Com investimento robusto e nova agenda, Copergás conecta Pernambuco com gás natural

Oscilando entre a quarta e a quinta posições entre as maiores empresas de gás natural no Brasil, a Copergás quer tornar o GN popular no estado.
Felipe Valença Copergás
Felipe Valença, diretor presidente da Copergás

Desde que assumiu a presidência da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás), em maio deste ano, Felipe Valença, administrador especializado em finanças corporativas, tem dedicado seu tempo a compreender como esta empresa de economia mista, uma das alavancas do desenvolvimento de Pernambuco, pode ajudar o estado em seu crescimento.

Isso implica fazer o gás natural ser aceito tanto pelo empresário quanto pela dona de casa. Valença entende que o gás natural, indutor da expansão industrial e grande aliado da mobilidade, deve estar também dentro das residências. Hoje, menos de 1% do gás comercializado pela Copergás vai para uso domiciliar. Diante disso, é preciso mudar a cultura do pernambucano, que não despertou ainda para o valor do gás natural, um produto muito mais seguro, barato e limpo do que o gás liquefeito de petróleo (GLP), o famoso gás de cozinha.

Indústrias

O desafio, porém, vai além de levar o gás natural às residências. “Uma parte da indústria entende a importância do gás natural para o negócio, mas é preciso chegar à outra parte, a que ainda não entende. Por isso, estamos fazendo uma aproximação com a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) para que o setor conheça nossa malha de distribuição e nossos projetos de expansão”, revela Valença.

A Fiepe é só parte dos stakeholders ouvidos pela Copergás. A companhia está montando uma agenda ampla para mostrar o quanto o gás natural pode ser competitivo e como irá promover a interiorização do fornecimento, conectando todo o estado. Além dos industriais, secretários de estado, técnicos e empresários de outros setores estão sendo abordados para conhecer os planos da empresa e ajudar a definir prioridades.

“Uma parte da indústria entende a importância do gás natural para o negócio, mas é preciso chegar à outra parte, a que ainda não entende”, diz Felipe Valença

Copergás entre as maiores

Apesar dos desafios, a Copergás tem oscilado entre a quarta e a quinta posições entre as maiores empresas de gás natural no Brasil. Com 30 anos de existência, sua agenda de investimentos segue firme. Segundo Roberto Zanella, diretor Técnico Comercial, o plano de expansão da companhia até 2028 prevê um aporte de R$ 600 milhões.

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Roberto Zanella diretor Copergás
Roberto Zanella diretor técnico comercial da Copergás/Foto: divulgação Copergás

“Até lá, a empresa quer ampliar sua rede, de 1.100 km para 1.850 km, e fazer sua cobertura saltar de 33 para 45 municípios. Hoje, a espinha dorsal do gasoduto em direção ao interior chega a Belo Jardim, no Agreste, mas até 2027 deve alcançar Arcoverde, no Sertão”, explica Zanella.

A Copergás tem muitos projetos para a Região Metropolitana, em cidades como Recife, Olinda e Paulista. “Só em 2023 serão cerca de R$ 90 milhões em investimentos, possibilitando a ligação de clientes de todos os segmentos”, acrescenta.

Para atender localidades que ficam distantes dessa tubulação principal, a Copergás tem investido em projetos de redes locais. Isso tem funcionado bem em Petrolina e Garanhuns, onde o gás natural liquefeito (GNL) chega em caminhões e é injetado na rede local após sua gaseificação. Em Garanhuns, a companhia já está realizando a expansão da rede para atender ao segmento de turismo. Em Petrolina, a previsão é começar as obras de adensamento em setembro, com foco na rede de postos, no comércio e residências.

Copergás
Expansão da rede da Copergás nos centros urbanos leva gás natural às residências/Foto: divulgação Copergás

Segundo Felipe Valença, o modelo usado em Petrolina e Garanhuns pode ser levado a áreas mais desafiadoras, como a região do Araripe, grande produtora de gesso, que ainda usa a lenha como fonte de energia. “De todo modo, a Copergás tem mapeado os polos industriais com interesse de, no futuro, interligá-los”, acrescenta.

A expansão do consumo para o segmento de mobilidade também é um ponto focal da gestão da companhia, já que o gás natural atende a uma camada da população que trabalha com o automóvel, seja motorista de táxi, de aplicativos ou transportadores de encomendas. “Somos a quarta frota de carros movidos a gás no Brasil. Acho justo o desconto”, completa Valença. A empresa tem hoje 105 postos em toda a área de concessão.

Descarbonização

A Copergás também tem estado atenta à agenda da descarbonização. Mesmo sendo o gás natural considerado um elemento da transição energética, a companhia quer avançar com algo ainda mais limpo: o biometano. A rede de gasodutos da Copergás está apta a receber esse tipo de combustível renovável que, segundo Felipe Valença, será a próxima agenda da companhia.

Luciano Couto Rosa Guimarães Copergas
Luciano Couto Rosa Guimarães, diretor Administrativo financeiro da Copergás

Com contrato firmado com a Orizon, empresa instalada em Jaboatão dos Guararapes e selecionada na chamada pública feita em 2022, a Copergás começa a receber o biometano em setembro e já programa expandir sua oferta, porque a demanda do mercado está em expansão diante da pauta ESG. “Precisamos vender a cultura do gás natural. O desafio é grande porque temos outras fontes de energia, como a solar, a eólica e a hidráulica, mas, para a indústria, o gás natural é uma grande matriz competitiva”, conclui Valença.

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