
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a jornalistas ter defendido junto a Donald Trump, durante encontro bilateral nesta quinta-feira, (7) em Washington, que o estadunidense risse mais. No momento da foto oficial do encontro, segundo o presidente brasileiro. ele recomendou: “Ria, ria um pouco. Alivia a alma”, contou Lula.
“Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra”, explicou o presidente do Brasil, quando indagado sobre o que teriam dito os dois mandatários quando o assunto foram as guerras e os riscos de guerras. “É assim que eu acho que a gente deve fazer política”, completou, como se resumisse a própria reunião com Trump, que durou aproximadamente três horas, entre a conversa no Salão Oval e o almoço na Casa Branca.
“Eu disse para ele que eu tenho interesse em discutir qualquer assunto que ele precisar discutir. E quiser discutir comigo sobre Cuba, sobre Venezuela, sobre Irã, sobre o que ele quiser, eu estou disposto a discutir. Porque para mim é mais simples. Eu não tenho vocação belicista. A minha vocação é de diálogo, é acreditar no poder da narrativa, acreditar no poder do convencimento”, disse, ainda, Lula.
“Eu não tenho vocação belicista. A minha vocação é de diálogo, é acreditar no poder da narrativa, acreditar no poder do convencimento”
Conselho de Segurança da ONU
“Falei muito com ele sobre a questão da mudança no Conselho da ONU. É preciso reformar a ONU e que ele, Trump, Xi Jinping, Putin, Macron e o primeiro-ministro da Inglaterra são as pessoas que têm responsabilidade de propor a mudança, porque eles são os membros permanentes do Conselho de Segurança.
Só eles podem tudo. Eles têm direito de veto. Eles têm direito de indicar a Secretaria-Geral da ONU. Nós somos coadjuvantes. Os outros países são coadjuvantes. Então, eu falei para ele, você poderia convidar o Conselho de Segurança para discutir, sabe, as guerras que estão acontecendo no mundo, como é que vai encontrar e fazer parte disso? Vocês podem fazer isso.
Por que não aumenta o Conselho de Segurança da ONU? O Brasil gostaria de participar, há muito tempo o Brasil briga. O México tem tamanho para isso, a Índia tem tamanho para isso, a Alemanha, o Japão, países como o Egito, países como a África do Sul, países como a Angélica, países como mais países africanos, a Etiópia tem 126 milhões de habitantes, a Indonésia tem 200 milhões de habitantes, ou seja, então, o que não falta é país para ajudar a que a ONU volte a funcionar em plenitude. Se a ONU funcionasse bem, poderia acabar metade dos conflitos que você tem armado na África.”
Guerra: começo e fim
“Vocês estão lembrados que a guerra da Rússia e da Ucrânia era para durar três meses, já quase quatro anos. Ninguém sabe, todo mundo sabe como é que começa uma guerra, como termina, ninguém sabe. Ninguém sabe.
Por isso que eu acho que dialogar, conversar é muito mais barato, mais eficaz, não tem vítima, não tem destruição de casa, não tem morte de criança, não tem destruição de escola. Então, isso eu falei ao presidente Trump, porque não é a primeira vez. Quem sabe, a gente um dia vai conseguir convencer, eu já liguei para o Xi Jinping, propondo convocar o Conselho de Segurança, já liguei para o Putin, já liguei para o Macron: ‘gente convide vocês, são cinco pessoas, são cinco países, convoca uma reunião, uma teleconferência, ninguém tem que sair da comodidade do seu gabinete, decida, vamos tomar uma decisão, vamos mudar o Estatuto da ONU, vamos convocar uma Assembleia Especial para discutir isso e vamos criar paz no mundo’.
“Isso foi dito. Espero que ele tenha ouvido.”
Lula: data centers no Brasil
“Nós temos interesse, muito interesse, que os Estados Unidos voltem a investir no Brasil. Aliás, se tem uma coisa que nós queremos fazer é isso, que mais gente vá para investir no Brasil. Nós estamos, quem sabe, o maior investimento de transição energética de todos os países, temos a maior possibilidade. Vamos fazer as coisas acontecerem a partir do Brasil.
Alguém quer fazer data center no Brasil, tem que produzir sua própria energia, porque nós não vamos gastar dinheiro para criar data center para mandar dados para outros países. Nós queremos dados para nós. Agora, nós temos condições de oferecer aos outros países a oportunidade de construir data center, desde que eles arquem com a produção de energia.
É o mínimo que a gente pode exigir.”
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