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Etanol oxigena a gasolina, mas açúcar ainda sufoca o setor sucroenergético

O avanço do etanol deve ampliar a demanda doméstica pelo produto e dar mais previsibilidade às usinas. Mas o ganho interno não elimina o nó externo

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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~4:43
  1. Governo eleva mistura de etanol na gasolina de 30% para até 32%, fortalecendo mercado interno de biocombustível.
  2. Setor sucroenergético permanece preocupado com tarifas impostas pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro, não resolvidas pela medida.
  3. Estados Unidos aplica cotas tarifárias ao açúcar, com sobretaxas que podem dobrar o custo do produto brasileiro.
  4. Aumento do E32 ampliará demanda por etanol e oferecerá previsibilidade às usinas do Nordeste, sustentando renda e produção.
  5. Negociações comerciais com EUA devem considerar conjuntamente etanol e açúcar, produtos da mesma cadeia produtiva brasileira.
Etanol e gasolina
Imagem gerada por Etanol e gasolina /IA/Criação Movimento Econômico

A decisão do governo federal de encaminhar ao Conselho Nacional de Política Energética a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% (E30) para até 32% (E32) reforça uma política brasileira consolidada há décadas, mas não resolve o problema comercial que mais preocupa o setor sucroenergético neste momento: as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro.

Para o presidente do Sindaçúcar-PE e da NovaBio, Renato Cunha, as duas agendas não se comunicam automaticamente dentro da lógica americana de negociação. O aumento da mistura fortalece o mercado interno de etanol, ajuda na descarbonização da matriz de transportes, reduz a necessidade de importação de gasolina e pode aliviar o preço final ao consumidor, já que o etanol tem se mantido mais barato que a gasolina. Mas isso não muda, por si só, a estrutura tarifária que limita a competitividade do açúcar brasileiro no mercado norte-americano.

A leitura do setor é que há uma assimetria relevante na relação bilateral. Os Estados Unidos importam açúcar por meio de cotas tarifárias e o Brasil participa desse sistema, mas o volume que excede a cota enfrenta sobretaxas elevadas, em alguns casos superiores ao próprio valor da mercadoria. Na prática, quando o preço internacional está em torno de US$ 300 por tonelada, a tarifa adicional pode praticamente dobrar o custo do produto brasileiro fora da cota.

Renato Cunha defende que qualquer negociação envolvendo etanol também considere o açúcar. A lógica é simples: cana, açúcar e etanol fazem parte da mesma cadeia produtiva. Abrir mais espaço para o etanol americano no Brasil, sem contrapartida no açúcar, ampliaria o desequilíbrio comercial. Hoje, os Estados Unidos cobram tarifa sobre o etanol brasileiro, enquanto o Brasil também aplica tarifa ao produto norte-americano. O debate, portanto, não é apenas energético, mas comercial.

O avanço do E32 deve ampliar a demanda doméstica por etanol e dar mais previsibilidade às usinas, especialmente num momento em que parte da cana tem sido direcionada ao biocombustível diante de preços menos favoráveis do açúcar. Para o Nordeste, onde a atividade canavieira tem forte peso social e emprega mão de obra em áreas de menor mecanização, a medida pode ajudar a sustentar renda e produção.

Mas o ganho interno não elimina o nó externo. Enquanto os Estados Unidos mantiverem um sistema tarifário restritivo para o açúcar brasileiro e resistirem a ampliar o consumo doméstico de etanol em escala mais robusta, o setor continuará preso a uma equação desigual: o Brasil fortalece sua política de biocombustíveis, mas segue enfrentando barreiras relevantes em um dos mercados mais estratégicos para o açúcar.

SpaceX
O IPO da SpaceX reforça o apetite do mercado por ativos ligados à nova fronteira da economia global. O curioso é que, no dia previsto para o maior IPO do mundo, a Nasdaq abriu em queda. Já as ações da SpaceX subiam 21,7% em sua estreia na bolsa, na sexta-feira (12), elevando o valor de mercado da empresa de Elon Musk para cerca de US$ 1,96 trilhão, acima do PIB de vários países.

Corais
A Constellation está apoiando a restauração de recifes de coral no litoral nordestino por meio de uma parceria com a Biofábrica de Corais, startup pernambucana especializada na recuperação e conservação de ecossistemas recifais. O projeto integra a estratégia de sustentabilidade prevista no Plano ESG 2030 da Constellation. Em 2025, a Biofábrica de Corais foi selecionada no desafio “Inovação pela Vida na Água”, lançado pela Constellation em conjunto com o Energy Hub do Grupo Sai do Papel.

River Shopping Petrolina
A LMS Gestão de Empreendimentos celebra mais uma negociação bem-sucedida com a chegada do restaurante Tio Armênio ao River Shopping Petrolina. A operação marca a primeira unidade da rede no interior de Pernambuco e reforça a atuação da empresa na atração de negócios alinhados ao perfil dos empreendimentos que administra e comercializa.

Data centers
Dados da Agência Internacional de Energia estimam que os data centers consomem atualmente 560 bilhões de litros de água por ano no mundo, volume que pode chegar a 1,2 trilhão de litros até 2030. Diante desse cenário, a advogada Patrícia Lemos, do escritório Pires Advogados, defende que a instalação dessas estruturas seja reavaliada em regiões sujeitas à escassez hídrica, secas recorrentes e ondas de calor, preservando a prioridade da água para consumo humano e animal.

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