
A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e a Fundação Banco do Brasil lançam o programa Um Milhão de Tetos Solares (P1MTS) que, na sua primeira fase, vai implantar pequenas usinas de geração solar para 400 famílias rurais do Semiárido. O investimento será de R$ 8,9 milhões nesta primeira etapa que vai incluir a implantação de três escolas-fábrica de painéis fotovoltaicos nas cidades Remígio (PB), Araripina (PE) e Porteirinha (MG). A iniciativa é muito importante porque vai possibilitar aos pequenos agricultores que moram próximos as estas escolas usarem energia no seu dia a dia.
A expectativa é que as primeiras placas comecem a ser instaladas entre o final de maio e o começo de junho. O programa será lançado no dia 12 de março de 2026, durante a 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, no Lagoa Parque Senhor dos Passos, na cidade paraibana de Remígio. No lançamento, a coordenadora executiva da ASA, Rejane Silva, e o diretor executivo da Fundação Banco do Brasil, Gilson Lima, vão formalizar a parceria que financia a iniciativa.
Cada uma das três escolas vai montar placas fotovoltaicas que vão atender 100 famílias. “O projeto também vai possibilitar a formação de jovens para montar, instalar e gerir os sistemas, incluindo os implantados nas escolas”, comenta o coordenador do Programa Um Milhão de Tetos Solares, Giovanne Xenofonte. A intenção do programa é, no futuro, ter uma escola em cada um dos Estados do Nordeste, além de Minas Gerais. Todos possuem uma região semiárida.

Serão oferecidos cursos gratuitos de formação de eletricista na modalidade de Ensino a Distância (EAD) para 60 jovens das comunidades beneficiadas. Desse total, 20 jovens de cada território serão selecionados para a etapa presencial nas escolas-fábrica, onde ocorrerá a montagem dos painéis solares e será dada uma formação técnica para instalação e manutenção dos equipamentos.
Nesta primeira fase, o projeto terá duração de 18 meses e inclui a implantação das escolas-fábrica, seleção e cadastramento das famílias e instalação dos 300 sistemas fotovoltaicos. As organizações da rede ASA serão responsáveis pela execução do programa.
Os sistemas fotovoltaicos instalados nas propriedades funcionarão de forma independente da rede elétrica (off-grid) e serão usados basicamente para o conforto das famílias – permitindo o uso de eletrodomésticos, produção e beneficiamento de alimentos. Cada família receberá de quatro a seis painéis solares de 2,20 m x 2,30 m, com capacidade de cerca de 550 watts por painel, além de inversor de 3 kW.
“Para irrigar menos de meio hectare, numa irrigaçãozinha básica de manutenção, de salvação, como a gente chama, representa na conta de de energia uma média de R$ 200 a R$ 250 por mês. Desse modo, se essa família, por exemplo, tem uma, um sistema deste e consegue ligar uma bomba (pra fazer irrigação) está economizando R$ 250 por mês”, conta Giovanne. Segundo ele, o consumo médio da baixa renda no Brasil é de R$ 150 quilowatt-hora (kWh) por mês, mas no semiárido, esta média de consumo é mais baixa, porque a energia é cara para os pequenos agricultores.

As placas instaladas que funcionarão fora da rede (off grid) não terão o selo do Inmetro, segundo Giovanne. Mas também serão implantadas placas com o selo do Inmetro que vão funcionar ligadas a rede de distribuição do sistema elétrico (on-grid) para ver como vai ser o comportamento destes pequenos sistemas e o quanto as famílias poderão se beneficiar com a comercialização do excedente de energia.
O programa também inclui uma iniciativa adicional na Região dos Cocais, no Piauí, que vai beneficiar 100 famílias. O projeto será executado pela Obra Kolping, organização da ASA no estado, com apoio da Cáritas Francesa e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O contrato tem duração de quatro anos e investimento de mais de R$ 1 milhão, incluindo a implantação de uma escola-fábrica e sistemas familiares de energia.
A ASA e 1 milhão de cisternas no semiárido
Com a implantação de programas em parceria com outras instituições, a ASA ajudou a implantar mais de 1 milhão de cisternas no semiárido do Brasil. O programa das cisternas começou com a instalação de 450 unidades e foi fundamental para trazer a “primeira água” destinada ao uso humano no semiárido do Nordeste.
A Fundação Banco do Brasil atua em várias causas sociais e – junto com os seus parceiros – investiu R$ 2,7 bilhões em 10 mil iniciativas que impactaram positivamente a vida de 6,8 milhões de pessoas de 3.400 municípios nos últimos 10 anos.
*Com informações da ASA
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