
O Programa 5G Rural, iniciativa que promete levar conectividade de alta velocidade a regiões historicamente desassistidas por infraestrutura de telecomunicações no Ceará. A parceria público-privada (PPP) entre o Governo do Estado e a Brisanet, empresa cearense fundada em Pereiro, no sertão, prevê a implantação de mil torres com tecnologia 5G ao longo dos próximos quatro anos, beneficiando mais de 300 localidades em 133 municípios. Com a iniciativa, o Ceará tende a se tornar o primeiro estado brasileiro com cobertura 5G em 100% do território.
A implantação seguirá um calendário escalonado: 300 torres em 2026, outras 300 em 2027, 200 em 2028 e as últimas 200 em 2029. O presidente da Brisanet, José Roberto Nogueira, foi direto ao definir o que está em jogo: “Não existem negócios sem conectividade. O futuro está dependente desta infraestrutura e é por isso que ela precisa chegar em todos os lugares.”
Para Nogueira, o programa vai além de uma operação comercial. É, nas suas palavras, uma questão de equidade: “Quem está na zona rural também precisa acompanhar os avanços das tecnologias. As políticas públicas precisam dessa tecnologia, os serviços precisam.”
O governador Elmano de Freitas reforçou que a chegada da internet à zona rural não se resume à navegação em redes sociais. “A ideia é avançar em tecnologia com câmeras de segurança, avançar em consultas médicas digitais. A internet chegar é sinônimo de cidadania, não tem inclusão social sem acesso da internet nas comunidades”, disse.
Com cerca de 3 milhões de cearenses vivendo na zona rural, o impacto potencial é expressivo. Serviços de telemedicina, plataformas de ensino a distância, monitoramento de lavouras por aplicativos e acesso a benefícios sociais digitais são algumas das transformações que a conectividade pode destravar nessas regiões. Elmano também destacou o avanço já conquistado: “A Brisanet já garantiu 98% dos nossos municípios com 5G. Seremos o único estado do país 100% conectado com 5G”, disse.

O desafio de manter o que se constrói
Nogueira foi honesto sobre as dificuldades que o programa enfrenta. “O grande desafio, como qualquer tecnologia, é o investimento e depois cuidar desse investimento. A área rural sempre foi uma dificuldade. Os projetos de áreas rurais precisam da participação da política pública com um modelo que se perpetue”, afirmou.
A solução encontrada foi justamente o modelo de parceria público-privada: os custos foram divididos entre a empresa e o poder público, tornando o projeto economicamente viável onde o mercado, sozinho, não teria incentivo para atuar. Nogueira também antecipou a durabilidade da infraestrutura: “O equipamento instalado terá um recurso de software e somente daqui a dez ou 15 anos faremos um upgrade”, o que assegura retorno de longo prazo sobre o investimento.
De nada adiantaria a infraestrutura se o serviço fosse inacessível para o bolso do trabalhador rural. A Brisanet garantiu que o mesmo preço praticado na periferia de Fortaleza chegará ao campo. “São 20 gigas por R$ 29. No Brasil, o giga médio é R$ 5,60; o nosso está em R$ 1,50 no plano mais simples”, explicou Nogueira.

Segurança das torres entra na agenda
Um ponto sensível do programa diz respeito à proteção da infraestrutura instalada. Nos últimos anos, ataques de organizações criminosas a torres de telecomunicações e provedores de internet no interior do Nordeste geraram prejuízos e interrupções de serviço. O governador adiantou que já existe um plano para essas ações: “A Secretária de Segurança Pública desenvolveu um protocolo específico para ataques a provedores e empresas que atuam no setor. A nova lei contra facções prevê pena mínima de 20 anos para quem ameaçou e de 40 a 80 anos para quem mandou ameaçar. É um plano para prender e derrotar essas forças criminosas”, declarou Elmano.
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