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Ceará quer transformar megadata center em âncora de polo tecnológico

Omina ergue no Pecém o maior data center da América Latina para o TikTok: R$ 200 bi, energia verde, 30 m³ de água por dia e fornecedores cearenses na frente
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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Wellysson de Moura Costa, Diretor de Implantação da Omina: 'Esse será o maior data center da América Latina' - Foto: Divulgação
Wellysson de Moura Costa, diretor de Implantação da Omina: “Esse será o maior data center da América Latina'”. Foto: Divulgação

O Ceará aposta no maior data center da América Latina como ponto de partida para construir um novo polo tecnológico no Porto do Pecém. A estratégia do governo estadual e da ZPE Ceará é usar o empreendimento da Omina, plataforma de infraestrutura digital criada pelo Patria Investimentos, como empresa âncora para atrair outras companhias globais de tecnologia.

O projeto, que terá capacidade de 300 megawatts de potência e 200 megawatts de TI, está sendo construído no Complexo Industrial e Portuário do Pecém e tem como cliente a ByteDance, empresa chinesa controladora do TikTok. A previsão é que a primeira fase entre em operação no segundo semestre de 2027.

Durante a Feira da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), o presidente da ZPE Ceará, Fábio Feijó, afirmou que o objetivo é transformar o investimento em um catalisador de um ecossistema tecnológico no estado, replicando em escala maior iniciativas como o Porto Digital, em Pernambuco.

A aposta se baseia em três fatores estruturais: a oferta de energia renovável, a conectividade internacional de Fortaleza, que concentra cabos submarinos de fibra óptica, e os incentivos fiscais da Zona de Processamento de Exportação. Segundo Feijó, essa combinação cria condições para atrair empresas globais de infraestrutura digital e serviços tecnológicos.

Data center avança

Enquanto essa estratégia avança, a obra do data center já entrou na fase de implantação. As atividades começaram em janeiro de 2026 e seguem em ritmo acelerado. A supressão vegetal foi concluída, a terraplenagem está praticamente finalizada e as primeiras fundações já estão em execução.

De acordo com Wellysson de Moura Costa, diretor de implantação da Omina, a montagem eletromecânica deve começar no segundo semestre deste ano. O cronograma prevê que a primeira etapa entre em operação em 2027 e que o empreendimento completo seja concluído em cerca de 40 meses.

Além da infraestrutura principal, o projeto mobiliza uma cadeia relevante de investimentos associados. A Casa dos Ventos, por exemplo, vai investir R$ 3,7 bilhões na construção de novos parques eólicos e solares no Ceará para garantir que toda a energia consumida pelo data center seja proveniente de fontes renováveis.

Também estão previstos cerca de 100 quilômetros de fibra óptica entre Fortaleza e o Porto do Pecém, com investimento de R$ 80 milhões, além da implantação de uma subestação de alta tensão avaliada em R$ 300 milhões para reforçar o fornecimento elétrico da região.

Na fase de construção, a expectativa é gerar cerca de 3.800 empregos diretos e aproximadamente 20 mil postos de trabalho entre diretos e indiretos. Na etapa de operação, o empreendimento deverá empregar cerca de 400 profissionais especializados em tecnologia e operação de infraestrutura digital.

O data center terá consumo diário de apenas 30 metros cúbicos de água. Desse total, 27 metros cúbicos serão usados para consumo humano dos cerca de 400 operadores, enquanto apenas 3 metros cúbicos serão destinados à refrigeração da infraestrutura. O baixo uso ocorre porque o sistema de resfriamento é feito por ar, com água em circuito fechado, segundo destaca Wellysson de Moura.

Complexo eólico Casa dos Ventos
A Casa dos Ventos vai investir R$ 3,7 bilhões em novos parques eólicos e solares no Ceará – Foto: Casa dos Ventos/Divulgação

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