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PE prepara restrição à tilápia e outros pescados do Vietnã após alerta sanitário

Adagro vai publicar portaria limitando circulação de pescados importados e Alepe criará comissão de acompanhamento da piscicultura estadual
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  1. Adagro elaborará portaria para restringir pescados vietnamitas no Estado de Pernambuco.
  2. TiLV é vírus endêmico no Vietnã que causa alta mortalidade em tilápias comerciais.
  3. Alepe criará comissão especial para monitorar riscos à cadeia produtiva local.
  4. Minuta da portaria deve ficar pronta na segunda quinzena de maio.
  5. Pernambuco é quinto maior produtor de tilápia do Brasil, reforçando preocupação sanitária.
Nordeste avança 24% na aquicultura com tilápia em açudes e ostras no mar pescados
Medida é reação à possibilidade de entrada do vírus TiLV (Tilapia Lake Virus), considerado uma ameaça à piscicultura mundial – Foto: MPA/Reprodução

A Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro) anunciou que irá elaborar uma portaria para restringir o trânsito, a comercialização e a distribuição de pescados importados do Vietnã no Estado. O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira (7) durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Paralelamente, a Alepe informou que criará uma comissão especial de acompanhamento para acelerar medidas legislativas e monitorar os riscos para a cadeia produtiva local. A medida será tomada devido à preocupação com os impactos sanitários e econômicos da importação de pescados oriundos do Vietnã.

A audiência, promovida pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural da Alepe, reuniu representantes do setor produtivo, pesquisadores, empresas, órgãos públicos e produtores de tilápia preocupados com a possibilidade de entrada do vírus TiLV (Tilapia Lake Virus), considerado uma ameaça à piscicultura mundial. O vírus, identificado inicialmente em 2014, é associado a altas taxas de mortalidade em tilápias e híbridos da espécie, principalmente em criações comerciais da Ásia, África e Américas.

O presidente da Adagro, Moshe Dayan, afirmou que o Estado possui competência para adotar medidas sanitárias preventivas diante da ausência de informações consideradas seguras sobre os protocolos sanitários vietnamitas. Segundo ele, a proposta da agência é construir uma regulamentação inspirada em iniciativas já adotadas em outros estados, especialmente Santa Catarina.

“Faremos uma portaria para restringir o trânsito e a comercialização desse produto, tendo em vista o desconhecimento do risco sanitário. O risco não é para a saúde humana, mas para a produção animal. A preocupação é contaminar nossa produção e dizimar a cadeia produtiva do Estado”, afirmou.

De acordo com o dirigente, a Adagro pretende reunir informações técnicas e científicas antes da publicação da medida. O processo contará com participação de universidades, produtores, especialistas em engenharia de pesca e instituições de pesquisa. A expectativa é que uma minuta da portaria esteja pronta ainda na segunda quinzena de maio, passando posteriormente por análise jurídica da Secretaria de Desenvolvimento Agrário e da Casa Civil.

Moshe Dayan explicou que a restrição deverá atingir especificamente pescados importados do Vietnã, país apontado como área endêmica do TiLV. “Não existe comunicação clara sobre protocolos sanitários junto à Organização Mundial de Saúde Animal. O vírus é endêmico naquela região e precisamos agir por precaução”, declarou.

piscicultura nas regiões dos Sertões do Pajeú e de Itaparica em Pernambuco, com foco especial na criação de tilápia
Pernambuco ocupa atualmente a quinta posição entre os maiores produtores de tilápia do Brasil. Foto: Sebrae/Divulgação

Alepe vai acompanhar regulamentação

A Assembleia Legislativa também anunciou novas medidas de acompanhamento. Presidente da Comissão de Agricultura da Alepe, o deputado Luciano Duque (Podemos) informou que será criada uma comissão especial para monitorar a situação e apoiar a construção das normas estaduais.

Segundo o parlamentar, o Estado precisa agir preventivamente para evitar que Pernambuco enfrente prejuízos semelhantes aos registrados em crises sanitárias agrícolas anteriores. “Depois que o prejuízo se instala, destrói a atividade. Foi assim com o bicudo do algodão e com outras pragas. Existe uma preocupação preventiva para adotar regras sanitárias mais rígidas”, afirmou.

Duque destacou ainda que a piscicultura vem se consolidando como importante atividade econômica em regiões do Sertão pernambucano. “É uma atividade geradora de emprego e renda muito importante para Pernambuco. Existe preocupação real de proteger esse setor”, disse.

O deputado informou que um projeto de lei já tramita na Alepe propondo mecanismos de controle sanitário, rastreabilidade e fiscalização dos pescados importados. Inicialmente voltado à tilápia, o texto deverá ser ampliado para incluir outros pescados oriundos do Vietnã, como o panga.

Produção pernambucana de tilápia teme impactos econômicos

A preocupação do setor produtivo ocorre em meio ao avanço da entrada de tilápia vietnamita no mercado brasileiro. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram que o Brasil importou 1,6 mil toneladas do pescado apenas no primeiro bimestre de 2026. O principal temor dos produtores nacionais envolve tanto o risco sanitário quanto a concorrência com preços mais baixos praticados pelos importadores.

Pernambuco ocupa atualmente a quinta posição entre os maiores produtores de tilápia do Brasil e lidera a produção no Nordeste. O Estado produz anualmente cerca de 31,7 mil toneladas do pescado, movimentando aproximadamente R$ 415 milhões em valor bruto de produção.

No Sertão, o município de Jatobá aparece como um dos principais polos produtores do país, concentrando parte relevante da atividade econômica ligada à piscicultura. A produção local abastece principalmente mercados regionais e pequenos comerciantes, garantindo renda para centenas de famílias.

Durante a audiência, representantes do setor alertaram que o TiLV possui elevada capacidade de disseminação e pode sobreviver mesmo em produtos congelados. Uma das preocupações discutidas foi a possibilidade de resíduos contaminados entrarem em contato com rios, açudes e reservatórios, ampliando o risco de propagação do vírus nos corpos d’água pernambucanos.

Santa Catarina virou referência

O modelo que inspira Pernambuco foi adotado em Santa Catarina no fim de 2025. O governo catarinense publicou portaria proibindo a entrada, comercialização e distribuição de tilápia proveniente do Vietnã em todo o território estadual. A medida teve como base alertas técnicos emitidos por universidades e especialistas, além da ausência de conclusão da Análise de Risco de Importação (ARI) pelo governo federal.

A chamada política de “tolerância zero” catarinense passou a valer para peixes frescos ou congelados, inteiros ou em filés. O argumento central foi justamente a necessidade de evitar a introdução do TiLV em um dos maiores polos nacionais de produção aquícola.

Leia também: Tilápia do Vietnã avança no Brasil e pressiona produtores de Pernambuco

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