
O modelo de branded residences — condomínios de alto padrão com serviço hoteleiro integrado — avança como tendência estrutural no turismo brasileiro e o Nordeste está na linha de frente desse movimento. A Livá Hotéis & Resorts, braço de lazer e multipropriedade do grupo Atrio Hotel Management, tem seis projetos em desenvolvimento na Bahia, Alagoas e Ceará com entregas previstas entre 2026 e 2028, também nos formatos de multipropriedade e uso misto, todos distintos do modelo tradicional de hotelaria e mais focados no segmento de luxo.
Com prospecções em andamento também em Pernambuco e na Paraíba, a empresa posiciona a região como principal frente de expansão do grupo para os próximos anos. “Os terrenos estão cada vez mais caros. Como eu viabilizo um hotel? Eu vendo o residencial por metro quadrado, viabilizo o projeto, pago o terreno, parte da obra, e construo o hotel”, disse João Cazeiro, diretor de Desenvolvimento e Novos Negócios da Livá, em entrevista ao Movimento Econômico durante a WTM Latin America 2026, em São Paulo.
Cazeiro explicou a divisão estratégica dentro do grupo: enquanto a Atrio opera hotéis urbanos e de negócios com marcas internacionais, a Livá foca exclusivamente em destinos de lazer, resorts e empreendimentos com serviço hoteleiro integrado. O modelo de branded residences exige, segundo ele, que o condomínio hoteleiro seja concebido desde a origem com serviços inclusos. “Se não tiver isso combinado antes da venda, você não consegue operar depois. A pessoa quer o condomínio mais barato e aí você não consegue ter a equipe necessária”, explicou. O executivo citou como referências nacionais o Rose Hotel em São Paulo, o Faena, o Fazenda Boa Vista e o W de Gramado.
O Alma Aramis, em Maraú (BA), desenvolvido em parceria com a incorporadora mineira F2, tem Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 120 milhões e 22 casas vendidas majoritariamente para compradores de Minas Gerais. As obras estão concluídas e a operação começa no primeiro semestre de 2026. “Ele ficou entre a lagoa e o mar. Você tem o privilégio de estar na lagoa e o privilégio de estar no mar, em uma praia extremamente exclusiva”, disse Cazeiro. As diárias variam entre R$ 3.000 e R$ 5.000 na alta temporada, com valores acima de R$ 10.000 em períodos como Réveillon e janeiro. “Ali naquela região de Maraú tem muito mineiro, mineiro da grande Belo Horizonte, que acaba comprando muito lá”, relatou.
Alagoas no pipeline nordestino da Livá
Com entrega prevista para o final de 2026, o Riacho Doce é um empreendimento de multipropriedade pé na areia na Praia de Riacho Doce, em Maceió (AL). Com 15 andares, o projeto tem conclusão de obra prevista para o final do ano. “É um hotel de lazer, um pouco mais midscale, pé na areia, com uma estrutura legal”, disse Cazeiro.
Também com entregas parciais em 2026 está o Vilaruna Maragogi (AL), empreendimento misto que combina unidades unifamiliares e multipropriedade. O primeiro bloco — o unifamiliar — tem entrega prevista para o final deste ano. Os blocos de multipropriedade seguem para 2027, quando o empreendimento terá estrutura hoteleira completa com mais de 200 quartos.
O ibis Styles Maragogi, operado pela Atrio no mesmo destino, registrou ocupação recorde no verão de 2025. “A gente quer fazer muitos hotéis igual ao Maragogi. Ele democratiza o turismo, dá acessibilidade para todo mundo”, afirmou Cazeiro.
A proximidade com o futuro Aeroporto Costa dos Corais foi destacada como fator estratégico para transformar Maragogi em destino de permanência. “Com o aeroporto, a gente vai ter um destino mais fim e não um destino de transição. Hoje tem um turismo de bate e volta muito grande, porque o estrangeiro não quer andar duas horas de transfer”, afirmou.
Village Itaparica, Innerhaus e CR Design by Pininfarina
Para 2027, está prevista a abertura do Village Itaparica (BA), que ocupa o terreno do antigo Club Méditerranée que Cazeiro descreveu como o primeiro resort do Brasil. O complexo foi totalmente demolido e reconstruído. A primeira fase tem entrega de obra em março de 2027, com mix de multipropriedade, hotelaria e branded residences.
Também para 2027 está o Innerhaus Fortaleza (CE), desenvolvido em parceria com a CVPar, holding cearense. Com 77 apartamentos de luxo destinados à hotelaria e 92 unidades residenciais na orla do Meireles, o empreendimento tem VGV estimado em R$ 140 milhões e será operado pela plataforma InnerHaus by Xtay Atrio. “É um hotel de altíssimo padrão, lifestyle, moderno, que mistura hotel com apartamento de moradia e de locação”, disse o executivo.
Para 2028, o pipeline inclui o CR Design by Pininfarina, em São Miguel dos Milagres (AL). O empreendimento tem 280 apartamentos, dos quais 74 unidades formam um bloco hoteleiro que proverá serviços para todo o complexo. “É um branded residence no mesmo formato, muito bonito, parece uma espaçonave”, descreveu Cazeiro.
Prospecções no interior e enoturismo
Além do litoral, a Livá está prospectando oportunidades no interior nordestino. Cazeiro citou conversas em andamento em Pernambuco, na região de Gravatá, e confirmou olhar atento para o litoral sul do Ceará, incluindo Preá e Mucuripe, além do litoral norte do Ceará. O executivo destacou João Pessoa (PB) como mercado prioritário da Livá no momento. “João Pessoa explodiu grande no turismo e a gente tem olhado muito forte para lá”, disse Cazeiro. “O Nordeste para mim ainda tem muito a desenvolver. O que tem lá desenvolvido não chega a 5% do potencial”, afirmou.
No segmento de enoturismo, a Livá avança em duas frentes no Nordeste: prospecção na Chapada Diamantina (BA) e na região do Rio São Francisco. A empresa abre uma unidade em Bento Gonçalves (RS) em junho de 2026 e tem outra em negociação no interior de São Paulo, com a mesma lógica de expansão prevista para o Nordeste nos próximos anos.
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