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Primeira carga da Transnordestina será transportada em 23 de outubro

A ferrovia Transnordestina influenciará diretamente 1.007 municípios, com 26,2 milhões de habitantes e R$ 509 bilhões em PIB
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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Primeiro trem da Transnordestina deve iniciar o transporte de cargas no dia 23 de outubro entre Bela Vista (PI) e Iguatu (CE) - Foto: Divulgação
Primeiro trem da Transnordestina deve iniciar o transporte de cargas no dia 23 de outubro entre Bela Vista (PI) e Iguatu (CE) – Foto: Divulgação

A Transnordestina Logística anunciou que realizará seu primeiro transporte de cargas no próximo dia 23 de outubro, conectando Bela Vista (PI) e Iguatu (CE), em um percurso de 580 quilômetros. A operação marca o início da fase de transporte comissionado de cargas, etapa experimental autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que antecede a operação comercial plena.

A ferrovia influenciará diretamente 1.007 municípios, com 26,2 milhões de habitantes e R$ 509 bilhões em PIB, o equivalente a 40,9% da economia nordestina, de acordo com dados da Federação das Industrias do Estado do Ceará. Estima-se a criação de mais de 4 mil empregos diretos e indiretos. Além, deve consolidar o estado cearense como hub logístico e exportador do Nordeste.

Para o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, a Transnordestina deve transformar o escoamento de grãos e minérios no Nordeste, tornando o transporte mais competitivo e ampliando a área de influência dos portos nordestinos.

“A soja tem um valor agregado muito pequeno, então não suporta fretes longos. Com a chegada dos trilhos ao Piauí e, num primeiro momento, ao Porto do Pecém, abre-se uma nova possibilidade de escoamento da produção, especialmente do Piauí”, ressalta Edeon Vaz. A ferrovia vai ter dois tipos de carga principais: grãos, como soja e milho, e minérios. “Além disso, ela traz desenvolvimento para as cidades onde estão os terminais, pois viabiliza o transporte de cargas que antes não eram exploradas por falta de opção logística”, complementa em conversa com o Movimento Econômico.

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Composições da ferrovia devem transportar milho, soja e minérios em operação experimental entre Piauí e Ceará – Foto: Wenderson Araújo/Trilux

A Fase 1 da ferrovia, que ligará Paes Landim (PI) ao Porto do Pecém (CE), já alcançou 77% de execução. Ao longo dos 1.750 km de trilhos, estão previstos seis terminais logísticos, dois deles já em obras: o Terminal Intermodal do Piauí e o Terminal Logístico de Iguatu (CE).

Inicialmente, o transporte abrangerá grãos, algodão, minérios, gesso, gipsita e contêineres, com potencial de movimentar até 1 milhão de toneladas de carga por ano. Os trens terão duas locomotivas e 20 vagões, alcançando velocidades de até 60 km/h, conforme as restrições operacionais vigentes.

Segundo Edeon Vaz, a redução no custo do frete pode chegar a 25% em relação ao transporte rodoviário, tornando o modal ferroviário um forte aliado do agronegócio regional. “Com o corte de custo em até um quarto, o transporte de caminhão do Piauí até o Pecém, representa ganho direto para o produtor e para a indústria”, ressalta.

Desenvolvimento regional e interiorização da economia

O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Guilherme Muchale, destaca o caráter estratégico da ferrovia para o desenvolvimento econômico do Nordeste, com efeitos diretos sobre a competitividade e a geração de empregos.

“A Transnordestina é um dos projetos de infraestrutura mais estratégicos do país. Ela conectará o interior do Nordeste ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém, reduzindo custos logísticos e promovendo integração econômica”, avalia Muchale.

Guilherme Muchale, economista-chefe da FIEC, afirma que a Transnordestina será um vetor de integração econômica e competitividade para o Ceará - Foto: George Lucas/FIEC
Guilherme Muchale, economista-chefe da FIEC, afirma que a Transnordestina será um vetor de integração econômica e competitividade para o Ceará – Foto: George Lucas/FIEC

Iguatu e o novo mapa econômico do interior

A cidade de Iguatu (CE), onde está sendo construído um dos terminais logísticos da ferrovia, deve se tornar um polo de integração entre a produção agrícola do interior e o Porto do Pecém.

“Municípios como Iguatu, Missão Velha e Quixeramobim já se preparam para receber complexos intermodais e novas cadeias logísticas. Esse tipo de investimento atrai capital privado, estimula o comércio e gera empregos. Além disso, cria novas cadeias de valor e dinamismo econômico.”, explica Muchale.

Além do impacto direto nas economias locais, a ferrovia deve reduzir desigualdades regionais, ao interiorizar investimentos e ampliar a competitividade de cidades médias e pequenas. “Mesmo cruzando municípios com menor peso econômico, a Transnordestina abrange 47,9% da população nordestina e 38% das empresas formais da região. Isso amplia seu potencial de transformação”, completa o economista.

O presidente Lula durante visita as obras do trecho em Iguatu - Foto: Ricardo Stocker
O presidente Lula durante visita as obras do trecho em Iguatu – Foto: Ricardo Stocker

Novo corredor logístico e sustentabilidade

Com foco inicial no escoamento de grãos, como soja, milho e farelo de soja, a ferrovia promete maior eficiência e regularidade no transporte agrícola, além de ganhos ambientais. A redução de custos logísticos e a atração de empreendimentos, como o complexo de R$ 500 milhões em Quixeramobim, que prevê 1.300 empregos diretos e indiretos, contribuem para reduzir disparidades regionais e fortalecer economias de médio porte, como as do Cariri e do Sertão Central.

“O transporte ferroviário reduzirá custos, trará previsibilidade e permitirá melhor precificação dos produtos. Além disso, desloca parte do transporte rodoviário para os trilhos, reduzindo emissões e elevando a sustentabilidade da cadeia produtiva. Com a integração ferroviária, o Porto do Pecém se consolida como porta de saída da produção do interior nordestino, atraindo investimentos logísticos e industriais de alto valor agregado.”, destaca Muchale.

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