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Choque do petróleo: especialistas alertam para nova alta nos postos do NE

Escalada do conflito no Irã e fechamento do Estreito de Ormuz disparam preços do barril do petróleo e acendem alerta para fretes, alimentos e o custo da safra no Brasil
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Bom de gasolina etanol aumento Petrobras distribuidoras
Enquanto postos de São Paulo já registram aumentos de até R$ 0,50 , em Pernambuco o cenário é de forte pressão sobre o capital de giro dos empresários. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O mercado global de energia entrou em estado de emergência nesta semana. Com o barril do petróleo atingindo a marca de US$ 120 (o maior valor desde 2022) e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde escoa 25% do óleo mundial, o impacto já começou a ser sentido nas bombas de combustíveis do Brasil. Enquanto o G7 discute a liberação de reservas estratégicas, o setor produtivo nacional corre contra o tempo para evitar que a alta internacional descontrole a inflação doméstica e comprometa a competitividade do agronegócio, que já enfrenta uma disparada de 36% no preço da ureia.

​No Nordeste, a situação é ainda mais sensível devido à logística de abastecimento e à dependência de fontes externas. Segundo Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustíveis-PE e vice-presidente da Fecombustíveis, a região sente os reajustes de forma mais veloz que o restante do país.

“No Nordeste, dependemos apenas de cerca de 30% a 35% de produto da Petrobras, enquanto 60% a 65% vêm de importadoras ou de refinarias que seguem o preço internacional. Por isso, quando o barril sobe, o impacto chega imediatamente nas distribuidoras”, explica o executivo, ressaltando que as refinarias privatizadas e as importadoras trabalham com uma fórmula direta baseada no preço do barril somado ao dólar.

combustíveis postos de gasolina e álcool
Aumento no preço dos combustíveis pode ser amenizado com aumento da mistura ou opção pelo etanol. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O impacto nas bombas e a “âncora” do etanol

Enquanto postos de São Paulo já registram aumentos de até R$ 0,50 no diesel, em Pernambuco o cenário é de forte pressão sobre o capital de giro dos empresários. Alfredo Ramos revela que, na última semana, as reposições de estoque vieram com altas pesadas: aproximadamente R$ 1,10 no diesel e entre R$ 0,70 e R$ 0,80 na gasolina.

“O posto não define preço internacional, ele apenas repassa o custo de reposição. Se não repassar, queima estoque, capital de giro e quebra”, afirma o presidente do Sindicombustíveis-PE, acrescentando que, em um ambiente de preços elevados, seria importante o governo avaliar medidas temporárias de alívio tributário para ajudar a atravessar esse período de choque internacional com menos impacto para o setor produtivo.

​Como alternativa ao “nervosismo” do petróleo, o setor sucroenergético surge como um plano de contingência natural, especialmente com a chegada da safra 26/27. Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE, destaca que o planejamento atual já nasce com um perfil mais alcooleiro, destinando 52% da cana para a fabricação de etanol.

“O etanol acrescentado entre 30% e 35% na gasolina, por ser mais barato por litro, funcionaria como uma âncora para coibir a expansão dos preços da gasolina”, defende Cunha. Para ele, o governo precisa encarar a precificação com precisão, uma vez que a duração dos conflitos é incerta e pode encarecer o petróleo por muito tempo.

Fertilizantes e logística

Se nas cidades o medo é o preço da gasolina, no campo o temor é o “apagão” de insumos e a interrupção de rotas comerciais. O Brasil importa 93% dos fertilizantes que consome, e o Estreito de Ormuz é a rota de um terço da ureia mundial. O bloqueio iraniano não apenas encarece o diesel das colheitadeiras, mas ameaça a viabilidade da produção de grãos e carnes.

O Brasil, como maior exportador mundial de carne halal (aquela produzida de acordo com as leis islâmicas), vê o fluxo direto para o Oriente Médio interrompido, o que exige rotas alternativas que aumentam consideravelmente o tempo e os custos logísticos.

​Renato Cunha pondera que, embora Pernambuco esteja atualmente na entressafra e sem utilizar rotas marítimas de exportação, o aumento do frete é uma questão comum que incide sobre todo o mercado global.

“O Brasil vai produzir, na safra 26/27, 41,6 bilhões de litros de etanol. Portanto, o país não tem dificuldades nas questões de abastecimento do etanol. Há uma regularidade, inclusive porque chegamos a exportar o combustível limpo”, explica o presidente do Sindaçúcar-PE.

​Petrobras como “colchão” e o cenário para 2026

Apesar da crise, a Petrobras surge como uma peça estratégica para amortecer o impacto inflacionário. Segundo a diretora técnica do Ineep, Ticiana Álvares, a estatal tem um custo operacional menor que funciona como um colchão para que o aumento não seja ainda maior.

No entanto, o fôlego é limitado pelo fato de o Brasil possuir diversas refinarias privatizadas, como a Rlam na Bahia, que possuem menos mecanismos para segurar preços do que a estatal.

​Os especialistas entendem que o desfecho dessa crise depende da duração do conflito e da disposição do G7 em auxiliar o mercado com suas reservas de emergência. Enquanto o planejamento do Ministério de Minas e Energia não apresenta um plano de contingência explícito, destacam as entidades, o setor produtivo e o consumidor final voltam a conviver com a incerteza.

*Com informações de Agência Brasil

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