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Rialma e Axia vencem lotes de transmissão no NE por R$ 157,8 milhões

Rialma e Eletrobras CGT Eletrosul (Axia Energia) venceram os leilões de transmissão da Aneel no Nordeste nesta sexta-feira (31). Os projetos foram arrematados por R$ 157,8 milhões em Receita Anual Permitida, com deságios de até 45%
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O critério de julgamento no leilão de transmissão da Aneel foi o menor valor ofertado em Receita Anual Permitida (RAP). Foto: Aneel/Reprodução

Os dois lotes destinados ao Nordeste no Leilão de Transmissão nº 4/2025, realizado nesta sexta-feira (31) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foram arrematados por R$ 157,8 milhões em Receita Anual Permitida (RAP). O valor representa uma queda de 86% em relação ao montante inicialmente previsto, de R$ 1,127 bilhão em investimentos estimados pela Aneel.

O certame foi o único leilão de transmissão previsto para 2025 e contou com altos índices de deságio nas propostas vencedoras, reforçando o interesse do setor privado. As obras nos dois lotes nordestinos devem gerar um total de 4.051 empregos diretos.

A RAP é o valor que as empresas terão direito a receber anualmente pela prestação do serviço de transmissão durante o período da concessão. A RAP cobre custos de investimento, operação e manutenção ao longo de 30 anos. O critério de julgamento no leilão foi o menor valor ofertado de RAP.

Investimentos em transmissão em quatro estados do Nordeste

A Rialma venceu o Lote 2 com uma proposta de R$ 85,9 milhões em RAP, o que representa um deságio de 36,73% frente ao teto fixado pela Aneel de R$ 135,8 milhões. O investimento estimado para o lote é de R$ 788,6 milhões. As obras abrangem 336 km de linhas de transmissão nos estados da Paraíba, Pernambuco, Maranhão e Piauí, e envolvem ainda a construção de uma nova subestação e um sistema de controle rápido de reativos. O lote recebeu 10 propostas e foi para disputa viva-voz entre quatro participantes.

O Lote 2 prevê a implantação da linha de transmissão 500 kV Santa Luzia II – Bom Nome II, com 228 km entre a Paraíba e Pernambuco; da linha 230 kV Caxias II – Teresina II, com 92 km entre Maranhão e Piauí; e da linha 230 kV Teresina – Teresina III, com 14 km, reaproveitando a faixa da linha Teresina – Piripiri. Também será construída a Subestação 230 kV Caxias II, com sistema de controle automático rápido de reativos (±50 Mvar), para maior estabilidade nas variações de carga e tensão.

A função do empreendimento é escoar a geração eólica e solar instalada no leste do Nordeste e atender à crescente demanda das regiões leste do Maranhão e centro-norte do Piauí. Estima-se a geração de 1.752 empregos diretos e prazo de conclusão de 54 meses.

RN terá compensadores síncronos para reforço da tensão

A Axia Energia (anteriormente Eletrobras CGT Eletrosul) arrematou os sublotes 7A e 7B, ambos no Rio Grande do Norte. O sublote 7A, com RAP máxima de R$ 87,3 milhões, foi arrematado por R$ 48,2 milhões, com deságio de 44,81% e investimento previsto de R$ 536,5 milhões. Já o sublote 7B teve proposta de R$ 23,7 milhões, ante um teto de R$ 43,7 milhões, resultando em deságio de 45,79% e estimativa de investimento de R$ 268,5 milhões.

O Lote 7 é composto por duas subestações: 500 kV Açu III e 500 kV João Câmara III, ambas com compensadores síncronos de ±300 Mvar. Os equipamentos operam como geradores sem carga e oferecem suporte dinâmico à tensão. O estado do Rio Grande do Norte concentra cerca de 30% da geração eólica nacional, o que exige maior controle e estabilidade da rede. A construção tem prazo de 42 meses e deve gerar 2.299 empregos diretos.

Leilão busca ampliar segurança energética e modernizar infraestrutura

O Leilão de Transmissão nº 4/2025 faz parte da estratégia de modernização da infraestrutura elétrica e de ampliação da integração de fontes renováveis ao Sistema Interligado Nacional (SIN). As novas linhas e subestações reduzem perdas técnicas, evitam gargalos e aumentam a confiabilidade da rede.

No Nordeste, os projetos reforçam a flexibilidade da rede diante da variabilidade da geração eólica e solar. A instalação dos compensadores síncronos permitirá respostas rápidas às oscilações de tensão e frequência, contribuindo para um fornecimento de energia mais seguro e eficiente.

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