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União transforma dívida do Grupo João Santos em 33 assentamentos no MA e na PB

Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional adjudicou 28 imóveis do Grupo João Santos, avaliados em R$ 242 milhões, para criar 33 assentamentos rurais no Maranhão e na Paraíba e beneficiar 5.792 famílias
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  1. Dívida federal de R$ 242 milhões do Grupo João Santos convertida em terras para reforma agrária.
  2. União cria 33 assentamentos rurais beneficiando 5.792 famílias no Maranhão e Paraíba.
  3. Grupo João Santos transfere 28 imóveis rurais totalizando 72.505,69 hectares ao Incra.
  4. Dívida ativa do conglomerado reduzida de R$ 11 bilhões para aproximadamente R$ 4 bilhões.
  5. Operação regulariza situação fiscal do Grupo João Santos e viabiliza retomada econômica regional.
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Programa Terra da Gente, lançado em 2024, organiza áreas disponíveis, como as do Grupo João Santos, para assentamento de famílias com perfil para trabalho no campo, priorizando inscritas no CadÚnico. Foto: MMA/Arquivo

Uma parcela de R$ 242 milhões da dívida federal do Grupo João Santos virou 72.505,69 hectares de terra destinados à reforma agrária no Maranhão e na Paraíba, beneficiando 5.792 famílias em 33 novos assentamentos rurais. O acordo, firmado entre a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a empresa, foi anunciado nesta quinta-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento do Programa Terra da Gente em Ponta Porã (MS). A área total é equivalente a mais de 100 mil campos de futebol.

O instrumento foi a adjudicação de 28 imóveis rurais como forma de extinção de créditos públicos. O Grupo João Santos, em recuperação judicial desde dezembro de 2022, transferiu as propriedades à União para quitar débitos que estavam em disputa judicial há anos. As terras serão repassadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para criação dos 33 assentamentos: 31 no Maranhão e 2 na Paraíba. Os municípios onde os imóveis estão localizados não foram detalhados nas comunicações oficiais divulgadas até o fechamento desta edição.

Contexto da dívida do Grupo João Santos

A adjudicação dos imóveis é uma das formas de quitação previstas no acordo tributário mais amplo firmado pelo Grupo com a PGFN em agosto de 2023. À época, a dívida ativa do conglomerado com a União, estimada em cerca de R$ 11 bilhões, foi reduzida para aproximadamente R$ 4 bilhões após descontos de juros, multas e encargos. O plano de recuperação judicial foi homologado pela 14ª Vara Cível de Recife em fevereiro de 2025, após aprovação por 59,91% dos credores. Em junho de 2025, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a gestão em curso e rejeitou pedido de parte dos herdeiros para interromper o processo.

O grupo opera sob nova gestão desde agosto de 2022 e tem monetizado ativos não estratégicos para reduzir o passivo. Em junho de 2026, vendeu uma jazida de calcário em Ribeirão Grande (SP) para a Votorantim Cimentos por R$ 250 milhões, com cerca de R$ 200 milhões destinados ao pagamento de dívidas.

Para a procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Almeida, a operação vai além da cobrança fiscal. “Transformar o pagamento de uma dívida tributária, que estava em discussão há anos, em dignidade para famílias produtoras rurais é um exemplo de justiça fiscal e social”, afirmou. Segundo ela, a negociação também beneficia o Grupo João Santos, que passa a ter sua situação fiscal regularizada, criando condições para retomar as atividades econômicas e gerar emprego e renda na região.

Mecanismo jurídico

A operação ganhou escala após parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), aprovado pelo presidente da República, que ampliou as possibilidades de adjudicação de imóveis de devedores para quitação de débitos perante a União, suas autarquias e fundações públicas federais. O advogado-geral Jorge Messias afirmou que a medida fortalece a recuperação de créditos públicos e permite que áreas improdutivas sejam destinadas à reforma agrária. “Ao mesmo tempo em que fortalece a recuperação de créditos públicos e confere maior efetividade à cobrança da dívida ativa, a medida permite que áreas improdutivas sejam destinadas à reforma agrária, promovendo inclusão produtiva, desenvolvimento regional e justiça social”, disse Messias.

Além de AGU e PGFN, participaram da operação o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Incra. A ministra Fernanda Machiaveli definiu o acordo como combinação de múltiplos objetivos de política pública. “É inclusão produtiva, acesso à terra, justiça fiscal e social e inovação avançando na política nacional de reforma agrária”, afirmou.

Terras para reforma agrária

O Programa Terra da Gente, lançado em 2024, organiza áreas disponíveis para assentamento de famílias com perfil para trabalho no campo, priorizando inscritas no CadÚnico. A ministra Machiaveli destacou que o programa previu o instrumento da adjudicação de terras de grandes devedores para destiná-las a famílias com vocação para a agricultura. Desde 2023, mais de 250 mil famílias foram incluídas no Programa Nacional de Reforma Agrária, volume dez vezes superior ao registrado entre 2019 e 2022.

O Incra já destinou mais de R$ 2,4 bilhões em crédito-instalação, beneficiando mais de 99 mil famílias. Além do acesso à terra, o governo federal tem destinado crédito e moradia para apoiar a instalação das famílias e o início das atividades produtivas nos assentamentos.

*Com informações da Agência Gov

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