
Um total de R$ 233,46 milhões, 40% do investimento total e até 20 MW de capacidade instalada até 2029. Esses são os números que marcam a nova fase do Mega Lobster, maior data center do Nordeste, localizado em Fortaleza, no Ceará. O projeto recebe recursos do Ministério das Comunicações e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e consolida a capital cearense como um dos principais hubs de infraestrutura digital da América Latina.
O aporte público, viabilizado por meio do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e da linha BNDES Finem – Investimentos em Data Centers, soma R$ 233,46 milhões, o equivalente a cerca de 40% do investimento global estimado em R$ 550 milhões. A expansão deve gerar aproximadamente 400 empregos diretos e indiretos ao longo das obras e da operação.
Em entrevista exclusiva para o Movimento Econômico, o Chief Revenue Officer (CRO) da Tecto Data Centers, Tito Costa, avalia que o projeto já nasce como um ativo estratégico para a economia digital brasileira. “O financiamento aprovado pelo BNDES funciona como um instrumento de apoio institucional de longo prazo. O restante do investimento é feito com capital privado da Tecto e de seus acionistas, o que reforça a solidez financeira do projeto e o compromisso com a expansão sustentável da infraestrutura digital no Brasil”, afirma.
O Mega Lobster entrou em operação em outubro do ano passado e, segundo a empresa, os primeiros meses confirmam a viabilidade econômica e técnica do empreendimento. “O balanço é extremamente positivo. Desde a inauguração, o Mega Lobster tem operado com alta estabilidade, desempenho e eficiência energética, validando todas as decisões de projeto tomadas desde a concepção”, destaca Costa. Atualmente, a primeira fase conta com 4 MW de capacidade instalada, atendendo clientes de cloud, conteúdo digital e conectividade.
A escolha de Fortaleza como sede do maior data center do Nordeste não é aleatória. A cidade concentra uma das maiores infraestruturas de conectividade do país, com diversos cabos submarinos internacionais. “Fortaleza é hoje um dos hubs de conectividade mais estratégicos da América Latina. Isso garante baixa latência, alta capacidade e resiliência, fatores decisivos para investidores globais”, explica o executivo. “O Mega Lobster transforma esse diferencial em capacidade real de processamento de dados.”
Do ponto de vista estrutural, o projeto já foi concebido para crescimento escalonado, reduzindo riscos e custos adicionais ao longo do tempo. “O Mega Lobster foi projetado desde o início para chegar a 20 MW de potência total. A expansão ocorre apenas pela ativação de módulos, sem grandes intervenções estruturais”, afirma Costa. Hoje, a unidade conta com 10 data halls, 13 mil m² de área construída e infraestrutura elétrica e térmica preparada para o crescimento até dezembro de 2029.

Demanda global de hyperscalers impulsiona expansão do data center
A expansão acompanha o aumento da demanda, puxada principalmente por grandes empresas globais. “A demanda vem, sobretudo, de clientes internacionais, como hyperscalers e plataformas globais de conteúdo, que buscam presença no Brasil e na América Latina”, diz o CRO. Segundo ele, o mercado corporativo nacional também ganha relevância. “Empresas brasileiras precisam cada vez mais de baixa latência para aplicações críticas.”
Outro vetor econômico do projeto é a chegada de novos cabos submarinos, como o Synapse, da V.tal. “Esse cabo conecta diretamente o Brasil aos Estados Unidos e terá ramificação em Fortaleza, integrada ao Mega Lobster. Isso transforma o data center em um verdadeiro gateway internacional de dados”, afirma Costa, ressaltando ganhos de escala e competitividade.
Além do impacto tecnológico, a expansão movimenta a economia local. “Durante as obras, os empregos se concentram em engenharia, montagem eletromecânica, logística e fornecedores locais. Na operação, são profissionais de TI, engenharia, segurança e gestão de infraestrutura”, detalha. O data center deverá empregar cerca de 30 profissionais na fase operacional, além dos efeitos indiretos na cadeia de serviços.
Energia renovável e eficiência hídrica entram na conta econômica
A sustentabilidade também entra na conta econômica. “O Mega Lobster opera com 100% de energia renovável e utiliza sistemas de refrigeração em circuito fechado, sem consumo contínuo de água”, afirma o executivo. Segundo ele, esse fator é decisivo para clientes internacionais. “Big techs e hyperscalers exigem fornecedores alinhados às metas globais de descarbonização.”
Com a capacidade do data center Big Lobster TFOR2 já totalmente comercializada, a Tecto avalia acelerar novas etapas do Mega Lobster. “Hoje, as demandas para Fortaleza são direcionadas para o TFOR3, que está preparado para ativar novos módulos conforme a procura”, diz Costa. Ele reforça que o Ceará segue no radar da companhia. “O Mega Lobster faz parte de um plano maior, e seguimos avaliando novas oportunidades no estado, sempre alinhadas à demanda do mercado.”
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