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Petrobras investe R$ 5 bilhões para reduzir importação de fertilizantes

Obra da UFN-III em Três Lagoas será retomada após 10 anos parada. Projeto prevê 8 mil empregos e capacidade para suprir parte da demanda nacional de ureia até 2029
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  1. Petrobras retoma obras paralisadas desde 2014 da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III em Três Lagoas
  2. Investimento de R$ 5 bilhões visa reduzir dependência brasileira de importações de fertilizantes no mercado internacional
  3. Unidade gerará aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos durante fase de construção até 2029
  4. Fábrica produzirá 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas diárias de amônia
  5. Produção atenderá 16% da demanda nacional de ureia, beneficiando principalmente região Centro-Oeste do país
25.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados de Três Lagoas, da Petrobras, na BR-158, Km 301, em Três Lagoas - MS. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados de Três Lagoas, da Petrobras, em Três Lagoas (MS). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Mais de R$ 5 bilhões voltarão a ser investidos na cadeia industrial brasileira com a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS). Paralisada desde 2014, a unidade da Petrobras reaparece na estratégia nacional de ampliação da produção de fertilizantes e redução da dependência das importações de insumos utilizados pelo agronegócio. A Petrobras estima a geração de aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de construção. A previsão da companhia é concluir a unidade e iniciar a operação comercial da planta em 2029.

Os contratos para conclusão da fábrica foram assinados nesta quinta-feira (25), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A retomada da UFN-III ocorre em um cenário de forte dependência brasileira do mercado internacional de fertilizantes. O país figura entre os maiores consumidores globais desses insumos, mas ainda importa parcela relevante dos produtos utilizados pelo agronegócio.

O tema ganhou força após as turbulências observadas no mercado internacional nos últimos anos, especialmente com os impactos provocados pela guerra entre Rússia e Ucrânia sobre a oferta global de fertilizantes. O episódio expôs a vulnerabilidade de países dependentes de importações e reforçou a busca por ampliação da capacidade produtiva nacional.

Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionou a retomada da fábrica ao objetivo de ampliar a autonomia do país na produção de fertilizantes. “Podem ficar certos, esse país vai construir sua soberania, sendo independente de importação de fertilizantes dos outros países. É apenas esperar que a gente vai ver o que vai acontecer”, afirmou. Ao comentar a paralisação da obra, Lula acrescentou: “Agora vai. Era pra ter começado bem antes.”

Unidade atenderá parte da demanda nacional

Quando entrar em operação, a UFN-III terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia granulada e 2,2 mil toneladas diárias de amônia. Segundo dados apresentados pelo governo federal, esse volume corresponde a aproximadamente 16% da demanda brasileira de ureia.

A localização da unidade foi escolhida para atender uma das principais regiões consumidoras do país. O Centro-Oeste responde por cerca de 40% da demanda nacional de ureia, impulsionada principalmente pelas culturas de milho, cana-de-açúcar, algodão e pelas áreas de pastagem.

A proximidade com os grandes polos agrícolas deverá reduzir custos logísticos e ampliar a disponibilidade do insumo para produtores rurais de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.

Petrobras amplia atuação no setor de fertilizantes

A retomada da UFN-III integra o movimento de reconstrução da presença da Petrobras na cadeia de fertilizantes. Nos últimos anos, a companhia retomou operações nas fábricas da Bahia e de Sergipe, além da unidade da Araucária Nitrogenados (ANSA), no Paraná.

Durante a cerimônia, a presidente da Petrobras destacou o papel da fábrica de Três Lagoas na estratégia de ampliação da produção nacional. “Estamos retomando uma obra que ficou parada por mais de uma década e que será fundamental para aumentar a oferta de fertilizantes produzidos no Brasil”, afirmou Magda Chambriard.

Segundo a executiva, a combinação das unidades atualmente em operação e dos projetos em retomada poderá elevar a participação da produção nacional para cerca de 35% da demanda brasileira de ureia.

Além de ampliar a oferta de fertilizantes para o agronegócio, a retomada da UFN-III deverá movimentar empresas de construção industrial, engenharia, montagem eletromecânica, logística e serviços especializados. O projeto figura entre os maiores investimentos industriais atualmente em execução no país.

*Com informações da Petrobras e Agência Brasil

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