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Leilão reúne 368 projetos e pode viabilizar térmicas a gás em Alagoas

Organizado pela ANEEL e CCEE, leilão busca reforçar a segurança energética do país em meio à expansão das fontes renováveis
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Leilão de Reserva de Capacidade
Leilões buscam garantir segurança energética ao Sistema Interligado Nacional. Foto: Agência Brasil

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) vão realizar, nos dias 18 e 20 de março, Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), voltados à contratação de usinas hidrelétricas e termelétricas para reforçar a segurança do sistema elétrico brasileiro. Segundo dados do cadastramento técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 368 projetos foram inscritos para os certames, que devem balizar a contratação de potência no país nos próximos anos.

Os leilões acontecem em um momento de transformação da matriz elétrica brasileira, cada vez mais baseada em fontes renováveis como a energia eólica e solar. Embora essas fontes tenham ampliado a participação da geração limpa no sistema, sua produção é variável, o que exige usinas capazes de fornecer potência rapidamente quando necessário.

Nesse contexto, os leilões de reserva de capacidade buscam garantir segurança energética ao Sistema Interligado Nacional (SIN), permitindo que o Operador Nacional do Sistema (ONS) acione essas usinas em períodos de maior demanda ou de menor geração renovável.

Segundo dados da EPE, do total de empreendimentos cadastrados para o leilão que será realizado no dia 18 de março, a maior parte é formada por termelétricas a gás natural, que somam mais de 300 projetos habilitados para participar da disputa.

Leilão térmicas gás, carvão UHE
Segundo Leilão de Reserva de Capacidade contratará energia de usinas hidrelétricas (UHE) e termelétricas (UTE) a gás natural e carvão mineral. Foto: Movimento Econômico

Também estão inscritos empreendimentos a carvão mineral e propostas de ampliação de usinas hidrelétricas existentes. Juntos, os projetos inscritos representam mais de 120 gigawatts (GW) de capacidade.

Já o outro certame, previsto para o dia 20 de março, será voltado à contratação de potência de usinas termelétricas movidas a óleo combustível, óleo diesel e biodiesel. Ao todo, 38 projetos foram cadastrados para essa disputa, somando cerca de 5,8 gigawatts (GW) de capacidade instalada.

Leilão LRCAP - Óleo e Biodiesel
Terceiro Leilão de Reservas negociará energia gerada por termelétricas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. Foto: Movimento Econômico

Diferentemente do leilão principal, esses contratos terão prazos menores de suprimento, funcionando como um mecanismo complementar para garantir potência ao sistema elétrico em períodos de maior necessidade.

Projetos de térmicas a gás em Alagoas entram na disputa de leilão

Entre os projetos cadastrados para o leilão estão sete termelétricas a gás natural planejadas pela Origem Energia, na planta da empresa em Pilar, na Região Metropolitana de Maceió.

Em entrevista ao Movimento Econômico, a diretora de comercialização da Origem Energia, Flávia Barros, explicou que as usinas fazem parte da estratégia da empresa de ampliar o uso do gás natural produzido em seus ativos no estado, integrando geração elétrica, produção onshore e projetos de estocagem subterrânea. A execução dos empreendimentos, no entanto, depende diretamente do resultado do leilão.

“Os nossos produtos estão aptos a participar de qualquer um dos produtos do certame, começando em 2028. Então, portanto, os projetos que vão ser, de fato, executados e construídos são os que forem consagrados no leilão, daí partiremos para a execução”, disse.

A Origem já havia anunciado que pretende investir em termelétricas em Alagoas até 2030, como parte do projeto que inclui ainda a operação de Estocagem Subterrânea de Gás Natural, totalizando algo entre US$ 700 milhões em investimentos.

“Esse projeto é muito aderente à estratégia da Origem de ser uma empresa de soluções integradas, coerente com nosso propósito em Alagoas para prover o Nordeste de energia flexível e competitiva”, ressaltou. 

Segundo Flávia, os projetos foram estruturados para atender ao novo perfil de demanda do sistema elétrico brasileiro.

“Hoje a matriz elétrica brasileira é predominantemente renovável. Isso exige usinas que possam entrar em operação rapidamente para atender os picos de demanda do sistema. Essas térmicas são projetadas justamente para fornecer essa potência quando o operador precisa, funcionando por períodos curtos e sendo desligadas quando não são necessárias”, explicou.

A executiva destaca que a estratégia da empresa de desenvolver o projeto de estocagem subterrânea de gás natural no polo de Pilar pode ajudar a equilibrar a oferta do combustível em momentos de maior demanda do sistema elétrico.

Diretora Comercial da Origem Energia, Flávia Barros
Segundo Diretora Comercial da Origem Energia, Flávia Barros, empresa tem sete termelétricas a gás natural planejadas para a planta localizada em Pilar, Alagoas. Foto: Assessoria

Segundo ela, esse tipo de solução pode ampliar o uso do gás doméstico na geração de energia e reduzir a dependência de combustíveis importados utilizados atualmente em parte do parque termelétrico brasileiro.

“Qual foi a solução que o Brasil adotou até hoje para dar flexibilidade ao sistema? O GNL, que é um gás importado. A estocagem traz uma lupa para a possibilidade de usar o gás doméstico para o atendimento de ponta, para que ele tenha, com a estocagem, a flexibilidade que o GNL muitas vezes traz e que a nossa produção offshore, predominante no Brasil, tem dificuldade de atender”, afirmou.

Transição energética cria demanda para térmicas flexíveis

O avanço das fontes renováveis e a necessidade de flexibilidade do sistema elétrico tendem a abrir espaço para novos modelos de geração térmica no país. Para Barros, a combinação entre produção de gás em terra e projetos de estocagem pode ganhar relevância nos próximos anos, à medida que o sistema passa a demandar usinas capazes de responder rapidamente às oscilações da geração renovável.

“A produção onshore ainda tem muito a ser desenvolvida no Brasil. Uma parte pequena das bacias sedimentares é explorada, então existe espaço para crescimento. Além disso, é uma produção normalmente mais competitiva e mais acessível do que produzir gás a 300 quilômetros da costa”, avaliou.

Segundo a executiva, a combinação entre produção doméstica, estocagem e geração térmica pode representar uma mudança gradual no modelo de suprimento de gás do país.

“Hoje a gente fica muito exposto ao gás importado. O GNL muitas vezes é comprado no mercado spot, então o preço varia com a commodity. É uma quebra de paradigma em relação ao modelo que se desenvolveu no Brasil”, completou.

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