
A governadora Raquel Lyra recebeu, no Palácio do Campo das Princesas, representantes da fabricante chinesa CRRC para discutir a modernização do metrô do Recife e soluções integradas para o transporte público da Região Metropolitana. O encontro incluiu equipes técnicas do Estado e debateu alternativas para frota, infraestrutura e modelos de cooperação.
Escalado para falar sobre o encontro, o secretário de Mobilidade e Infraestrutura, André Teixeira Filho, informou que a empresa deverá apresentar, em até 30 dias, um acordo de cooperação técnica com estimativas de custo, escopo e cronograma. “Eles ficaram de enviar uma proposta formal para que possamos avaliar tecnicamente a viabilidade e os impactos para o sistema”, afirmou. O documento orientará a definição das prioridades de intervenção e do fluxo de investimentos previstos para a fase inicial de modernização.
A comitiva chinesa também participou de um almoço institucional com a governadora, em reunião que marcou o aprofundamento do diálogo sobre investimentos relacionados a metrôs e ônibus elétricos. Segundo André Teixeira Filho, os representantes da CRRC demonstraram interesse em atuar no sistema metroviário e “ficaram impressionados negativamente” com a situação atual do equipamento.
A empresa, considerada a maior fabricante do setor no mundo, também deverá avaliar a integração entre ônibus elétricos e metrô, área em que acumula operações na Ásia, na Europa e na América Latina. O Estado pretende aproveitar essa experiência internacional para estruturar um modelo de operação compatível com a demanda atual e futura da RMR.
Dados oficiais registram que o metrô transporta, em média, mais de 200 mil passageiros por dia útil, com picos acima de 230 mil em períodos de maior circulação. A modernização da sinalização e a entrada de novos trens podem ampliar a oferta de viagens em até 30% no curto prazo, segundo estudos da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura.
Situação atual e desafios do metrô
As linhas Centro e Sul operam com parte da frota indisponível. A idade média das composições supera 30 anos, o que exige revisões estruturais e limita o ritmo de manutenção realizado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), responsável pela operação enquanto tramita o processo de transferência do metrô para o Estado.
A baixa disponibilidade de trens resulta em intervalos longos e reduz a capacidade diária do sistema. Para reverter esse cenário, o Estado negocia com o governo federal a antecipação de cerca de R$ 1 bilhão previstos no acordo de federalização inversa — mecanismo pelo qual o ativo é transferido da União para o Estado.
“Desse R$ 1 bilhão estaria contemplado a compra de, pelo menos, seis trens novos, a manutenção e reforma das estações e a manutenção de tudo que é preciso, para que a gente possa entregar à população do Recife e da Região Metropolitana um transporte melhor em curtíssimo prazo”, afirmou o secretário.
Etapas da transferência e investimentos
A previsão estadual é adquirir seis trens, condicionados à liberação do recurso federal antecipado. Os veículos têm prazo estimado de 21 meses para entrega após assinatura contratual.
O governo federal, segundo o secretário, precisará garantir a antecipação dos recursos para permitir que o Estado assuma o metrô em condições adequadas e avance para um eventual modelo de concessão.
Próximos passos
Após receber a proposta formal da CRRC, o Estado realizará análises técnicas e jurídicas, considerando custo por quilômetro, prazos de entrega e modelos de financiamento utilizados em sistemas similares. A avaliação determinará se Pernambuco avançará para negociações contratuais ou se abrirá consulta a outros fornecedores.
A expectativa do governo é consolidar um plano integrado para recuperar a confiabilidade operacional e ampliar a capacidade do metrô do Recife, alinhando investimentos federais e cooperação técnica internacional.
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