
O grupo Alvoar, detentor das marcas Betânia, Camponesa e Embaré, confirmou que vai iniciar as operações em Alagoas, no município de Batalha, no mês de julho. A unidade funcionará na fábrica que antes pertencia à Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) e foi adquirida por R$ 60 milhões e vai, na primeira fase, produzir leite em pó.
A CPLA foi adquirida pelo grupo Alvoar em dezembro de 2025 e vem realizando reforma e modernização da unidade de processamento. Os testes de produção já foram iniciados e a previsão é que na primeira fase de operação, a nova fábrica gere 120 empregos diretos.
Em visita realizada nesta sexta-feira (12), o presidente do grupo Alvoar, Bruno Girão, destacou que a segunda fase de operação da unidade prevê a produção de queijos, o que vai ampliar para 180 os postos de trabalho.
“Em julho iniciaremos com a capacidade máxima de produção de leite em pó. Em uma segunda etapa, passaremos a produzir queijo. Inicialmente, esses serão os dois produtos da planta em Alagoas”, explicou.
Girão também destacou que o interesse crescente pela produção de leite na região está relacionado à expansão da fronteira agrícola entre Sergipe, Alagoas e Bahia, região conhecida como Sealba.
“É uma microrregião onde, com a adaptação de sementes, foi possível produzir milho, o que viabilizou a modernização das fazendas com o confinamento do rebanho leiteiro”, disse.

Durante a vistoria, o governador destacou a grandiosidade do empreendimento, ressaltando que a Alvoar é atualmente o quinto maior grupo de lácteos do Brasil.
“Essa indústria tem capacidade para adquirir 400 mil litros de leite por dia. Quando a Natville entrar em operação, também comprará outros 400 mil litros, e a Piracanjuba, mais 200 mil litros. No total, estamos falando de 1 milhão de litros de leite sendo adquiridos diariamente por essas três indústrias. Isso representa a geração de mais de 20 mil empregos na região”, afirmou.

Cadeia do leite atrai grandes empresas para Alagoas
O anúncio de três das maiores empresas de laticínio do país entrando como gestoras da principal cooperativa de leite do estado é uma continuidade de um processo de atração de grandes empresas para os municípios produtores de leite.
No mês de maio, a Piracanjuba oficializou que adquiriu o Laticínio Sertão, que fica no município de Monteirópolis, em Alagoas. O Laticínio Sertão é especializado na produção de queijos e foi fundado em 1955 e possui uma área total de 70 hectares. Entre os itens fabricados estão queijo coalho, muçarela, prato, provolone, ricota, cheddar, requeijão e manteiga, com distribuição concentrada no Nordeste.
Segundo informou a Piracanjuba ao Movimento Econômico na época, o contrato prevê a transferência integral do controle da indústria para o grupo e neste primeiro momento, a produção seguirá com a marca Laticínio Sertão e, gradualmente, passará a incorporar a marca Piracanjuba.

A conclusão da transação está condicionada à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Até a decisão definitiva do órgão, o Laticínio Sertão e o Grupo Piracanjuba seguirão operando de forma autônoma e independente.
Além da Piracanjuba, outras empresas do segmento já anunciaram investimentos. A Natville está construindo uma nova fábrica no município de Batalha com previsão de beneficiar aproximadamente 300 mil litros de leite por dia, além de projetar um faturamento anual de R$ 1 bilhão.
Nesta nova unidade, a Natville está investindo R$ 500 milhões e pretende gerar 500 empregos diretos e 5 mil indiretos, e atenderá centenas de pequenos produtores de todo o Sertão. O governo do estado concedeu R$ 200 milhões em incentivos fiscais para esta nova fábrica.
A outra unidade do grupo funciona em União dos Palmares e foi inaugurada em 2021 e processa 150 mil litros de leite por dia.
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