
O grupo Atrio Hotel Management, uma das três maiores administradoras hoteleiras do Brasil e operadora de marcas da Accor no país, definiu o Nordeste como prioridade total de expansão e projeta abrir três empreendimentos na região em 2026, além de avaliar processos de fusão e aquisição com operadoras locais de menor porte como estratégia para acelerar o crescimento. As informações foram prestadas por Beto Caputo, CEO do grupo, em entrevista ao Movimento Econômico durante a WTM Latin America 2026, em São Paulo.
“Eu me arrependo muito de ter demorado para ir para o Nordeste e começar a fazer negócio lá. Hoje é prioridade total do grupo”, afirmou Caputo. O executivo destacou o perfil complementar da região, que combina demanda corporativa e de eventos em determinadas épocas do ano com forte apelo de lazer e turismo cultural no restante do calendário. “Você pega o Recife. Recife tem uma época do ano que tem muito negócio, muito evento. E a outra época do ano tem lazer, tem turismo, tem eventos culturais, carnaval. É um mercado muito legal para uma empresa como a nossa”, disse.
O grupo Atrio Hotel Management encerrou 2025 com receita bruta próxima de R$ 1,2 bilhão, alta de 33,64% sobre os R$ 892 milhões registrados em 2024. A taxa de ocupação dos hotéis administrados avançou de 55% para 58%, a diária média cresceu 20% e o RevPAR subiu mais de 25%.
O portfólio chegou a 82 hotéis e 12.574 unidades habitacionais em operação. Fundado há mais de 35 anos em Joinville (SC), o grupo opera principalmente com marcas da Accor — ibis, ibis Styles, ibis Budget, Mercure, Novotel e Grand Mercure — além da bandeira própria Aēra, lançada em 2024. A meta do grupo é superar 150 hotéis sob gestão e R$ 100 milhões de EBITDA até 2029.
Para atingir a meta de 150 hotéis sob gestão até 2029, Caputo sinalizou que o Nordeste deve contribuir de forma relevante, tanto por meio de novos projetos da Livá quanto por aquisições. “O Nordeste tem uma série de pequenas operadoras, players menores, que podem ter interesse em se juntar a nós para atingir esse crescimento”, afirmou, sem detalhar negociações em andamento.

Três aberturas previstas para 2026
Os projetos confirmados para este ano são o Vilaruna Maragogi, empreendimento de multipropriedade em Maragogi (AL) desenvolvido pela Livá Hotéis & Resorts, braço de resorts e lazer do grupo; o Alma Aramis, primeiro branded residence do grupo, localizado na Península de Maraú (BA), com 22 casas de alto padrão em condomínio de luxo, em parceria com a incorporadora mineira F2; e o Riacho Doce, empreendimento de multipropriedade pé na areia próximo a Maceió.
O Vilaruna fica próximo ao ibis Styles Maragogi, unidade que o próprio Caputo classificou como uma das mais bem-sucedidas do grupo. “Demorou o primeiro ano para a gente conseguir colocar ele de fato no mercado, mas depois ele foi embora”, disse, referindo-se ao desempenho do hotel após o período inicial de operação.
O executivo avaliou que a chegada de novos produtos beneficia o mercado como um todo. “Especialmente em lugares como Maragogi, você tinha muito pouca oferta ou uma oferta muito pouco qualificada. Havia os grandes resorts e depois não tinha mais nada no meio. A gente ocupa essa faixa intermediária, com preço um pouco menor do que os grandes resorts e com entrega bastante consistente”, afirmou.
Branded residences como novo segmento
O Alma Aramis, na Península de Maraú, representa a entrada do grupo no segmento de branded residences — modelo em que unidades residenciais de alto padrão são comercializadas com a gestão e a marca de um operador hoteleiro. Com VGV de R$ 120 milhões, o empreendimento fica posicionado entre a Lagoa do Cassange e o mar, em uma praia exclusiva.
As obras estão concluídas e a operação começa neste primeiro semestre de 2026. As casas foram vendidas majoritariamente para compradores de Minas Gerais, com diárias entre R$ 3.000 e R$ 5.000 na alta temporada e acima de R$ 10.000 em períodos como Réveillon e janeiro.
“É uma tendência mundial e não é diferente no Nordeste. Você tem uma série de condomínios que combinam hotelaria e residências. O Fasano é um exemplo bem conhecido. A gente vai entrar agora inaugurando o Aramis”, disse Caputo.

Pipeline 2027 e 2028
Para 2027, o grupo prevê a abertura do Innerhaus Fortaleza (CE), desenvolvido em parceria com a CVPar, holding cearense, com 77 apartamentos de luxo destinados à hotelaria e 92 unidades residenciais na orla do Meireles, com VGV estimado em R$ 140 milhões. Para 2028, o pipeline inclui o Village Itaparica (BA) — apontado por Caputo como o primeiro resort do Brasil, totalmente demolido e reconstruído — e o CR Design by Pininfarina, em São Miguel dos Milagres (AL), com 280 apartamentos, dos quais 74 unidades formam um bloco hoteleiro.
A alta das passagens aéreas provocada pela crise do petróleo no Oriente Médio foi avaliada por Caputo como fator favorável ao turismo doméstico de lazer e, em particular, ao Nordeste. “O turismo de lazer se planeja com mais antecedência. Se você compra o alojamento com antecedência, ainda consegue passagens com valor bem competitivo. E ainda mais competitivo quando comparado com pacotes no exterior, porque além das passagens internacionais ficarem mais caras, você tem lá fora uma inflação em dólar no turismo”, disse. “Para que eu vou para o Caribe se posso ir para Maragogi? O Caribe é maravilhoso, mas Maragogi também é. E é muito mais rápido, mais acessível e uma experiência brasileira”, completou.
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