
Durante o Análise Ceplan 2026, evento realizado no Recife, o economista e ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho fez um diagnóstico que vai além do debate sobre energia renovável, powershoring e neoindustrialização. Para ele, o principal problema do Brasil hoje não é energético nem tecnológico. É político e estratégico.
“O que me incomoda é a falta de um projeto articulado para retomar o desenvolvimento”, afirmou.
A avaliação parte de um cenário que ele considera preocupante. Segundo Coutinho, o Brasil vive mais de uma década de crescimento insuficiente. Após a forte recessão de 2015 e 2016, a economia voltou a crescer, mas em ritmo incapaz de promover uma transformação estrutural. O crescimento médio próximo de 2% ao ano, sustentado em grande medida por políticas de transferência de renda, evita crises sociais, mas não configura um projeto nacional de desenvolvimento.
Na visão do ex-presidente do BNDES, o país passou a discutir excessivamente o ajuste fiscal enquanto abandonou a construção de uma estratégia de crescimento.
“Há uma visão liberal excessiva que coloca a questão fiscal como o principal problema do país. O fiscal é um problema quando a economia não cresce. Quando a economia cresce, torna-se muito mais administrável., criticou.
Para Coutinho, uma coisa é equilibrar a dívida pública com uma economia crescendo 2%. Outra é fazer isso com uma economia crescendo 4%. Não é o fiscal que determina tudo. O que determina tudo é ter um plano consistente e articulado de desenvolvimento.
O economista também questionou o foco excessivo nos cortes de despesas, defendendo uma discussão mais profunda sobre eficiência do gasto público. Segundo ele, o país mantém renúncias tributárias equivalentes a cerca de 5% do PIB, muitas delas associadas a programas ultrapassados, enquanto áreas estratégicas seguem sem coordenação.
Dificuldade política
“Não há uma coalizão organizada de forças pró-desenenvolvimento.” Segundo Coutinho, o Brasil perdeu a capacidade de articular Estado e setor privado em torno de objetivos comuns. A fragmentação política e a ausência de consensos mínimos dificultam a construção de políticas de longo prazo.
“O país enfrenta também um problema político relevante. O desenvolvimento de um país como o Brasil exige um Estado eficiente e um setor privado comprometido com o crescimento. Hoje temos dificuldades em ambas as frentes”
Energia sem desenvolvimento
Embora reconheça a região como uma potência energética — responsável pela maior parte da geração eólica e solar do país —, Coutinho alerta que energia barata, sozinha, não produz desenvolvimento. “O Nordeste é uma fortaleza energética, mas isso não vai resolver a questão do desenvolvimento regional.”
Desafio do Nordeste
Para ele, o desafio do Nordeste é transformar a vantagem energética em cadeias produtivas, inovação, indústria e serviços de maior valor agregado. O economista cita oportunidades concretas em áreas como armazenamento de energia, baterias, hidrogênio verde, bioeconomia, indústria farmacêutica, minerais estratégicos, inteligência artificial e data centers. Mas faz um alerta: sem planejamento e coordenação, o risco é repetir um padrão histórico em que a região exporta recursos e importa desenvolvimento.
Críticas à NIB
A crítica se estende à Nova Indústria Brasil (NIB), principal política industrial do governo federal. Coutinho avalia que o programa possui duas fragilidades centrais: a ausência de uma estratégia exportadora para a indústria brasileira e a falta de regionalização das políticas. “O país precisa pensar o desenvolvimento a partir dos seus territórios.”
Mensagem final
No fim das contas, a principal mensagem deixada por Luciano Coutinho no Análise Ceplan 2026 foi que o Brasil não sofre de falta de oportunidades. Sofre de falta de projeto. E sem projeto, nem mesmo a região mais rica em energia renovável do país conseguirá transformar potencial em prosperidade.
Gado rastreado
A DX – Data Experience, empresa com sede no Distrito Federal e escritório no Recife, começou a implantar no Brasil a plataforma sul-africana ID-Scan, que identifica bovinos por biometria do focinho. A tecnologia reforça a rastreabilidade do rebanho, reduz riscos de fraude e aumenta a segurança em operações de crédito rural, seguros e exportações. A empresa já mantém conversas com frigoríficos, cooperativas e associações de criadores.
Compactos de Alto Padrão
A Exata Engenharia lança o Millennium Urban Home nesta terça-feira (2), no cinema Imax do Shopping Recife. Segundo o CEO Guilherme Correia de Carvalho, projeto mira investidores focados em ativos de forte valorização patrimonial na Zona Sul.
Imobi Talks
O Recife sediará, em 4 de junho, a segunda edição do Imobi Talks, evento que reunirá especialistas de várias regiões do país para debater tendências, desafios e oportunidades do mercado imobiliário. O encontro acontecerá no Moinho Recife Business & Life, com foco em incorporação imobiliária, desenvolvimento urbano, governança, contratos e valorização de ativos. Inscrições pelo Sympla.
Mercado de luxo em alta
O mercado imobiliário de alto padrão em Pernambuco segue atraindo investidores em busca de segurança patrimonial, valorização e qualidade de vida. Com oportunidades que vão da capital ao litoral e ao interior, o segmento vem ampliando sua relevância no estado. Especializada nesse mercado, a Imobiliária Maria de Jesus atua na curadoria de imóveis exclusivos e empreendimentos estratégicos, acompanhando a crescente demanda por ativos premium no Nordeste.
Veja também:
Planejamento vira peça-chave para nova indústria nordestina
Nordeste pode ser a “nova São Paulo” da reindustrialização verde, defendem especialistas
Bisneto compara defesa de Suape à mobilização pela Transnordestina
Ceplan celebra 30º ano com Powershoring Intelligence e fórum sobre NE











