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O mapa da mina: SGB revela riquezas geológicas de 7 cidades do Nordeste

Sete municípios de AL, BA e MA têm potencial mineral detalhado em mapas do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Ouro, cobre, níquel e titânio estão entre os recursos identificados no Nordeste
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  1. SGB divulga mapas geológicos de sete municípios nordestinos com potencial mineral significativo para pesquisa exploratória.
  2. Nordeste concentra ouro, cobre, níquel, zinco e titânio distribuídos em cidades da Bahia, Alagoas e Maranhão.
  3. Mapas de alta precisão reduzem riscos exploratórios e orientam decisões de investidores e planejamento governamental sustentável.
  4. Câmara aprova fundo de até R$ 5 bilhões para financiar pesquisa de minerais críticos estratégicos.
  5. Mapeamento geológico integra agenda diplomática brasileira sobre potencial mineral em conversas entre Lula e Trump.
Mapas do SGB detalham o conhecimento geológico local e apoiam a pesquisa mineral e a atração de investimentos.
Mapas do SGB detalham o conhecimento geológico local e apoiam a pesquisa mineral e a atração de investimentos. Foto: Camila Cunha/Serviço Geológico do Brasil

O Nordeste tem ouro em Jacobina, Santaluz, Craíbas e Godofredo Viana; cobre em Jaguarari; níquel em Itagibá; e zinco em Juazeiro e titânio em Godofredo Viana. Estas sete localidades na Bahia, Alagoas e Maranhão integram a cartografia dos 50 municípios mineradores que tiveram seus mapas divulgados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). A divulgação das informações detalhadas sobre o território nacional, realizada na quarta-feira (6), no Dia da Mineração, servirá de base para orientar pesquisas, reduzir riscos exploratórios e apoiar o planejamento do setor mineral no país. À noite, a Câmara dos Deputados aprovou fundo garantidor de até R$ 5 bilhões para minerais críticos.

Os mapas foram elaborados pelo SGB-CPRM no âmbito do Programa Mineração Segura e Sustentável e registram formações geológicas, ocorrências minerais e processos minerários ativos junto à Agência Nacional de Mineração (ANM).

Os levantamentos utilizaram escalas entre 1:80.000 e 1:220.000 — cartografia de alta precisão que integra um esforço nacional ainda incompleto: até 2026, apenas 25% do território brasileiro havia sido mapeado geologicamente, o que indica que o potencial mineral do país permanece em grande parte desconhecido.

Os 50 municípios mapeados estão distribuídos em nove estados: Minas Gerais (23), Pará (10), Goiás (5), Bahia (5), Mato Grosso (3), Mato Grosso do Sul (1), Amazonas (1), Maranhão (1) e Alagoas (1).

Segundo o diretor-presidente do SGB, Vilmar Simões, a geração de dados geológicos é essencial para que empresas e investidores tomem decisões com maior segurança e para apoiar o planejamento governamental voltado ao desenvolvimento sustentável dos municípios mineradores. O diretor de Geologia e Recursos Minerais, Valdir Silveira, destacou que os mapas permitem a gestores municipais e comunidades locais conhecerem o nível de detalhe da cartografia geológica e as ocorrências minerais cadastradas em âmbito regional.

Nos últimos anos, o SGB ampliou os estudos sobre minerais críticos e estratégicos — nióbio, grafita, terras raras, níquel, manganês e lítio —, considerados essenciais para a transição energética e a economia de baixo carbono. Em 2026, a instituição lançou a publicação An overview of critical and strategic minerals potential of Brazil, com panorama nacional sobre o tema.

O mapeamento ganha relevância estratégica no contexto da agenda diplomática brasileira: o potencial mineral do país integrou as conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em reunião realizada em Washington nesta quinta-feira (7).

Os sete municípios do Nordeste e seus perfis minerais

Craíbas (AL) registra ocorrência de ouro e formações com potencial para minerais metálicos. As principais estruturas identificadas são o Complexo Arapiraca — com formações bandadas de magnetita e magnetita itabirítica — e a Formação Santa Cruz, composta por quartzito com intercalações de alumínio e xisto. O mapa aponta processos minerários em diferentes estágios junto à ANM, incluindo áreas em concessão de lavra e requerimento de pesquisa.

Jacobina (BA) apresenta o perfil aurífero mais consolidado do conjunto nordestino. O mapa registra múltiplas ocorrências de ouro, manganês, calcário, quartzo, ametista, cálcio e tungstênio — este último associado diretamente ao ouro, dado geológico de relevância estratégica. A Formação Rio do Ouro, composta por metaconglomerado e quartzito, é a unidade central do potencial aurífero do município. O mapa de processos minerários é um dos mais densos do lote, com áreas em concessão de lavra, autorização de pesquisa, requerimento de lavra garimpeira, licenciamento e registro de extração.

Jaguarari (BA) tem no cobre seu principal recurso mineral. O Complexo Máfico-Ultramáfico Vale do Curaçá — com anfibolito, metagabro e metaperidotito — é a unidade geológica central do município e integra o Cinturão Curaçá, um dos principais depósitos cupríferos do Brasil. O mapa também registra ocorrências de manganês, quartzo e cálcio, além de processos minerários ativos em múltiplas categorias junto à ANM.

Santaluz (BA) apresenta diversidade mineral expressiva: ouro, granito, quartzo rosa, manganês, cobre, cromo e cálcio. As formações estão associadas à Sequência Metavulcanossedimentar Rio Itapicuru — cinturão greenstone belt de relevância nacional —, com três unidades distintas: vulcânica félsica, vulcânica máfica e sedimentar, esta última com formação manganesífera. A Unidade Gnaisse Ipirá registra grafita xisto e formação ferrífera bandada.

Itagibá (BA) é o único município nordestino do lote com níquel como recurso principal. O Corpo Mirabela e Palestina — composto por dunito, gabronorito, peridotito e piroxenito — integra o Complexo Máfico-Ultramáfico de Mirabela, um dos maiores depósitos de níquel sulfetado do Brasil. O Complexo Almadina registra ainda formação ferrífera bandada e formação manganesífera. Os processos minerários ativos se concentram sobre o corpo ultramáfico central.

Juazeiro (BA) apresenta o perfil mineral mais diversificado dos sete municípios nordestinos: ouro, ametista, manganês, muscovita, calcário, cálcio, cobre, pirita, feldspato, quartzo, talco e zinco — os dois últimos exclusivos deste município no conjunto analisado. O Grupo Jacobina e o Complexo Itapicuru são as formações de maior relevância econômica. O mapa de processos minerários é o mais denso do conjunto nordestino, com processos ativos em todas as categorias disponíveis na ANM.

Godofredo Viana (MA) registra a maior densidade de ocorrências auríferas do conjunto. O Grupo Aurizona — com filito, formação ferrífera bandada, metachert e xisto — é a unidade central do potencial mineral do município e integra o Cinturão Aurizona, estrutura que abriga a mina operada pela Equinox Gold na região. O mapa também registra titânio, grafita, manganês, cascalho e rocha ornamental, sendo o único município nordestino do lote com ocorrências de titânio.

O fundo para minerais críticos

Na mesma data da divulgação dos mapas, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica, o texto-base do PL 2780/24, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com aporte inicial de R$ 2 bilhões da União e possibilidade de chegar a R$ 5 bilhões, voltado a projetos considerados prioritários pelo Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE).

O projeto prevê ainda incentivos governamentais, prioridade de licenciamento e vedação à exportação de minério bruto sem agregação de valor. O texto substitutivo foi apresentado pelo relator, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).

Leia mais: Câmara aprova incentivo de R$ 5 bi para indústria de minerais críticos

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