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Conexão Afro impulsiona empreendedorismo negro feminino em Pernambuco

Iniciativa do Sebrae busca reduzir desigualdades e ampliar acesso a crédito, capacitação e mercado para mulheres negras que buscam o empreendedorismo
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  1. Pernambuco concentra 300 mil mulheres empreendedoras, com destaque para setor de serviços.
  2. Sebrae lança programa Conexão Afro para ampliar acesso a capacitação, crédito e networking.
  3. Mulheres negras empreendedoras ganham 46% menos que mulheres brancas no mesmo segmento.
  4. Apenas 24% dos negócios de mulheres negras são formalizados, contra 41% das brancas.
  5. Brasil possui 4,7 milhões de empreendedoras negras, metade abrindo negócio por necessidade econômica.
empreendedorismo feminino negro
Dados do Sebrae mostram que existem cerca de 4,7 milhões de empreendedoras negras no Brasil – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Com cerca de 300 mil mulheres à frente de pequenos negócios em Pernambuco, segundo levantamento do DataSebrae com base em dados da Receita Federal, o fortalecimento do empreendedorismo feminino tem ganhado novos instrumentos de apoio. Agora, um recorte específico passa a integrar essa estratégia: o afroempreendedorismo. Lançado pelo Sebrae Pernambuco, o programa Conexão Afro busca ampliar o acesso de mulheres negras a capacitação, crédito, networking e oportunidades de mercado.

A iniciativa surge em um contexto em que as desigualdades raciais ainda se refletem diretamente no ambiente de negócios. Dados do Sebrae, elaborados a partir da PNAD Contínua, mostram que mulheres negras empreendedoras têm rendimento médio de R$ 2.090,16 por mês, valor 46% inferior ao das mulheres brancas empreendedoras e 59% menor que o dos homens brancos.

Em Pernambuco, onde os pequenos negócios representam uma parcela significativa da economia, o tema ganha relevância adicional. O estado contabilizava 676.095 pequenos negócios ativos em março de 2026, o equivalente a 2,7% do total nacional. Desse universo, mais da metade está concentrada no setor de serviços (53,5%), segmento em que a presença feminina é historicamente expressiva.

Segundo Andréa Viana, gestora do programa Sebrae Delas na Região Metropolitana do Recife, a criação do Conexão Afro preenche uma lacuna existente nas ações de apoio ao empreendedorismo feminino.

“Dentro do Sebrae Delas, nós ainda não tínhamos um recorte específico voltado para o afroempreendedorismo. O Conexão Afro foi criado justamente para apoiar esse segmento e inserir essa temática nas ações que já desenvolvemos”, afirma.

O Sebrae Delas atua há cinco anos na Região Metropolitana do Recife e desenvolve ações em 14 municípios. A nova iniciativa conta com o apoio de organizações parceiras e já promoveu um circuito de afroempreendedorismo em diferentes cidades pernambucanas.

Empreendedorismo enfrenta desigualdades

A proposta ganha ainda mais importância diante do perfil das empreendedoras negras no Brasil. O estudo do Sebrae aponta que 57,9% delas são chefes de família, percentual superior ao registrado entre mulheres brancas donas de negócio. Além disso, apenas 24% dos empreendimentos liderados por mulheres negras são formalizados, índice bem abaixo dos 41% observados entre as empreendedoras brancas.

No recorte nacional, existem cerca de 4,7 milhões de empreendedoras negras no país. Metade delas abriu o próprio negócio por necessidade, enquanto entre as mulheres brancas esse percentual é de 35%.

Os obstáculos se tornam ainda mais evidentes no Nordeste, região que concentra 23% das mulheres empreendedoras brasileiras, atrás apenas do Sudeste, que reúne 44%. Apesar da relevância econômica, as nordestinas enfrentam mais restrições de acesso a crédito, menor renda média e índices mais elevados de informalidade.

O empreendedorismo por necessidade também é mais frequente na região, especialmente entre mulheres com baixa escolaridade. Além disso, há menor participação feminina em setores ligados à ciência, tecnologia e inovação, áreas que costumam apresentar maior potencial de crescimento e rentabilidade.

Crédito, capacitação e conexões como ferramentas de inclusão

Para Andréa Viana, o enfrentamento dessas barreiras passa pela criação de redes de apoio e pelo acesso a conhecimento e oportunidades. “O Conexão Afro não é apenas um evento. É uma estratégia para dar visibilidade, capacitação e conexões para mulheres que muitas vezes encontram mais obstáculos para empreender e crescer”, destaca.

A gestora explica que a iniciativa foi incorporada às ações já desenvolvidas pelo Sebrae Delas e integra a estratégia do programa Plural, voltado ao atendimento de grupos historicamente sub-representados.

A ação também conta com parcerias de instituições e movimentos ligados ao fortalecimento do empreendedorismo negro, ampliando a rede de apoio às participantes.

Evento reunirá empreendedores e instituições

Uma das principais ações do programa ocorrerá em 1º de julho, durante um evento dedicado ao afroempreendedorismo. A programação inclui painéis temáticos, rodadas de crédito com instituições financeiras, rodadas de negócios e a Expo Afro, feira voltada para empreendedores e empreendedoras que atuam nesse segmento.

“Vamos reunir especialistas, empreendedoras e instituições financeiras em um dia inteiro de atividades. Teremos oportunidades de negócios, acesso a crédito e troca de experiências para fortalecer esse ecossistema”, explica Andréa.

A expectativa é reunir empreendedores, lideranças, especialistas e representantes de instituições de fomento em uma programação que acontecerá das 8h às 18h, na sede do Sebrae Pernambuco, na Ilha do Retiro.

Leia também: Do sonho ao topo: jovens do Nordeste superam mais desafios para empreender


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