
Pernambuco concentra o maior pavilhão de eventos em área única do Nordeste — 19.900 metros quadrados no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda. Somando os espaços do Recife Expo Center, do RioMar Centro de Eventos e do Centro de Eventos Recife, o estado alcança mais de 30.000 m² de área disponível, responsável por atrair cerca de 1,8 milhão de visitantes por ano. Com essa infraestrutura como base, o trade turístico do estado lançou o projeto Pernambuco + MICE durante a WTM Latin America 2026, em São Paulo, reunindo os Convention & Visitors Bureau do Recife, de Porto de Galinhas e de Fernando de Noronha sob uma estratégia integrada de captação e promoção do turismo de eventos, com apoio da da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur). MICE é a sigla do segmento Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions.
“Os destinos são complementares e não competem entre si. Noronha tem um perfil de luxo e incentivo, Porto de Galinhas atende incentivo em outra proporção de grupos, e Recife tem vocação para o técnico-científico e corporativo”, afirmou Hellen Lopes, diretora executiva do Recife Convention & Visitors Bureau ao Movimento Econômico. “Enxergamos muito mais possibilidade de aumentar o nível de experiência de qualquer tipo de evento do que competição entre os destinos”, completou.
O projeto Pernambuco + MICE já registra resultado concreto: um congresso internacional da área de medicina veterinária, previsto para 2027, foi captado ainda no ano passado durante evento na Austrália, com uso combinado das políticas de apoio do governo estadual e da estrutura conjunta dos três bureaux. Como comparação de áreas para eventos, o Ceará opera com dois pavilhões de 12.000 m² cada, sem a continuidade de um único espaço integrado como o de Olinda.
Mão de obra e qualificação
“A gente uniu as políticas de apoio do governo para dar mais benefícios a quem capta eventos para Pernambuco”, disse Diogo Beltrão, diretor de comunicação e marketing da Empetur. Os próximos passos do Pernambuco + MICE incluem participação em outras grandes feiras nacionais de turismo, com presença dos três convention bureaux e do trade pernambucano focado no setor.
A iniciativa caminha para a formalização de uma Federação Pernambuco de Convention Bureaux, modelo inspirado na estrutura da Unidestinos, associação nacional do setor. “A ideia é fazer uma federação em que os três congregam, não competem”, disse Hellen. O Pernambuco + MICE é a primeira ação conjunta dos três bureaux, ainda antes da formalização da federação, com a Empetur como apoiadora institucional.
Beltrão destacou que Pernambuco é pioneiro no segmento no Nordeste, com atividade de eventos iniciada nos anos 1970 com a inauguração do centro de convenções. A pandemia, porém, reduziu a mão de obra qualificada disponível. Para recompor esse estoque, o governo estadual estruturou um programa de qualificação com mais de 4.000 vagas de treinamento voltadas especificamente ao segmento MICE em 2026, em parceria com Sebrae, Senac e Sesi.
Papel estratégico de cada destino no Pernambuco + MICE
A estratégia distribui funções distintas entre os três destinos. Recife atua como hub urbano para grandes congressos, feiras e eventos corporativos. Porto de Galinhas foca em convenções de vendas, conferências e eventos de incentivo realizados dentro dos próprios resorts, que dispõem de centros de eventos integrados. “O cliente entra no resort, une a experiência do destino com a estrutura de eventos sem precisar sair. É uma imersão completa”, disse Hellen Lopes.
Fernando de Noronha se posiciona no segmento premium de incentivo e premiação para grupos pequenos, respeitando o limite diário de visitantes da ilha. “O conceito para Noronha não é levar congresso nem eventos de médio e grande porte. São grupos pequenos, programados com antecedência e alinhados à capacidade de assentos das companhias aéreas. Nunca tivemos problema com limitação de acesso”, afirmou a executiva.
A restrição da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) sobre patrocínio de eventos em resorts de lazer foi citada como fator que reduziu o volume de eventos técnico-científicos em Porto de Galinhas nos últimos anos, redistribuindo parte desse fluxo para Recife.

Cultura e culinária pernambucanas no estande
A presença de Pernambuco na WTM vai além da promoção de destinos. O estande da Empetur apresenta uma experiência imersiva centrada no artesanato, na gastronomia e nas tradições populares, com obras de Tracunhaém, município reconhecido pela produção em cerâmica figurativa, e a presença do Maracatu Piaba de Ouro, de Olinda.
A cenografia inclui 16 flâmulas de quatro metros de altura, produzidas por mais de 50 artesãos de diferentes maracatus do estado, com a mesma técnica das golas dos caboclos de lança. O espaço recebe ainda apresentações do balé Entre Passos, de Gravatá, com dança, frevo e maracatu rural, e o Café Pernambuco, com cafés produzidos em Taquaritinga do Norte e Triunfo, culinária assinada pela chef Paula Machado, de Caruaru.
“Ao trazer representantes da nossa cultura popular e da nossa gastronomia, conseguimos traduzir, de maneira autêntica, aquilo que o estado tem de mais forte como ativo turístico — a sua identidade. Essas experiências não são apenas expositivas, elas geram conexão, despertam interesse e criam memória”, disse Eduardo Loyo, presidente da Empetur. Cerca de 70 representantes do trade turístico pernambucano estão presentes no evento.
WTM como plataforma estratégica
Feiras como a WTM são tratadas pelo estado como plataforma central de geração de negócios. “A WTM é uma das principais feiras do nosso calendário e uma plataforma estratégica de geração de negócios para o turismo em todas as suas frentes, do litoral ao Sertão. Ao promover esse encontro entre a nossa cultura e os principais players do turismo da América Latina, Pernambuco reforça seu posicionamento como um destino diverso, competitivo e preparado para ampliar sua presença no mercado”, disse Beltrão.
Durante o evento, o estado apresenta ao trade a nova rota internacional entre Recife e Praia, em Cabo Verde, operada pela Cabo Verde Airlines, reforçando o posicionamento de Recife como ponto de conexão entre América do Sul, África e Europa.
Crise do petróleo e conectividade
A alta nas passagens aéreas provocada pela crise do petróleo no Oriente Médio ainda não se traduziu em queda perceptível na demanda por eventos em Pernambuco, segundo Beltrão. A posição de Recife como hub da Azul Linhas Aéreas é apontada como fator de proteção parcial. “As companhias estão incentivando vendas para Pernambuco por ser esse grande hub do Nordeste”, disse o diretor.
O governo estadual mantém isenção de ICMS sobre combustível de aviação como medida de contenção do impacto tarifário. Beltrão afirmou que as vendas futuras estão sendo monitoradas de perto para avaliar se o cenário de alta dos combustíveis começa a afetar a captação de eventos programados para os próximos meses.
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