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Enquanto o Brasil desacelera, o Agreste acelera: o novo mapa da indústria têxtil

Enquanto o Brasil cresce na base da cadeia têxtil e encontra dificuldades na ponta, Pernambuco avança justamente no elo final
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Toritama centro da moda
Moda made in Pernambuco/Foto: Alysson Souza

A indústria têxtil brasileira voltou a crescer em 2025, mas os dados revelam um movimento mais complexo do que aparenta à primeira vista. De um lado, a produção de insumos — fios e tecidos — avançou entre 5,6% e 6,8% no acumulado do ano (janeiro a novembro frente ao mesmo período de 2024), desempenho significativamente superior ao da indústria de vestuário, que cresceu apenas cerca de 0,7%. No agregado da indústria nacional, a expansão foi ainda mais modesta, em torno de 0,6%.

Esse descompasso não é trivial. Ele mostra que o setor têxtil brasileiro segue em trajetória de recomposição e ajuste após o ciclo de forte recuperação do pós-pandemia, enquanto a ponta final da cadeia — a confecção — enfrenta um ambiente mais restritivo, marcado por crédito caro, concorrência de importados e uma demanda ainda seletiva.

Mas é justamente nesse ponto que Pernambuco contraria a lógica nacional. Dados do IEMI indicam que a indústria de vestuário pernambucana apresentou crescimento consistente entre 2024 e 2025, com destaque para a geração de empregos. O número de trabalhadores diretos avançou 14,8%, muito acima da expansão de 2,4% no total de unidades produtivas. Trata-se de um sinal claro de intensificação produtiva: mais produção sendo extraída de uma base empresarial que cresce pouco.

O volume produzido aumentou 2,8%, enquanto o valor da produção cresceu 7,4%, sugerindo um movimento importante de ganho de valor agregado. Em outras palavras, não se trata apenas de produzir mais peças, mas de vender produtos com maior valor médio — um indicativo de amadurecimento do setor.

Esse desempenho está diretamente ligado à dinâmica do Polo de Confecções do Agreste, que abrange municípios como Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. O polo opera com uma lógica própria: forte integração entre produção, distribuição e venda, elevada capilaridade e grande aderência ao consumo de massa.

O mercado interno, aliás, é o principal motor desse crescimento. O potencial de consumo em Pernambuco avançou 5,8%, superando R$ 8,9 bilhões, enquanto o número de pontos de venda especializados cresceu 4,8%. A combinação de aumento de renda, expansão do emprego e fortalecimento do varejo local criou um ambiente favorável para o setor.

No entanto, o cenário não é isento de contradições. As exportações cresceram 8,7% em volume, mas registraram queda de 10,9% em valor. Isso indica redução de preços médios ou perda de valor agregado no mercado externo — um sinal de alerta para a competitividade internacional do estado.

A estrutura produtiva também revela limitações. Pernambuco concentra 4,9% das unidades produtoras do país, mas responde por apenas 2,5% da produção total. Isso evidencia uma base industrial pulverizada e de menor escala média, o que impacta diretamente a produtividade.

Ainda assim, o contraste com o cenário nacional é evidente. Enquanto o Brasil cresce na base da cadeia têxtil e encontra dificuldades na ponta, Pernambuco avança justamente no elo final, impulsionado pelo consumo e pela intensidade do trabalho.

Esse movimento sugere uma mudança importante no mapa da indústria da moda no país. O dinamismo não está necessariamente nos grandes centros industriais tradicionais, mas em arranjos produtivos regionais que conseguem responder com mais agilidade às demandas do mercado interno.

Desafio do setor têxtil

O desafio, daqui para frente, será transformar esse crescimento em ganhos estruturais. Isso passa por aumento de produtividade, maior escala, inovação e, sobretudo, ampliação da inserção internacional com produtos de maior valor agregado.

O Agreste pernambucano já provou sua força como gerador de emprego e renda. O próximo passo será consolidar sua competitividade em um mercado cada vez mais globalizado — e mais exigente.

Se conseguir avançar nessa direção, o polo não apenas continuará crescendo: poderá redefinir o papel da indústria de confecções brasileira no cenário nacional.

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