
SALVADOR – O iFood movimentou R$ 7,6 bilhões no Nordeste em 2024 e posicionou a região como seu segundo maior mercado no país, com crescimento de 16,4 milhões de pedidos na comparação anual. Os números foram apresentados nesta quarta-feira (29) durante o evento Move+, realizado em Salvador, acompanhado pelo Movimento Econômico como veículo credenciado. O levantamento, desenvolvido pela central iFood Tendências, revela não apenas expansão de volume, mas mudanças estruturais no comportamento alimentar dos nordestinos, cada vez mais orientados pela praticidade, sem abrir mão da tradição.
O estudo mostra que o Nordeste lidera o crescimento nacional em categorias como sorvetes e marmitas, indicando uma adaptação do delivery às condições climáticas e à rotina urbana acelerada das capitais nordestinas. O efeito multiplicador do consumo na plataforma é de R$ 1,3 mil gerados na economia local para cada R$ 1 mil consumidos.
Calor, rotina e conveniência impulsionam consumo
Os números apontam para um aumento de 41% na categoria de sorvetes (que inclui o açaí), o maior registrado no país. Outro destaque é o avanço das marmitas, com crescimento de 30% na região, acima da média nacional de 24%. As comidas saudáveis também avançaram 13%. O desempenho reflete a incorporação do delivery como solução prática para a alimentação durante a semana, especialmente em um contexto de jornadas de trabalho mais intensas e deslocamentos urbanos mais longos.
A análise de dados entre 2024 e 2026 mostra que o delivery deixou de ser associado apenas ao lazer de fim de semana. Hoje, ele se consolida como um aliado cotidiano, integrando consumo e conveniência em uma lógica de otimização do tempo. Em Salvador, a terça-feira registrou crescimento acumulado de 10,3% nos últimos três anos, ritmo 1,6 vez superior à média nacional, indicando que o comportamento de consumo na capital baiana extrapola o padrão dos fins de semana.
Tradição segue como eixo do comportamento alimentar
Apesar das transformações impulsionadas pela tecnologia, o levantamento evidencia que o Nordeste mantém forte conexão com suas tradições gastronômicas. O domingo continua sendo o principal dia de consumo, representando 19,4% do total de pedidos da região — 1,14 vez acima da média do Brasil —, marcado pelo clássico almoço em família, com predominância da comida brasileira.
Já o sábado à noite preserva seu caráter mais descontraído, com pizzas e lanches liderando os pedidos. No consolidado diário, os lanches ocupam a primeira posição entre as categorias mais consumidas, seguidos pela comida brasileira, que ultrapassa a marca de 2,5 milhões de pedidos e supera, inclusive, a pizza, tradicionalmente uma das preferidas no ranking nacional. As sobremesas também ganham espaço: os pedidos às 11h cresceram 57% no Nordeste, contra 44% no restante do Brasil, com o milk shake emergindo como tendência impulsionada pela expansão de grandes redes.
Esse protagonismo também está diretamente ligado ao fortalecimento das culinárias regionais. A culinária baiana registrou crescimento superior a 10%, enquanto a culinária nordestina avançou cerca de 27%. Os números indicam que o delivery tem atuado como vitrine para negócios locais, ampliando a visibilidade e o alcance de sabores tradicionais.
Nordeste ganha protagonismo estratégico
Durante o evento, o CEO do iFood, Diego Barreto, destacou o papel central da região na estratégia da empresa. Segundo ele, o Nordeste representa hoje uma combinação de escala, crescimento e dinamismo.
“O Nordeste representa muitas coisas pro iFood, mas a gente pode falar de crescimento. O volume de crescimento de um ano para o outro foi de 16,4 milhões de pedidos comparando um mês desse ano contra o mês do ano passado”, afirmou.
Barreto também ressaltou que a região já figura como o segundo maior mercado da companhia no Brasil. No comparativo do primeiro trimestre de 2024, 2025 e 2026, todas as capitais nordestinas registraram crescimento consecutivo de pedidos período após período, com Fortaleza e Recife liderando o volume da região.
“A gente pode falar de 181 mil empregos gerados diretamente pelo iFood e via os restaurantes que estão na plataforma. Então o Nordeste representa muita coisa, sinônimo de grandeza, sinônimo de muito dinamismo”, completou.
Nova aposta: integrar o online ao salão
Além da divulgação do levantamento, a empresa anunciou o lançamento do iFood para Comer Fora, um novo produto que busca expandir a atuação da plataforma para além do delivery tradicional, conectando o ambiente digital ao consumo presencial. O dado que sustenta a aposta: 37 milhões de pessoas frequentam restaurantes físicos mensalmente no Brasil.
A iniciativa propõe uma experiência mais integrada para os usuários, com funcionalidades como reserva de mesas, acesso a descontos, cashback e pagamentos diretamente pelo aplicativo. Para os restaurantes, a ferramenta oferece recursos de gestão de filas, inteligência de dados e estratégias de fidelização.
“O Comer Fora é a integração do mundo online com o mundo offline. O iFood construiu os seus 15 primeiros anos fazendo muito esse canal que permitiu os restaurantes venderem à distância. O que a gente está fazendo agora é trazer essa dinâmica de crescimento no mundo online para o mundo offline”, explicou Barreto.
Segundo o executivo, a proposta amplia as possibilidades de ocupação dos restaurantes e melhora a gestão do relacionamento com os clientes. “Essa capacidade de abraçar esses dois mundos vai dar uma outra dinâmica para o restaurante que quer continuar crescendo bastante”, disse.
Salvador no radar da expansão
O novo serviço já começa a operar em Brasília (DF) e Curitiba (PR), com previsão de chegada a Salvador em até 30 dias. A capital baiana será uma das primeiras do Nordeste a receber a novidade, o que tem raízes históricas na relação da empresa com a região: Salvador foi o primeiro mercado nordestino do iFood, com operações iniciadas em 2012.
Na prática, o usuário encontrará no aplicativo uma nova aba dedicada ao iFood para Comer Fora, com informações detalhadas sobre os restaurantes, incluindo localização, imagens e ofertas personalizadas. A proposta também transforma a plataforma em um ambiente de descoberta, incentivando o consumo presencial.
Para os estabelecimentos, a inovação abre caminho para uma atuação mais estratégica, baseada em dados de comportamento. Será possível, por exemplo, identificar padrões de consumo, criar campanhas segmentadas e estimular a recorrência por meio de promoções e programas de fidelidade.
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