
Enquanto o Nordeste se prepara para iniciar uma nova safra em meio a desafios climáticos, pressão por produtividade e custos mais elevados, as pesquisas de melhoramento genético da cana-de-açúcar passam a ter um papel cada vez mais estratégico. Durante o 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-Açúcar de Alagoas foi realizada a liberação regional oficial das variedades RB, com três delas tendo participação de pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) no desenvolvimento.
As variedades RB são desenvolvidas pela Rede Universitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), composta pela Ufal, UFRPE, UFV, UFRRJ, UFSCar, UFPR, UFG, UFMT, UFS e UFPI. A rede atua de forma cooperada no desenvolvimento de pesquisas, no intercâmbio de informações e na transferência de tecnologias para o setor produtivo.
O coordenador do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar da Ufal, Geraldo Veríssimo, explicou ao Movimento Econômico que as variedades RB desenvolvidas têm forte presença nos canaviais brasileiros e participação ainda maior em Alagoas.
Ele destacou que o melhoramento genético também tem papel estratégico diante da maior instabilidade climática e da preocupação com períodos de seca. Segundo ele, o portfólio de variedades RB inclui materiais mais rústicos e resilientes, capazes de responder melhor a ambientes mais adversos, o que ganha importância em um momento em que o setor acompanha os efeitos climáticos sobre a produtividade da cana.
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“Nós estamos atravessando esse momento em que vem um El Niño. Temos variedades mais rústicas para enfrentar esses períodos de seca, variedades resilientes dentro desse portfólio. Já outras dão bons resultados em ambientes excelentes, ambientes médios e ambientes fracos. Vai depender do conhecimento e do manejo dessas variedades, que o técnico precisa testar”, destacou.

Melhoramento genético elevou produtividade em seis décadas
O coordenador do PMGCA também destacou que os ganhos do melhoramento genético são contínuos e aparecem tanto na produtividade agrícola quanto no teor de açúcar das variedades. Ele comparou o desempenho atual da cana no Brasil com os patamares registrados nas décadas de 1960 e 1970, quando a produtividade média e o rendimento industrial eram bem menores.
“O Brasil tinha cerca de 50 toneladas de cana por hectare e 90 quilos de açúcar por tonelada de cana em décadas passadas. Hoje, a média chega a 80 toneladas por hectare e 140 quilos por tonelada”, disse.
Desde 1990, a Ridesa produziu 115 cultivares, que, somadas às variedades desenvolvidas pelo antigo Planalsucar, totalizam 134 variedades RB em 55 anos de pesquisa.
“Hoje o Brasil conta com 60% dos seus canaviais com variedades RB. Em Alagoas, 90% da área cultivada está com variedades RB. Para a Ufal e para a Ridesa, isso é um grande orgulho por ter essa aceitação e adoção dessas tecnologias”, explicou Veríssimo.
Variedades de cana miram produtividade, sanidade e adaptação ao campo
Durante o Simpósio, foram liberadas as variedades RB991532, RB0764 e RB07814, que tiveram participação direta dos pesquisadores alagoanos.
A RB991532 apresenta alta produtividade agrícola, boa colheitabilidade, alta longevidade e excelente sanidade. A variedade tem hábito de crescimento ereto, alto perfilhamento, boa brotação de socaria e resistência às ferrugens marrom e alaranjada e ao carvão. A recomendação é de plantio em ambientes intermediários e colheita no meio de safra.
Já a RB0764 se destaca pela alta produtividade agrícola, boa colheitabilidade e resistência às ferrugens marrom e alaranjada. A variedade apresenta boa brotação da socaria, alto perfilhamento em cana-planta e cana-soca, boa uniformidade de colmos e pode ser indicada tanto para áreas de sequeiro quanto irrigadas, especialmente em melhores ambientes de produção.
A RB07814 tem como principais características a precocidade, o alto teor de açúcar, o longo período útil de industrialização, a baixa cor do caldo e a alta produtividade agrícola. A cultivar também apresenta boa estabilidade de produção, resistência à ferrugem marrom e ao carvão, podendo ser utilizada em áreas de sequeiro e irrigadas, com aproveitamento da precocidade para colheita no início ou meio de safra.
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