamentos envolvendo temas tributários, trabalhistas e a chamada uberização, que discute se há vínculo de emprego entre motoristas e entregadores de aplicativos e as plataformas digitais. A decisão do STF terá repercussão geral e pode orientar milhares de processos semelhantes no país.

CNPJ

Nesse ambiente de transformações no mercado de trabalho, o profissional autônomo precisa observar uma exigência menos visível: cuidar melhor da própria proteção previdenciária. Quem migra para MEI, trabalho autônomo ou plataformas tem que entender que autonomia sem contribuição regular pode virar vulnerabilidade no futuro. A contribuição básica do MEI dá acesso à Previdência, mas, quando feita apenas sobre o salário-mínimo, tende a limitar o valor do benefício. Por isso, a nova economia do trabalho exige planejamento para a aposentadoria, reserva financeira, qualificação e capacidade de se manter relevante.

MEI

O governo federal estuda elevar o limite de faturamento do MEI para cerca de R$ 130 mil, de forma escalonada, em 2027 e 2028. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, a proposta deve ser apresentada ainda este ano pelo presidente Lula. A ideia é dosar o impacto fiscal e atender à demanda do setor produtivo, em diálogo com o Congresso e o presidente da Câmara, Hugo Motta. O governo, porém, não discute neste momento ampliar os limites do Simples Nacional.

Panda bonds

O Brasil prepara a emissão de títulos da dívida pública em yuan, os chamados panda bonds, abrindo caminho para acessar o mercado financeiro chinês. O tema estará na agenda do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em visita à China, onde tratará da aproximação financeira entre os dois países. Para o Tesouro Nacional, a operação amplia a presença brasileira no mercado global e diversifica a base de investidores estrangeiros. O movimento ocorre após o país captar 5 bilhões de euros em abril, na maior oferta externa recente de títulos brasileiros.

Veja também:

O fim da escala 6×1 pode redesenhar cargos, salários e remunerações

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -