
Deflagrada na manhã desta quinta-feira (27) a Operação Poço de Lobato tem como alvo principal o Grupo Refit, responsável pela operação da Refinaria de Manguinhos (RJ). A ação é conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) e investiga um esquema bilionário de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Ao todo, são 126 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
De acordo com os investigadores, o Grupo Refit é hoje o maior devedor tributário do país, acumulando R$ 26 bilhões em dívidas fiscais. A operação revelou que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano por meio de uma rede de holdings, offshores (como em Delaware), fintechs e 17 fundos de investimento — muitos com cotistas únicos, prática que indica tentativa de ocultação de patrimônio.
Já foram bloqueados R$ 10,2 bilhões em ativos judiciais, e estima-se que R$ 32 bilhões em combustíveis tenham sido movimentados de forma irregular entre 2020 e 2025. Ao todo, a operação cumpre 190 mandados de busca e apreensão (superior aos 126 inicialmente divulgados) em seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Distrito Federal. A ação mobiliza 621 agentes públicos.
Estrutura do esquema e instituições envolvidas
As investigações envolvem 190 pessoas físicas e jurídicas, incluindo importadoras, formuladoras, distribuidoras e postos de combustíveis usados para simular operações interestaduais e evitar o pagamento de ICMS. Entre os crimes investigados estão organização criminosa, sonegação tributária e lavagem de dinheiro.
A operação conta com apoio de diversos órgãos: Receita Federal, Ministério Público de São Paulo, Secretarias da Fazenda estadual e municipal de SP, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Procuradoria-Geral do Estado de SP, além das Polícias Civil e Militar.
Antecedentes e interdição da refinaria
A operação ocorre após o desdobramento de investigações anteriores, como a Operação Cadeia de Carbono, que resultou na apreensão de quatro navios e 180 milhões de litros de combustível, e da Operação Carbono Oculto, ambas envolvendo o Grupo Fit.
Essas apurações levaram à interdição cautelar da Refinaria de Manguinhos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em 26 de setembro de 2025, por irregularidades como:
- Declarações falsas em processos de importação;
- Uso irregular de tanques de armazenamento;
- Emprego de aditivos químicos não autorizados — indícios de adulteração de combustíveis.
O empresário Ricardo Magro, à frente do Grupo Refit, nega as acusações e contesta judicialmente a interdição da refinaria.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deve participar de uma coletiva de imprensa ainda nesta quinta-feira sobre a operação ainda hoje.
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